Imigracao Catarinense

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TRAÇOS DA POLÔNIA NO VALE
Pela curvilínea estrada Geral Treze de Maio Alto, em Blumenau, um homem de chapéu e cabelos brancos irregulares pedala tranquilamente enquanto fuma um cigarro de palha. A casa de Tadêus Kempczynski fica no fundo de um amplo e verde terreno, herança do avô que emigrou da Polônia para o Brasil durante a Primeira Guerra Mundial, marcando a chegada da família ao solo brasileiro.
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Além dos traços e marcas no rosto de 64 anos, Tadêus carrega na personalidade a resiliência polonesa. Orgulha-se em dizer que só passou por atendimento médico quando se feriu gravemente em uma queda de bicicleta. A televisão e a energia elétrica só chegaram ao lar dos Kempczynski, ali na Vila Itoupava, há pouco mais de sete anos. O estilo de vida um tanto rústico é praticamente o mesmo de quando o primeiro da família fixou residência na comunidade há quase um século.
Em casa, Tadêus, Ana, 47, mulher tímida de bochechas rosadas, e os seis filhos (Fabiana, Carlinhos, Roseli, Bernardina, Verônica e Bernardo) só conversam em polonês. As palavras soam de forma natural e ritmada, mas com consoantes demais para ouvidos brasileiros. Os filhos aprenderam o português no colégio, mas as orações no altar de casa repleto de santos e com a imagem do polonês mais célebre – papa João Paulo II – são na língua tenra.
– Tentamos respeitar a língua (polonês) e incentivar que seja preservada. Assim como é importante lecionar o português, não podemos deixar de lado as origens destas crianças – reforça Veleda Siewederdt Funke, diretora da Escola Municipal Carlos Manske, onde estuda a filha mais nova de Tadêus e onde parte dos alunos chega falando apenas polonês.
A unidade atende 14 alunos de diferentes idades, todos integrantes da comunidade polonesa de 220 moradores que habitam o local quase escondido, a 50 quilômetros do Centro.
Na vila famosa pelas tradições alemãs, 220 moradores da comunidade Treze de Maio Alto mantêm vivas as tradições dos primeiros poloneses que chegaram a Blumenau em 1873.
Estar entre os poloneses da Vila Itoupava é mergulhar em uma cultura que desembarcou entre outros imigrantes e encontrou na terra nova a esperança de sobreviver. A cada novo dia, quem se encontra pela manhã não economiza o cumprimento dzien dobry – o bom dia pronuncia-se dindóbri. A língua falada na Vila Itoupava e que sobrevive em outros municípios de Santa Catarina, além do Paraná e do Rio Grande do Sul, já não é mais ouvida na Polônia.
Estudiosos dos descendentes poloneses, como o jornalista Celso Deucher, destacam que muito provavelmente o polonês daqui é aquele que há mais de 100 anos era falado no país de origem.
Diante do altar com santos e a imagem do papa João Paulo II que quase todas as casas da comunidade Treze de Maio Alto preservam, as famílias rezam diariamente. A presença no culto semanal é quase obrigatória para este povo que leva o catolicismo tão a sério.
Papa Joao Paulo II

Homenagem ao Santo Papa, Massaranduba:


Na convidativa Igreja Nossa Senhora das Dores a celebração é feita apenas uma vez ao mês, mas o culto ocorre todos os domingos, às 9h. O ministro Felix Wittkowski, 69 anos, é o responsável pela cerimônia, pelo cuidado com a capela e pelas orações em polonês.
Com nove filhos, oito netos e dois bisnetos, durante a semana trabalha na própria terra e nos finais de semana se dedica à religião. De cabelos grisalhos escovados e com a roupa impecável, orgulha-se em preservar as tradições e em cuidar da capela.
– Quando tem muito brasileiro na igreja a gente reza em português, mas se a maioria é polonês optamos pelas orações em polonês mesmo. A comunidade toda participa e faz coro na hora da reza. Muitos arquivos da igreja estão escritos em polonês – conta Felix.
A história dele com a igreja começou há seis décadas. O religioso que estudou até a 3ª série começou a ajudar o padre como coroinha aos sete anos e não parou mais. Os avós vieram da Polônia há mais de 100 anos e ele ainda lembra do terreno onde a antiga capela ficava, local onde está o cemitério. É lá que descansam os primeiros imigrantes que pisaram naquela terra.
GUARDIÃO DO CATOLICISMO
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Felix Wittkowski
Entre o pó da Estrada Geral Treze de Maio Alto e o verde das plantações dos colonos, uma casa escondida aos fundos de uma residência contemporânea se destaca na comunidade encravada na Vila Itoupava, em Blumenau. O imóvel em estilo enxaimel, bem mais rústico do que os encontrados no centro das cidades da região, pertenceu a Adão Novak.

Casa tipica Polonesa

Casa tipica Polonesa

A bisneta Verônica Levandowski conta que a casa da família tem pelo menos 120 anos. A mãe da cozinheira morou no local até se casar.
– Meu sobrinho foi o último morador da casa, há seis meses. No passado, todos se reuniam aos domingos de manhã na casa da família. Era uma festa. Quando ficava muito tarde, os netos dormiam no sótão. Tinha café, comida típica polonesa e a sobremesa todos pegavam direto do pé – relembra com os olhos marejados.
Assim como as demais famílias de tradição europeia, a gastronomia da terra natal é mantida entre os poloneses de Blumenau e região. O pirogue é um dos principais pratos típicos à mesa dos descendentes. Feita de uma mistura de trigo, banha e azeite, a iguaria recheada com queijo branco é servida cozida e com molho branco ou vermelho. A receita é passada de mãe para filha na localidade Treze de Maio Alto.

FAMÍLIAS PRESERVAM HÁBITOS DOS IMIGRANTES
Imóvel com mais de 120 anos que pertenceu ao avô de Verônica Levandowski foi ocupado até seis meses atrás.
Iguaria ensinada de mãe para filha está sempre à mesa dos descendentes poloneses.

PIROGUE
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Massa
•    3 ovos
•    1 colher (chá) de sal
•    4 colheres (sopa) de azeite
•    1 colher (sopa) de banha
•    1kg de trigo
Recheio
•    500 gramas de queijo branco
•    1 pitada de sal
Molho branco
•    3 caules de cebolinha verde
•    2 colheres de nata
•    2 colheres de creme de leite
Modo de preparo:
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Coloque todos os ingredientes em uma bacia, misture e amasse até a massa desgrudar dos dedos. Deixe descansar por meia hora.
Espalhe a massa e coloque o recheio. Em seguida feche os pirogues com a ajuda de um garfo. Ferva uma panela com água e sal e coloque os pirogues na panela. Deixe levantar fervura e retire os pirogues da água.
Molho:
Em uma panela misture a cebolinha verde, a nata e o creme. Aqueça e adicione ao pirogues.
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Durante a dança em roda, os passos fortes se misturam com as cores dos trajes. O ritmo ora lento, ora rápido cria o compasso para a apresentação coreografada e repleta de piruetas do Grupo Folclórico Polonês Piaskowa, de Indaial, considerado o maior do Estado. Homens e mulheres tipicamente trajados são os responsáveis por manter a tradição na cidade que no início da década de 1870 recebeu seus primeiros poloneses.
Foi ao iniciar uma pesquisa sobre a família de origem polonesa que Fernando Anacleto – ele perdeu o sobrenome polonês com o passar das gerações – se interessou pela cultura e a história dos imigrantes em Indaial. Não demorou para se envolver com as tradições da pátria dos bisavós que migraram para o Vale do Itajaí. Após descobrir a paixão pela dança típica polonesa, ele reuniu simpatizantes pela cultura e criou o grupo em 2007. Um ano depois, fundou a Associação Indaialense Folclórica Polonesa (Assinfolpol), que hoje conta com 120 associados.
Apesar da cidade ter um bairro chamado Polaquia, homenagem aos imigrantes poloneses, é na Estrada das Areias que inúmeras famílias polonesas ainda residem. O nome do grupo – Piaskowa – significa caminho das areias e é uma homenagem a esta colônia de imigrantes poloneses.
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Em 2011, sob a orientação da professora polonesa Ludmila Pawlowsky o grupo criou um projeto direcionado à Entidade Wspolnota Polska, ligada ao Legislativo da Polônia, para receber verbas do Senado Polonês. Com o sucesso da proposta receberam, um ano depois, 11 pares de trajes originais, oito pares da cidade de Lowicz e três de Lublin, além de 30 pares de calçados. Hoje eles são reconhecidos por representar a cultura polonesa fora da Polônia.
O resgate pretende preservar a história e incentivar o orgulho pela tradição, mas, conta Anacleto, nem todos estão dispostos e outros nem sequer conhecem suas origens:
– Como Indaial sempre dependeu muito de Blumenau, a língua foi se perdendo e eles tiveram de aprender o alemão para se comunicar. Conseguimos descobrir que os primeiros imigrantes vieram para Indaial em 1872, mas não ficaram muito tempo. Poucas famílias permaneceram, a maioria optou por Rio do Sul e cidades do Alto Vale.
Foi para eliminar esta sensação de despertencimento e resgatar a autoestima dos poloneses que a associação, junto com a Fundação Cultural de Indaial, criou o Festival Polonês de Indaial, que ocorre todos os anos em agosto e reúne grupos do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

NOS PASSOS DA TRADIÇÃO
Interessado em descobrir o passado de seus familiares, Fernando Anacleto fez pesquisas e fundou o Grupo Piaskowa.
O Grupo Folclórico Polonês Piaskowa, de Indaial, é o maior desta etnia no Estado
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CATARINENSES ENCONTRAM PARENTES NA POLÔNIA
A partir de documentos e viagens à Europa, Ivan Walendowski conseguiu localizar uma prima e recuperar carta enviadas de Brusque.
Entre fotografias de época e cópias de documentos estão cartas antigas. Amarelado pelo passar dos anos, um dos manuscritos escrito com tinta preta em alemão – o autor polonês era alfabetizado na língua germânica – há 88 anos é a relíquia que Ivan Walendowsky, 69 anos, guarda a sete chaves em Brusque. A carta atravessou gerações até chegar às mãos do brusquense. O manuscrito marca o reencontro da família que havia perdido contato ainda no início do século 19.
Diferente dos poloneses da localidade Treze de Maio Alto, em Blumenau, que pouco sabem sobre a história de seus imigrantes, resgatar as tradições e principalmente o contato com os parentes que ficaram na Polônia, sempre foi um desejo de Walendowsky. Os primeiros passos do reencontro ocorreram em uma das viagens do empresário a Tomaszów Mazowiecki, terra dos antepassados.
Em uma primeira tentativa, a recepcionista de um hotel localizou dois números de pessoas com o mesmo sobrenome dele em uma lista telefônica. Os números foram discados, a ligação completada e os telefones tocaram, mas ninguém atendeu. Em uma segunda ida à Polônia, uma prima de Ivan foi localizada. Com ela estava o símbolo do reencontro e a certeza de que a família seguia viva na terra de origem.
Halina Walendowska (a letra A é adicionada ao final do sobrenome das mulheres) perguntou de onde o suposto parente vinha e só se convenceu depois de escutar a cidade de origem. Depois disso, aceitou mostrar a carta enviada por um dos Walendowsky direto do Brasil aos parentes poloneses. No topo, a origem: Brusque, 5 de janeiro de 1926.
Antes ainda da chegada da família Walendowsky a Brusque, a cidade recebeu outras levas de imigrantes da Polônia. De acordo com o pesquisador da temática polonesa em Santa Catarina Nazareno Angulski o país acolheu muitos poloneses ao longo dos anos, mas o início da imigração ao Brasil, em 25 agosto de 1869, começou oficialmente por Brusque. Um grupo de 16 famílias desembarcou no porto de Itajaí vindo da aldeia de Siolkowice, próximo à Opole, região que se encontrava sob o domínio prussiano.
Um registro de batismo resgatado pelo historiador Celso Deucher no livro Brusque Polonesa marca a data exata da chegada deste grupo organizado de poloneses ao Vale do Itajaí dando início à saga que traria ao município o terceiro grupo étnico brusquense mais numeroso, atrás de alemães e italianos.
“No dia 25 de agosto de 1869, batizei e pus os santos óleos ao inocente Estevão Sieniovski, nascido no dia 3 de julho de 1869, em o mar, filho legítimo de Thomaz Sieniovski e de Maria Kovalska, neto paterno de albano Sieniovski e Maria Bastek, neto materno de pessoas imigrantes.”
Trecho do registro assinado pelo então pároco de Brusque, Alberto Gattone
O registro assinado pelo  então pároco de Brusque, Alberto Francisco Gattone, comprova a história da imigração organizada de poloneses para o Brasil. O primeiro grupo com 78 imigrantes desta etnia que chegou à cidade trazia o pequeno Estevão, de 54 dias de vida.
– Somente três meses depois, mais precisamente no dia 12 de novembro, Estevão teria companhia de uma outra criança nascida em terras brusquenses, Izabella Kokot, que alguns consideram a primeira polonesa nascida no Brasil  – explica.
O especialista Angulski destaca que foram os imigrantes poloneses originários em grande parte da região de Tomaszów Mazowiecki e Lodz, importantes centros têxteis da Polônia, os responsáveis pela pioneira atividade da indústria têxtil em Brusque no final do século 19. Conhecendo bem o ofício foram eles que contribuíram de forma decisiva para que a cidade ficasse conhecida, anos mais tarde, como o berço da fiação catarinense.
O 25 de agosto, com base no documento resgatado por Deucher, se tornou o Dia Municipal do Imigrante Polonês. A lei foi sancionada em 24 de setembro de 2009 e a data é comemorada por todos os descendentes de Brusque e até mesmo em outras cidades catarinenses.
Blumenau, Brusque e Massaranduba promovem eventos que atraem descendentes de poloneses de outros estados.
Encontros e festas das famílias polonesas começaram há pouco na região. Um dos mais tradicionais do Vale do Itajaí é o Evento Cultural Polonês, de Brusque, que está na oitava edição. Para manter viva a memória dos antepassados poloneses e comemorar a contribuição deles para Brusque, a Fundação José Walendowsky é responsável pela organização do encontro destas famílias. O evento deste ano, por exemplo, reuniu 140 famílias, aproximadamente 600 pessoas.
– O encontro é uma forma de valorizar a cultura polonesa com as apresentações culturais e principalmente resgatar famílias, reunir amigos e divulgar a presença polonesa em Brusque. Infelizmente, a língua polonesa foi se perdendo com o passar dos anos. Resgatar e principalmente se orgulhar das nossas tradições é um ganho imenso para todos – conta Ivan Walendowsky.
Na comunidade Treze de Maio Alto, em Blumenau, a festa da Igreja Nossa Senhora das Dores também reúne os moradores, mas é na 16ª Polski Festyn, da comunidade Nossa Senhora Auxiliadora de Benjamin Constant, em Massaranduba – bem ao lado da comunidade polonesa blumenauense – que todo ano, em setembro, os poloneses da região se encontram. No dia da festa, uma missa é celebrada na língua polonesa seguida de almoço típico, apresentações e músicas polonesas. O evento encerra com uma tarde dançante.
A busca pelas origens tem motivado os encontros brasileiros de origem polonesa. Segundo dados do Consulado Geral da Polônia no Brasil, existem entre 1,5 milhão a 2 milhões de descendentes de poloneses no país, mas não há dados específicos sobre a localização destas pessoas. O que se sabe é que a maioria dos descendentes estão concentrados no Sul do país.
No Vale do Itajaí, além de Blumenau, Indaial e Brusque também há registros da passagem de imigrantes poloneses pelas cidades de Botuverá, Timbó, Rodeio, Rio do Cedros, Guabiruba, Benedito Novo, Rio do Sul e Massaranduba, uma das comunidades polonesas mais expressivas do Estado.
Evento Cultural Polonês, de Brusque, organizado pela  Fundação José Walendowsky reuniu neste ano 140 famílias polonesas de Santa Catarina e do Paraná.
A colonização no Vale
Confira como foi a chegada dos imigrantes poloneses à região, suas origens e onde se estabeleceram para formar as comunidade em terras catarinenses:
Fonte: Associação da Cultura Polonesa de Jaraguá do Sul
Tadêus Kempczynski tem no rosto e nos costumes a presença da colonização polonesa
Viegas Fernandes da Costa
Apesar dos outdoors, Blumenau não é somente alemã. Nunca o foi. É verdade que os primeiros 17 imigrantes que aqui chegaram em 1850, com Hermann Blumenau, traziam consigo a germanidade. Porém, sempre vale lembrar, destes, nenhum era alemão, pela simples razão da Alemanha ainda não ter sido inventada naquele ano.
Entre 1850 e 1897 aportaram, no Vale do Itajaí, imigrantes de 21 nacionalidades. Belgas, russos, até gregos! Dentre estes estavam os poloneses, de uma Polônia que na época também não existia como país soberano. Traziam consigo a crença em Nossa Senhora Czestochowa, a arquitetura de sótãos baixos e lambrequins, o idioma eslavo. Não rezavam na crença de Lutero, não pactuavam da mesma cartilha. Eram mão de obra para a colônia, entretanto, braços para a lavoura, e logo tratou-se de alojá-los nos confins do novo território. Lá, onde a terra era mais bravia, a vida mais difícil. Lugares como a Vila Itoupava, o bairro mais polonês de Blumenau.
Os mais vividos ainda contam, sem esconder mágoas, de como poloneses eram separados dos alemães nos bailes de antigamente. A corda no meio do salão era a fronteira visível que interditava a dança entre eslavos e germânicos, e também a partilha do amor e da vida social. Esta corda, que hoje se perpetua em uma campanha de marketing turístico que exclui nossas diferenças e inventa uma identidade única que nunca existiu em Blumenau.

Polski Festyn, Benjamin Constant, Massaranduba:

http://jornaldesantacatarina.clicrbs.com.br/sc/geral/pagina/vale-polones.html
Textos: Pamyle Brugnago
pamyle.brugnago@santa.com.br
Edição: Cleisi Soares
cleisi.soares@santa.com.br
Design e edição de vídeos: Aderlani Furlanetto
aderlani.furlanetto@santa.com.br
Fotos e vídeos: Gilmar de Souza
gilmar.souza@santa.com.br

Coral Polonês Nossa Senhora Auxiliadora, Massaranduba-SC

Padre Rodolfo Komórek

Foi Padre também em Massaranduba-SC
Padre Rodolfo Komorek

Padre Rodolfo Komórek nasceu no dia 11 de outubro de 1890, em Bielsko, na Polônia, e muito antes de se tornar padre já demonstrava sinais de santidade. Sua trajetória de vida está intimamente ligada a São José dos Campos, onde emprestou seu nome a um cemítério, rua e instituto de padres salesianos.

A infância foi marcada pela dedicação aos pais, à escola e à Igreja. Já no Seminário de Weidenau, uma pequena cidade da Polônia, era chamado de santo pelos colegas.

Conhecido por seu espírito penitente, logo que se ordenou sacerdote, em 1913, trabalhou como vigário cooperador em localidades próximas a sua terra natal.

Quando a Primeira Guerra Mundial estourou, em 1914, atuou como capelão militar em Cracóvia — chegou a ser condecorado pelo governo austríaco com a Cruz Espiritual de Mérito e foi homenageado pela Cruz Vermelha. Foi preso pelo exército italiano durante dois meses em Trento e, depois de libertado, voltou à Polônia, onde ingressou na Congregação dos Salesianos de Dom Bosco.

Em 1924, Padre Rodolfo chegou ao Brasil, enviado para dar atendimento espiritual aos colonos poloneses de Dom Feliciano (RS). Mais tarde, foi transferido para o Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora de Niterói (RJ) e desenvolveu atividades como vigário cooperador em Luiz Alves (SC).

No Vale do Paraíba, a primeira cidade onde chegou foi Lavrinhas, na época em que começou a sentir os primeiros sintomas de doença pulmonar. Veio morar em São José dos Campos no início da década de 1940.

Mesmo durante o tratamento contra a tuberculose, Padre Rodolfo dedicou-se a atender doentes em hospitais, asilos e pensões hospitalares da cidade, considerada então uma estância climática.

Sua morte, ocorrida no dia 11 dezembro de 1949, foi marcada pelas manifestações de carinho da população joseense. Foi enterrado no cemitério do centro de São José – que recebeu seu nome em 2003. Entretanto, no local existe apenas uma referência , pois em 1996, Dom Nelson Westrupp, então bispo diocesano autorizou a exumação e transladação de seus restos mortais para a Casa de Relíquias, anexa à Paróquia Sagrada Família em São José dos Campos, e que recebe grande número de devotos.

http://padrerodolfokomorek.blogspot.com.br
Movimento “Bote Fé… no Pe. Rodolfo Komórek”

BREVE HISTÓRICO

1890 – Nasce em Bielsko, Polônia
1909 – Entra para o seminário de Weidenau
1913 – Em 22 de Julho, é ordenado sacerdote
1914 – É nomeado capelão militar na 1º Guerra Mundial
1916 – Vai para a frente de batalha. Recebe duas condecorações do Exército Austríaco, por seu heroísmo…
1922 – Entra como noviço na Congregação Salesiana
1923 – Faz a profissão religiosa (1º de novembro).
1924 – Chega ao Brasil, em 27 de novembro. Vai para São Feliciano (RS)
1927 – Adido ao Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, em Niterói (RJ)
1930 – Faz a profissão perpétua, em Lavrinhas
1934 – Vai para Luís Alves e Massaranduba (SC)
1936 – É destinado ao Seminário de Lavrinhas
1941 – Doente, recolhe-se à Residência Salesiana, em São José dos Campos (SP)
1949 – Falece às 23h20 de 11 de Dezembro
1964 – Solene abertura do processo para a Beatificação, em São José dos Campos.
1977 – Inicia-se o processo em Roma
1995 – É proclamado Venerável (6 de abril)
1996 – Seus restos mortais são transferidos para a ” Casa das Relíquias”

Babcia (Maria Kasmirski Hafemann) sempre contava que quando ele ia dormir na casa de algum membro da comunidade, na manhã a mulher da casa ia arrumar a cama e sempre estava arrumada. Mais tarde descobriram que ele não dormia na cama, mas no chão usando tijolos/livros ou outros objetos como travesseiro.

SITE
Sofia Cisz fez a primeira comunhão com o Padre Rodolfo Kumorek.
Stefano e Romon Hafemann eram coroinha na época do Pe. Rodolfo.

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Dia 26 de agosto comemora-se o dia de Nossa Senhora de Częstochowa (lê-se “Tchenstorrova”) e a Festa da Padroeira da Polônia. O Polonês, povo muito católico, preserva sua fé em constante reverência à sua padroeira, cuja história é bem antiga.

Reza a tradição que São Lucas, o Evangelista que mais escreveu sobre Maria, teria pintado o retrato da Mãe de Deus sobre a mesa usada pela Sagrada Família. A providência velou sobre a preciosíssima relíquia, quer durante a destruição de Jerusalém, quer durante os três primeiros séculos, até o ano 326, quando Santa Helena, indo a Jerusalém, à procura de relíquias de Jesus encontrou o Quadro pintado por São Lucas e o ofereceu a seu Filho Constantino Magno. Este construiu em Constantinopla uma Igreja dedicada à Virgem Maria e lá colocou o Quadro, o qual se tornou célebre pelos milagres e graças, sendo cercado de grande veneração. Por medo das profanações, supõe-se que o Quadro tenha sido guardado por cinco séculos no palácio imperial.

Os imperadores bizantinos casavam suas filhas com os príncipes da Rutênia e da Rússia. Desta maneira uma das filhas, casando-se, levou o Quadro para a Rutênia Vermelha e o colocou no Castelo de Beleza, propriedade do príncipe Leão, e ali permaneceu por mais 100 anos. Em 1532 o rei da Polônia Casimiro, o Grande, incorporou à Polônia estas terras já devastadas pelos tártaros. Durante uma rebelião nesta região, segue para lá, a fim de restabelecer a paz, o príncipe polonês da Silésia (Opole), chamado Ladislau. Este tomou o Castelo de Belza e redeu homenagem ao Quadro milagroso de São Lucas, ordenando que o mesmo fosse colocado no mais belo salão. Logo a região começou a ser invadida pelos tártaros, o príncipe temendo pela sorte do Quadro, se acaso ficasse no oriente, resolveu transportá-lo para seu Castelo em Opole, na Silésia.

Durante a viagem, chegando a Częstochowa, o príncipe teve que pernoitar. Em sonho Maria Santíssima ter-lhe-ia revelado o desejo de que o Quadro deveria ficar ali. Não contrariando os desígnios do Céu, o príncipe levou o Quadro para a Igreja de Nossa Senhora da Assunção. Era o dia 26 de agosto de 1382, conforme ata. O príncipe doou parte de suas riquezas para a reconstrução da Igreja e do mosteiro no Monte Claro – Jasna Góra. A seguir convidou os padres Paulinos da Hungria e lhes confiou à custódia do Quadro. Desde aquele tempo até os nossos dias eles são os guardas desta preciosa relíquia.

Sobre o Quadro Milagroso, na face de Maria, vemos dois cortes, marcas da tentativa de roubo do Quadro, quando em 1430 os husitas saquearam e despojaram o convento levando o Quadro consigo, porém uma força misteriosa impedia de fugir. Enraivecidos danificaram o Quadro. Salva milagrosamente a imagem foi levada a Cracóvia, então capital do Reino. O rei Ladislau Jagiello mandou que fosse restaurada e, para sua ornamentação, ofereceu ouro, prata e pedras preciosas. Contudo o artista deixou duas marcas no rosto de Nossa Senhora, em forma de dois riscos, como sinal da fraqueza humana. Assim restaurado e embelezado o Quadro retornou a Częstochowa. Desde então, este Santuário cresceu, tornou-se conhecido e objeto de profunda veneração do povo, dos cavaleiros, dos magnatas e dos reis. No ano de 1620, o Convento e o Santuário foram cercados de uma muralha, para sua eventual defesa, cujos restos perduram até nossos tempos. A cor tão escura do rosto, que parece até esconder os traços deve-se sem dúvidas a longa história deste Quadro, que já conta então com mais de dois milênios.

Fonte: http://wastowski.com.br/?id_menu=Santuario

26.08.2014 – Homenagens em Massaranduba
Igreja Nossa Senhora Auxiliadora – Benjamin Constant

Missa em homenagem aos Pastores de Belém (MSZA Pasterska)
Tradição Polonesa preservada em Massaranduba-SC.
Agradecimentos ao Padre Márcio A. Lacoski.
Dia 27 de Dezembro, na igreja matriz do Guarani.

http://youtu.be/Lc7dV3HX4vQ
http://youtu.be/9hJoOTvMr8Y
http://youtu.be/gmCpaTa4T5w
http://youtu.be/mcpg9f3mzOs
http://youtu.be/h9PQyM3SVBo

HISTÓRIA DA IMIGRAÇÃO BRASILEIRA

MARIA THERESINHA SOBIERAJSKI BARRETO

LIVRO: POLONESES EM SANTA CATARINA – A COLONIZAÇÃO DO ALTO VALE DO RIO TIJUCAS

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

FLORIANÓPOLIS – ED. LUNARDELLI, 1983

A América recebeu no decorre do século XIX e início do século XX contingentes de população européias atraídos pelas possibilidades de novas áreas de terras a serem cultivadas. O crescimento da população européia, a escassez de recursos tecnológicos para produção de alimentos, o avanço da Revolução Industrial, dispensando mão-de-obra e, por outro lado, provocando a melhoria dos transportes transoceânicos, o agenciamento de colonos, foram fatores dessa emigração européia iniciada no século XIX.

“O grosso da emigração européia, portanto será constituído principalmente de camponeses sem terras, de operários sem trabalho, de burgueses arruinados. As grandes levas de emigração coincidem com as crises econômicas que atingem a Europa: os países que contribuem mais substancialmente para esse movimento de emigração são os mais atingidos pela falta de trabalho e pela miséria.”

Para o Brasil, intensifica-se o movimento imigratório a partir de 1850, em razão da abolição do tráfico negreiro e das necessidades crescentes de mão-de-obra.

Nos estados sulinos, os imigrantes vão formar núcleos coloniais, voltados preferencialmente à produção agrária de subsistência. A imigração para Santa Catarina constitui-se, majoritariamente, de italianos e alemães; no entanto outros grupos étnicos compõem o quadro do povoamento da terra catarinense. É o caso dos poloneses que são encontrados em maior número no norte do Estado, mas também na área sul, e na bacia litorânea do Rio Tijucas.

HISTÓRIAS DE POLONESES

Sobre uma polonesa que foi morta pelos índios os relatos são os seguintes:

“Um dia antes de nos chegar, ali os Bugres mataram uma mulher muda, mas para nós não disseram nada para não assustar”. “… pois a primeira mulher que foi sepultada aqui, foi morta pelos bugres. Agora, o nome dela, o sobrenome, eu não sei. O nome dela é Estanislava, ela era cega e muda. E então eles vieram tudo, à missa, e deixaram ela em casa. Os índios tinham tirado as cobertas de pena, rasgado, espalhado pena, matando as crias dos porcos, roubaram a carne”.

Sobre o respeito pelo período quaresmal, a opinião dos antigos era…

“A quaresma é pois observada com muito mais rigor pelo grupo polono-brasileiro do que pelos outros grupos. A abstenção de carne, recomendada pela Igreja Católica na quaresma, é seguida à risca pelo grupo polono-brasileiro. Abstinham-se de carne nas refeições e por extensão ao próprio contato sexual, a WSTRZEMIEZLIWOSC para significar abstinência de todas as alegrias e prazeres”.

Relato de um Polaco vindo para o Brasil…

“Era isto no Ano de 1895 quando o povo daqui emigrava nos países estranho como também para o Brasil. Assim ou resolvi de emigrar junto com as cinco famílias que se preparavam para viagem. Pensei assim o que eu vou fazer aqui. Papai é pobre tem pouca terra, só 07 morgons e a família é grande. Mãe é madrasta, tem acima de mim dois irmãos e uma irmã, da outra mãe, tem 05 irmãos e duas irmãs. Serviço não tem nem um, era miséria grande. Eu já tinha 25 anos, pedi licença do Pai, disse, eu também queria ir para o Brasil se o pai me deixa, e o pai respondeu, tu queres ir para o Brasil? E dinheiro onde está? Eu fique triste, não disse nada porque sabia bem que papai dinheiro não tem. Mas pai vendo que eu estou triste disse está bom, se eu arrumo dinheiro pra ti então podes ir.”

http://www.arquivodeblumenau.com.br/pesquisa.php?busca=&categoria=&id=10252

Arquivo Histórico José Ferreira da Silva

Homenagem ao imigrante Padre Jan Dec, um guerreiro para Massaranduba:

Chamada COLONIZAÇÃO POLONESA – SANTA CATARINA

COLONIZAÇÃO POLONESA – SANTA CATARINA
Os poloneses que imigraram para o Brasil para fugir da constante instabilidade política de seu país. O primeiro núcleo surgiu em Brusque em 1871. Mas foi a partir de 1889 que eles vieram aos milhares, inicialmente para a região Sul, depois para o Vale do Itajaí, de Tijucas até o Norte, São Bento do Sul, em especial o Oeste do Estado de Santa Catarina. Suas contribuições agrícolas e a indústria foram decisivas.

LIVROS: Imagens de Santa Catarina. P. 20. (S325/I31i). (Colonização Polonesa)

FERREIRA, Cristina. Colonização Alemã, Italiana e Polonesa. (S325/F383c).

FERREIRA, Cristina. Colonização Italiana, Polonesa, Árabe e Grega no Estado de Santa Catarina. (S325/F383c)

PIAZZA, Walter Fernando. Colonização (A) de Santa Catarina. (S981.64/P584c)

BARRETO, Maria Theresinha S. Poloneses em Santa Catarina. (325/B273p)

GOULART, Maria do Carmo K. Imigração (A) Polonesa nas Colônias de Itajahy e Príncipe D. Pedro. (S325.3/G694i)

COLEÇÃO DE DOSSIÊ: Colonização e Imigração. (2.7.) Polonesa.

http://www.polonicus.com.br/site/historia.php

OS POLONESES E SEUS DESCENDENTES NO BRASIL:

ESBOÇO HISTÓRICO E SITUAÇÃO ATUAL DA COLÔNIA POLONESA NO BRASIL

Zdzisław MALCZEWSKI SChr

O Brasil possui uma superfície de 8.547 mil km2 e uma população de 190.755.799 habitantes (2010). O contingente exato da colônia polonesa no país é desconhecido, pois não existem a esse respeito dados estatísticos exatos. Alguns autores estimam o grupo étnico polonês em 800 mil, outros em 1% da população do país, o que equivaleria a mais de um milhão e meio de pessoas. Os líderes polônicos apresentam até um número maior, que atingiria 2 a 3 milhões de pessoas.

Na primeira metade do século XVII aportaram no Brasil alguns poloneses contratados pela Companhia das Índias Ocidentais, fundada pelos holandeses, a qual lutava contra os portugueses e espanhóis pela manutenção de uma colônia no litoral brasileiro (nos atuais estados da Bahia e de Pernambuco). Esses poloneses eram Cristóvão Arciszewski, Sigismundo Szkop e Ladislau Constante Wituski.

O pe. Adalberto Męciński é considerado como um dos primeiros missionários poloneses que vieram ao Brasil. Em documentos portugueses ele aparece como Albertus de Polonia, que em 1631 desembarcou no país por acaso. A embarcação em que ele viajava de Lisboa a Goa foi desviado do seu curso por uma forte tempestade que se desencadeou no Atlântico. Durante a permanência dessa embarcação no litoral brasileiro, Męciński fez uma descrição e um mapa de Pernambuco.

O período da maior afluência de poloneses ao Brasil foi o século XIX. Em 1839 veio ao país o médico Pedro Luís Napoleão Czerniewicz. Ele foi um dos fundadores da Academia de Medicina no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo vinham pesquisadores, viajantes, pessoas em busca de aventuras, mas sobretudo de melhores condições de vida no novo continente. No grupo dos pesquisadores poloneses podem ser mencionados Paulo Edmundo Strzelecki (1835), Inácio Domeyko (1838), José Warszewicz (1850), Constante Helski (1881), e no grupo dos engenheiros poloneses, que vieram ao Brasil no contexto de um contrato com a França: Bronislau Rymkiewicz, Alexandre Brodowski e Luís Malajski. Eles trabalharam na construção da ferrovia São Paulo–Santos, e posteriormente em Manaus, na Amazônia, onde construíram um porto fluvial. Em homenagem a eles, a cidade de Manaus dedicou-lhes um monumento, e o Estado de São Paulo distinguiu Brodowski dando o seu nome a uma das suas cidades. José Siemiradzki (1881, 1891, 1895) envolveu-se em pesquisas de geologia e da história da imigração polonesa. Em 1891 contou com a companhia do engenheiro Vitoldo Łaźniewski, Antônio Hempel e João Sztolcman, geógrafo e pesquisador de minerais. Em 1891 realizou uma série de viagens por diversas regiões do Brasil o pe. Sigismundo Chełminski, um eminente líder social e literato. Nos anos 1895-1897 esteve na Argentina, no Paraguai e no Brasil Estanislau Kłobukowski, economista, fundador e redator da “Revista da emigração”. Após a queda de levantes na Polônia, vieram ao Brasil refugiados políticos, em razão da intensificada perseguição dos ocupantes. A esse grupo pertencem Roberto Trompowski, Pedro Luís Napoleão Czerniewicz, André e Estanislau Przewodowski, o conde Floriano Rozwadowski e o engenheiro Floriano Żurowski, que foi o primeiro polonês a obter a cidadania brasileira. Encontramos também sobrenomes poloneses entre os soldados alemães que lutavam no exército brasileiro. É digno de menção o nome de Estanislau Kruszyński.

Em meio aos emigrados poloneses surgem diversos líderes da emigração, literatos, jornalistas, religiosos e professores. Vindo ao Brasil, uns desejavam proporcionar ajuda aos emigrados, ao passo que outros (José Siemiradzki, Adolfo Dygasiński – 1890, João Wolański –1896) desejavam conhecer as condições de vida no país e familiarizar-se com a atividade das autoridades brasileiras que forneciam terra aos colonos poloneses.

Em meio ao variado grupo dos imigrantes poloneses encontramos também o clero. Como um dos primeiros representantes desse grupo é considerado o pe. Antônio Zieliński, que juntamente com Sebastião Edmundo Woś Saporski organizou a migração dos colonos poloneses em Santa Catarina. Em 1875 vieram os padres Mariano Gizyński, Luís Przytarski, João Adamowski, e mais tarde João Kominek, Boleslau Bayer, João Rzymełko, José Anusz e outros. A primeira congregação religiosa que iniciou a sua atividade em território brasileiro no final do século XIX e no início do século XX foi a dos padres verbitas, e a seguir a dos missionários de S. Vicente de Paulo. Com o tempo vinham outras congregações masculinas, às quais depois da II Guerra Mundial juntaram-se os membros da Sociedade de Cristo para os Poloneses Emigrados. Das congregações femininas, as primeiras a chegar foram as irmãs vicentinas (1904), a seguir as da Sagrada Família (1906), e mais tarde as ursulinas, felicianas e outras congregações. A mais jovem congregação feminina a trabalhar entre os poloneses no Brasil é a Congregação das Missionárias de Cristo Rei para os Poloneses Emigrados (desde 1988). Em 2006, entre os bispos brasileiros encontramos 8 de descendência polonesa: Domingos Wi[niewski, bispo emérito da diocese de Apucarana (Estado do Paraná); Ladislau Biernaski, bispo ordinário da recém-criada diocese de São José dos Pinhais, nos arredores de Curitiba (6.12.2006); Isidoro Kosinski, ordinário da diocese de Três Lagoas (Estado do Mato Grosso do Sul); Ceslau Stanula, ordinário da diocese de Itabuna (Estado da Bahia); Agostinho Estêvão Januszewicz, bispo ordinário emérito da diocese de Luziânia (Estado de Goiás) – atualmente pároco em Juruá (Estado do Amazonas); João Wilk, ordinário da diocese de Anápolis Estado de Goiás); Eduardo Zielski, ordinário da diocese de Campo Maior (Estado de Piauí); Sérgio Krzywy, ordinário da diocese de Araçatuba (Estado de São Paulo). Importa mencionar ainda os bispos falecidos: Inácio Krauze, Pedro Filipak, Walmor Battú Wichrowski. Segundo dados da Comissão do Episcopado da Polônia para assuntos missionários, no final de 2006 trabalhavam no Brasil 326 missionários poloneses (71 padres diocesanos, 197 padres religiosos, 57 irmãs religiosas, uma pessoa leiga). Encontramos também mais de 250 padres de descendência polonesa.

O grupo mais numeroso de poloneses é constituído pelos colonos. O início da colonização polonesa no Brasil ocorre na década de 70 do século XIX, ainda que colonos poloneses tenham aparecido antes dessa data, acompanhando a onda imigratória alemã. Eles se estabeleceram juntamente com os alemães no Estado de Santa Catarina, na colônia Blumenau, e também no Estado do Rio Grande do Sul. Entre os colonos alemães que se estabeleceram na Colônia Dona Francisca (atualmente Joinville), provenientes da região de Poznań, estava presente em 1851 a família de Jerônimo Durski. Imigrantes poloneses participaram igualmente da colonização do Estado do Espírito Santo, ao qual em 1873 vieram cerca de 60 famílias como cidadãos alemães provenientes da Prússia, da Pomerânia e da Silésia (da região de Wrocław), e que juntamente com os alemães estabeleceram-se principalmente em Santa Leopoldina e Santa Teresa. Segundo cálculos de T. Grabski, legado polonês, em 1928 no Estado do Espírito Santo a antiga colonização polonesa contava cerca de 2 mil pessoas. O pioneiro e o organizador da colonização polonesa no Brasil foi Edmundo Woś-Saporski, e por sua iniciativa imigrantes poloneses colonizaram a área do Paraná. Em 1869 vieram 16 famílias da Alta Silésia e foram estabelecidas em Santa Catarina. Graças a Saporski, em 1871 essas famílias migraram ao Paraná, onde fundaram a colônia Pilarzinho, nos arredores de Curitiba. Com o tempo, em volta da capital paranaense surgiu uma rede de núcleos poloneses, entre os quais Abranches e Órleans. A seguir os poloneses colonizaram áreas nos Estados de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Poucos indivíduos detinham-se nas cidades, sobretudo no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A imigração econômica, que ocorreu na segunda metade do século XIX, estava relacionada com a atividade das autoridades brasileiras, envolvidas numa ação de movimento migratório maciço da Europa com o objetivo de povoar as áreas desabitadas, sobretudo na parte meridional do País. Isso se relacionava com um acordo assinado em 1830 com a Inglaterra, que previa a ilegalidade do transporte de escravos negros da África, o que em conseqüência contribuiu para a busca de uma nova mão-de-obra barata na Europa. A ação dos emissários do governo brasileiro encontrou terreno fértil na Polônia, onde a perda da independência, o sentimento da ameaça individual e coletiva, os levantes e as subseqüentes perseguições políticas conduzidas pelas potências ocupantes, bem como a difícil situação política no país, forçavam os poloneses à busca de segurança, de um pedaço de terra, enfim de melhores condições de vida no exterior. Por volta de 1870 veio um grupo de poloneses da região de Gdask a Santa Leopoldina, no Estado do Espírito Santo, de onde, após sangrentas aventuras com as autoridades, uma parte dele fugiu para o interior do Estado, na região da colônia Santa Isabel. Nesse mesmo tempo surgem poloneses em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os núcleos mais fortes surgiram no Paraná. As primeiras organizações polonesas, fundadas em 1890, foram a Sociedade Polonesa Tadeu Kościuszko em Curitiba e a Sociedade Polonesa Concórdia no Rio de Janeiro. A primeira escola polonesa começou a funcionar em 1876 em Órleans. Posteriormente surgiram outras, inclusive o Ginásio Nicolau Copérnico, fundado em 1911 em Marechal Mallet. Até 1914 surgiram 18 publicações periódicas, entre as quais, desde 1892, a “Gazeta Polska w Brazylii” (Jornal Polonês no Brasil) e desde 1904 o “Polak w Brazylii” (O Polonês no Brasil). No período da I Guerra Mundial surgiu o Comitê Polonês Central no Brasil, em Curitiba, que mantinha contato com o Comitê Nacional Polonês em Paris. A afluência maciça de colonos poloneses ao Brasil relacionava-se não apenas com os planos de colonização, mas também com a abolição da escravidão no país (Lei Áurea). Sentia-se então uma grande falta de mão-de-obra nas plantações. O governo brasileiro prometia aos imigrantes transporte gratuito de famílias inteiras ao Brasil, além de oferecer gratuitamente áreas de terra. Ocorreu um crescimento da afluência de imigrantes europeus ao Brasil, e pelos portos do Rio de Janeiro e de Santos passou em 1888 uma onda de imigrantes que chegou a 131.268 pessoas. E em 1891, após a promulgação de um conhecido decreto provisório do governo, que facilitava a imigração, vieram ao Brasil 218.930 imigrantes. A maior intensificação da imigração polonesa ao Brasil ocorreu nos anos 1890-1891. Era o período da chamada “febre brasileira”. Até 1891, o número dos poloneses no Brasil não passava de algumas dezenas de milhares. Eram emigrados da Prússia e da Galícia, que foram estabelecidos na região de Curitiba e de São Bento. Após 1890, a “febre brasileira” fez com que da região de Płock e de Kujawy se deslocassem cerca de 80 mil pessoas, alguns milhares das quais morreram ou voltaram à Polônia, 6 mil viajaram a pé de Santos até a Argentina e cerca de 60 mil estabeleceram-se nas colônias. Dentre os 63 mil imigrantes que em 1890-1891 vieram do Reino da Polônia, das áreas do além do Bug e da Galícia, pereceram milhares de pessoas.

Ocorre uma diminuição da onda imigratória da Polônia, para nos anos 1895-1896 intensificar-se. Era o chamado segundo período da “febre brasileira”. Os imigrantes eram sobretudo habitantes da então Galícia Oriental, de onde vieram 7 mil colonos. Nos primeiros anos do século XX ocorreu o terceiro período da “febre brasileira”. Nos anos 1897-1905 vieram 8 mil poloneses do Reino da Polônia, e no período do dez anos seguintes, mais cerca de 24 mil pessoas. Dessas ondas imigratorias participava o povo simples, e apenas uma pequena porcentagem era constituída por intelectuais, professores e religiosos. Somente após a revolução de 1905 encontra-se entre os imigrados um número maior de intelectuais. A imigração desse período tinha muitas vezes o caráter político, visto que desse grupo faziam parte jovens poloneses que haviam participado do movimento revolucionário, ou ainda pesoas que fugiam do serviço militar no exército imperial russo. A eclosão da I Gerra Mundial de 1914 suavizou a terceira onda imigratória. Calcula-se que até 1914 viajaram ao Brasil mais de 100 mil imigrantes poloneses. Essa imigração era principalmente constituída de colonos. Eram colonos que buscavam a propriedade da terra, o que geralmente conseguiam. Entre esses emigrados houve também casos de regresso à Polônia. O movimento imigratório da República da Polônia ao Brasil começou a crescer novamente em 1919. As estatísticas polonesas estimam que nos anos 1920-1938 emigraram ao Brasil 41,2 mil pessoas. Em grande parte tratava-se de emigrados em busca de trabalho, entre os quais havia uma significativa porcentagem de cidadãos poloneses de nacionalidade judia e ucraniana. Em 1920, segundo B. Żabko-Potopowicz, nos três Estados do Brasil meridional (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), residiam 200 mil poloneses, com exclusão dos nascidos no Brasil, cidadãos brasileiros. A crise econômica de 1930 contribuiu para a restrição da política imigratória do governo brasileiro e provocou a publicação do decreto de 16.7.1934, limitando a entrada de imigrantes, que devia restringir-se a 2% do número dos imigrantes que haviam fixado residência no Brasil nos últimos cinqüenta anos. Essa lei foi mantida no artigo 151 da Constituição brasileira de 1937 e confirmada pelo presidente Getúlio Vargas em 4.5.1938.

Os decretos do governo brasileiro defendiam os interesses do país, opondo-se principalmente às crescentes influências alemãs. Nesse sentido, o decreto de 26.8.1939 continha muitas ordens e proibições, a obrigação de levar as escolas estrangeiras a uma plena adaptação ao ambiente nacional dos brasileiros de descendência estrangeira, do ensino da língua portuguesa, da história e da geografia do Brasil, bem como a participação dos cidadãos em associações patrióticas, com o objetivo de formar uma única consciência nacional. Recomendava também a incorporação ao exército do maior número possível de filhos de estrangeiros, especialmente em unidades militares que se encontrassem fora da região da sua residência. O decreto proibia a utilização de línguas estrangeiras em locais públicos, nos quartéis e durante o serviço militar. Ordenava também que os sermões nas igrejas fossem pronunciados em língua portuguesa. Em 1937 (antes da nacionalização), nos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul os imigrantes poloneses possuíam 293 escolas leigas, 37 escolas religiosas (242 escolas registradas e 88 escolas não registradas). Nessas escolas ensinavam 287 professores poloneses. Participavam do ensino em língua polonesa 9.316 crianças. Em outras escolas estudavam 4.636 crianças. Não tinham acesso ao ensino 5.132 crianças. A atividade social dos imigrantes poloneses é também testemunhada pelo número de 491 sociedades (334 delas mantinham escolas polonesas), dentre as quais 266 pertenciam à União Central dos Poloneses, fundada em 1930; 43 à Associação Católica das Escolas Polonesas “Oświata” (Educação) e 43 eram consideradas como “selvagens”, isto é, não pertencentes a associações.

A imprensa polonesa contava mais de vinte títulos. Os decretos de nacionalização do presidente Getúlio Vargas, dirigidos sobretudo contra as escolas e a imprensa das minorias nacionais, causaram um grande prejuízo aos emigrados poloneses no Brasil. Em conseguência da realização dessas ordens, foram fechadas 335 sociedades polonesas, que funcionavam como filiais das centrais curitibanas. Em 1938 foram fechadas 164 escolas polonesas no Estado do Paraná e 36 no Estado de Santa Catarina. A rede escolar polonesa no Rio Grande do Sul, que contava mais de 100 escolas, foi salva, preservando-se no programa de ensino dessas escolas o antigo status quo. Com o tempo, também ali o rigor da lei introduzida limitou a atividade desses núcleos. No Estado de Santa Catarina foi expedida uma ordem no sentido de que fossem eliminadas dos monumentos e túmulos as inscrições em língua estrangeira. No Paraná foram retirados os nomes estrangeiros de fábricas, oficinas, lojas, etc. Foi introduzida uma nova nomenclatura, em consequência do que a unidade familiar foi perturbada: os poloneses nascidos no Brasil passavam por brasileiros, e os procedentes da Polônia eram considerados estrangeiros. A nacionalização da sociedade brasileira foi a responsável pela destruição de meio século de patrimônio espiritual e material dos poloneses, bem como pela interrupção da influência educativa das escolas polonesas sobre os núcleos poloneses espalhados pelo interior. Além disso, a geração jovem foi privada do acesso à escola e na maioria dos casos, por falta de uma escola brasileira, foi exposta à volta ao analfabetismo. Com o tempo, as rigorosas determinações governamentais tendentes à nacionalização passaram a ser cada vez menos observadas.

Com a colosão da II Guerra Mundial, os poloneses residentes no Brasil envolveram-se na ação desenvolvida pelo Comitê de Ajuda às Vitimas da Guerra na Polônia, cujo presidente era o vice-presidente do Brasil, Fernando Mello Vianna, e que surgiu no Rio de Janeiro sob o patrocínio da Cruz Vermalha Brasileira. Depois que o Brasil ingressou na guerra, esse Comitê começou a organizar a ajuda à Polônia. Foi criada a União dos Voluntários Poloneses da América Latina (sob a presidência de M. Breowicz) e foi aberta a Casa do Soldado Polonês no Rio de Janeiro, onde permaneciam os voluntários poloneses que aguardavam o transporte para a Europa. No total, a colônia polonesa forneceu 580 voluntários para as Forças Armadas Polonesas no Ocidente. Também nas fileiras do Corpo Expedicionário Brasileiro lutaram muitos poloneses. No decorrer das operações bélicas nos anos 1939-1942 veio ao Brasil um grupo de algumas centenas de refugiados poloneses da Espanha e de Portugal, na maioria intelectuais, entre os quais o ator Zbigniew Ziembiński, o poeta Juiliano Tuwim e o pianista Alexandre Sienkiewicz. Muitos desses refugiados mudaram-se posteriormente a países como o Chile, os Estadus Unidos, a Argentiba ou o Canadá. Após o término dasd operações bélicas veio ao Brasil uma nova onda imigratória. Esses imigrantes recrutavam-se dentre os destacamentos militares poloneses desmobilizados no Ocidente ou dentre os ex-prisioneiros dos campos de concentração. Preponderavam entre eles os intelectuais e os operários qualificados, razão pela qual rapidamente encontraram trabalho, em grande parte graças à ajuda de poloneses já residentes no país. Os novos imigrantes estabeleceram-se sobretudo nas cidades e influenciaram a atividade organizacional polonesa que ressurgiu após a guerra.

De meados de 1947 a meados de 1948 vieram ao Brasil 1.481 “desalojados” poloneses, e em março de 1950 eles eram 7.397. Os grupos de imigrantes que vieram ao Brasil durante a II Guerra Mundial, bem como após o seu término, eram na grande maioria partidários do governo da República da Polônia no exílio. Por iniciativa e sob a liderança do duque Olgierd Czartoryski, em 1947 surgiu no Rio de Janeiro a União Cultural dos Poloneses, com o objetivo de unificar toda a atividade polônica em território brasileiro, com o simultâneo combate ao comunismo e apoio ao governo polonês de Londres. O primeiro presidente da UCP foi Boleslau Nowicki, e o primeiro secretário-geral – Olgierd Czartoryski, que exerceu essa função até 1952. Os membros da UCP, bem como outros dirigentes da imigração do pós-guerra no Brasil, seguiam a doutrina “do não-reconhecimento do Estado polonês e do reconhecimento unicamente da nação”. Essa doutrina foi aceita pela maioria das organizações polônicas.

Nos primeiros anos após a II Guerra Mundial vieram de 10 a 20 mil poloneses.A grande maioria dessa onda imigratória dirigiu-se às cidades, e somente um percentual insignificante estabeleceu-se na agricultura. Graças a essa imigração, aumentou entre os poloneses estabelecidos no Brasil a porcentagem de pessoas instruídas, possuidoras de qualificações profissionais mais elevadas. Essa imigração transformou-se no motor principal da atividade das organizações já existentes e contribuiu para a reativação de algumas sociedades já em decadência. Na prática, juntamente com essa onda imigratória encerrou-se o processo da afluência de poloneses ao Brasil.

Após a eleição do cardeal polonês Carlos Wojtyla para pontífice da Igreja católica, observa-se um despertar do espírito polonês entre os descendentes dos imigrantes, surge a busca das raízes da própria origem, a apreciação da cultura, das tradições, dos costumes do país dos antepassados. Na vida organizacional surgiu a tendência da criação de federações. Em 1989 surgiu em Curitiba a “Polbras”, e em 1990 a “Braspol”. Em 1996 foi criado em Curitiba um Centro de Cultura Polônica. A colônia brasileira está representada na União das Associações e Organizações Polônicas da América Latina (USOPAL, fundada em 1993) e foi a organizadora de Congressos da Comunidade Polônica Latino-Americana em Curitiba (1996 e 2000).

O único periódico atualmente publicado pela colônia polonesa no Brasil é a revista de estudos polono-brasileiros “Projeções”, editado desde 1999 como publicação semestral. Essa publicação é financiada sobretudo pela Associação “Wspólnota Polska” (Comunidade Polonesa).

Em 2006 pertenciam à federação da “Braspol” 333 núcleos, espalhados por 16 Estados da federação brasileira.

A distribuição das comunidades polônicas no território desse imenso país apresenta-se da seguinte forma:

ESTADO DO ESPÍRITO SANTO

O Estado brasileiro do Espírito Santo situa-se ao norte do eEstado do Rio de Janeiro. A leste limita-se com o oceano Atlântico, a oeste com o Estado de Minas Gerais e ao norte com o Estado da Bahia.

Os primeiros poloneses vieram a esse Estado em 1870 (1873?) num total de 60 famílias, como cidadãos alemães procedentes da Prússia, da Pomerânia e da Silésia (região de Wrocław). O primeiro transporte de imigrantes poloneses estabeleceu-se, juntamente com os alemães, em Santa Leopoldina e Santa Teresa. Os transportes seguintes, já menos numerosos, dirigiam-se principalmente para o norte, até o rio Doce.

Por volta de 1870 veio ao Estado do Espírito Santo, a Santa Leopoldina, um grupo de poloneses da região de Gdańsk. Após sangrentos incidentes com as autoridades, uma parte deles fugiu para o interior do Estado, para a região da colônia Santa Isabel.

Por sua vez uma outra fonte informa que os imigrantes poloneses vieram a esse Estado em 1873, num grupo de cerca de 60 famílias, como cidadãos alemães procedentes da Prússia, da Pomerânia e da Silésia (região de Wrocław). O primeiro transporte de poloneses estabeleceu-se, juntamente com os alemães, principalmente em Santa Leopoldina e Santa Teresa. Os transportes seguintes, já menos numerosos, dirigiram-se principalmente para o norte, até o rio Doce.

Fontes brasileiras informam que a partir de 1876 iniciou-se a colonização do vale do rio 25 de Julho, situada na parte inferior da serra de Santa Teresa, na direção de rio Doce. Inicialmente os contingentes de imigrantes italianos, alemães, suíços, e no ano seguinte também poloneses, ocuparam as terras que lhes foram fornecidas ao longo do rio 5 de Novembro, dando início à colônia chamada Patrimônio dos Polacos ou Santo Antônio dos Polacos.

Imigrantes poloneses fundaram também os núcleos de Águia Branca, Monte Claro e Cachoeira. Em 1927 a colônia polonesa no Estado do Espírito Santo contava cerca de 2 mil pessoas.

Em 1928 vieram 32 famílias polonesas (150 pessoas) e estabeleceram-se na foz do rio Claro e em São José. Nos anos 1930-1931 a Liga Marítima e Colonial estava colonizando a região de Águia Branca, onde se estabeleceram 100 famílias polonesas. Os poloneses colonizaram também Jaboticaba e São Gabriel da Palha. Na passagem do ano 1929 para 1930 o pe. Inácio Posadzy visitou as seguintes colônias polonesas: Águia Branca, Patrimônio dos Polacos, Córrego da Anta, Santa Maria, Baunilha e Triunfo. Ainda em 1939 imigrantes poloneses se estabeleciam na colônia Águia Branca. Infelizmente, em razões das condições difíceis, alguns voltaram à Polônia, enquanto outros permaneceram.Também após a II Guerra Mundial algumas famílias voltaram à Polônia.

Em 1969 São Gabriel da Palha tornou-se município e como seu primeiro prefeito foi eleito Eduardo Glazar, vindo da Polônia em 1930. Segundo dados relativos ao ano de 1937, resulta que nesse Estado, da mesma forma que em outros Estados brasileiros, os poloneses possuíam as suas próprias escolas. Também nesse Estado existia uma secretaria da União Cultural dos Poloneses no Brasil, que surgiu em 1947 no Rio de Janeiro. Em 1976 a Navegação Marítima Polonesa abriu na capital do Estado, em Vitória, a sua representação. A capital do Estado é também a sede do cônsul honorário, Adão Czartoryski.

No que diz respeito à vinda dos primeiros imigrantes poloneses ao Estado do Espírito Santo, convém assinalar que nas fontes polonesas encontramos duas datas, que fornecemos no texto: 1870 e 1873.

Na área do Estado do Espírito Santo encontramos filiais da Braspol em Águia Branca, Santo Antônio do Canaã (município de Santa Teresa), São Gabriel da Palha e Vitória – capital do Estado.

ESTADO DO PARANÁ

Jerônimo Durski, músico e professor de profissão, veio ao Brasil em 1851 e estabeleceu-se com sua família na Colônia Dona Francisca, atualmente Joinville. Não tendo encontrão entre os alemães condições apropriadas para o desempenho da sua profissão, mudou-se para o Paraná por volta de 1863 e fixou residência com a família em Vila do Príncipe, atualmente Lapa. Jerônimo Durski é considerado o primeiro polonês a fixar residência no Paraná. Em setembro de 1871, graças aos empenhos do pe. Antônio Zieliński e de Sebastião Edmundo Woś Waporski, 32 famílias polonesas (164 pessoas) estabeleceram-se em Pilarzinho, na região de Curitiba. Assim teve início a colonização polonesa no Estado do Paraná. Sebastião Edmundo Woś Saporski empreendeu muitas iniciativas em prol da colonização polonesa nesse Estado. Foi chamado “Pai da colonização polonesa no Paraná”. A partir de então, cada vez mais os poloneses começaram a estabelecer-se no Paraná. No decorrer de sete anos o número dos poloneses subiu a 3.750 pessoas. No total, até 1880 vieram ao Paraná 6.530 imigrantes poloneses. Nos anos 1890-1894 vieram ao Paraná 12 mil imigrantes poloneses. De acordo com alguns dados estatísticos, até a eclosão da I Guerra Mundial residiam no Paraná 60 mil poloneses. A parte meridional do Estado era colonizada principalmente por imigrantes poloneses, que se estabeleceram também na parte setentrional do Estado. No período de entre-guerras surgiram nessa região duas colônias polonesas: Warta e Gleba Orle. Nessas colônias estabeleceram-se imigrantes vindos da Polônia edescendentes dos poloneses dos Estados meridionais do Brasil. Em 1938, no Estado do Paraná o número dos poloneses chegava a 100 mil pessoas. Nos anos setenta do século passado, no Estado do Paraná existiam cerca de 500 colônias polonesas compactas e residiam cerca de 307 mil pessoas.

Atualmente, no Paraná, a população de descendência polonesa constitui cerca de 10% da população residente nesse Estado (de cerca de 8,5 milhões de habitantes).

No Estado do Paraná encontramos os seguintes núcleos da Braspol: Palmitos, Pavão (município de Agudos do Sul), Lamenha Grande (município de Almirante Tamandaré), Altamira do Paraná, Ampere, Anahy, Andirá, Antonina, Antônio Olinto, Apucarana, Arapongas, Arapoti, Calógeras, Capão Bonito (município de Arapoti), Araucária, Campestre, Colônia Cristina, Formigueiro, São Miguel (município de Araucária), Assis Cateaubriand, Balsa Nova, Pavão (município de Balsa Nova), São Sebastião do Paraíso (município de Bom Sucesso do Sul), Braganey, Cafelândia, Cambará, Campina da Lagoa, Campo do Tenente, Bugre, Colônia Dom Pedro II, Colônia Figueiredo, Colônia Rodrigues, Fazendinha (município de Campo Largo), Campo Largo, Campo Magro, Campo Mourão, Cândido de Abreu, Colônia Morska Wola, Teresa Cristina, Três Bicos, Ubazinho Dois (município de Cândido de Abreu), Cantagalo, Capanema, Carambeí, Tronco (município de Carambeí), Cascavel, São João do Oeste (município de Cascavel), Castro, Colônia Iapó – Ponte de Zinco, Colônia Maracanã (município de Castro), Catanduvas, Contenda, São Pedro (município de Corbélia), Coronel Vivida, Cruz Machado, Santana (município de Cruz Machado), Cruzeiro do Iguaçu, Cruzeiro do Oeste, São Pedro dos Poloneses (município de Dois Vizinhos), Rio Vitória (município de Enéas Marques), Espigão Alto do Iguaçu, Farol, Faxinal, Figueira, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Secção Progresso (município de Francisco Beltrão), Goioerê, Guaíra, Guapirama, Guaraniaçu, Guarapuava, Morro Grande (município de Guarapuava), Guaratuba, Amorinha (município de Ibaiti), Ibaiti, Lontrão (município de Imbituva), Arroio Grande, Colônia Adelaide, Colônia Taió, Santaria (município de Ipiranga), Ipiranga, Guamirim (município de Irati), Irati, Iretama, Itambaracá, Itapejara, Salto Grande (município de Itapejara do Oeste), Ivaí, Colônia Pesqueiro (município de Jaguariaíva), Jaguariaíva, Janiópolis, Japira, Carajá (município de Jesuítas), Joaquim Távora, São Miguel (município de Joaquim Távora), Juranda, Segunda Faxinal (município de Lapa), Lapa, Laranjeiras do Sul, Londrina, Warta (município de Londrina), Margarida (município de Marechal Cândido Rondon), Mallet, Mamborê, Mandirituba, Manuel Ribas, Maringá, Mariópolis, Marmeleiro, Marquinho, Matelândia, Mato Rico, Palmital 43 (município de Mato Rico), Medianeira, União da Vitória (município de Missal), Nova Aurora, Buriti (município de Nova Laranjeiras), Nova Laranjeiras, Nova Prata do Iguaçu, Palmas, Boqueirão (município de Palmas), Colônia Maciel, Colônia Santa Bárbara, Papagaios Novos, Passo do Tio Paulo (município de Palmeira), Palmeira, Palmital, Pato Bragado, Pato Branco, Paula Freitas, Paulo Frontin, Pérola do Oeste, Piên, Pinhalão, Martelo (município de Piraí do Sul), Piraí do Sul, Piraquara, Pitanga, Santa Teresinha (município de Planalto), Colônia Guaraúna, Colônia Trindade, Sabará, Taquari (município de Ponta Grossa), Jaciaba (município de Prudentópolis), Prudentópolis, Quatiguá, Quatro Barras, Quedas do Iguaçu, Quitandinha, Realeza, Rebouças, Barra do Encontro, Sabugueiro (município de Reserva), Reserva, Ribeirão Claro, Rio Azul, Rio Negro, Roncador, Sabáudia, Salto do Lontra, Águas dos 30 Alqueires (município de Santa Cecília do Pavão), São Clemente (município de Santa Helena), Santa Helena, Santa Isabel do Oeste, Santa Teresinha do Itaipu, Santana do Itararé, Santo Antônio da Platina, São Jerônimo da Serra, Bromados, Coxilhão das Ameixeiras, Coxilhão de Santa Rosa, Coxilhão do Meio (município de São João do Triunfo), Fazenda da Grama (município de São José da Boa Vista), São José da Boa Vista, Colônia Murici, Malhadas (município de São José dos Pinhais), São José dos Pinhais, São Mateus do Sul, Aurora do Iguaçu (município de São Miguel do Iguaçu), São Pedro do Iguaçu, Sarandi, Sengés, Siqueira Campos, Teixeira Soares, Telêmaco Borba, Tijucas do Sul, Tomazina, Tupãssi, Turvo, Ubiratã, Barro Preto (município de Ventania), Ventania, Verê, Virmond, Wenceslau Braz.

CIDADE DE CURITIBA – CAPITAL DA COLÔNIA POLONESA NO BRASIL

Considera-se que Sebastião Edmundo Wo[ Saporski foi um dos primeiro poloneses que fixaram residência em Curitiba, porquanto viajou a essa cidade com o objetivo de arrumar um lugar para os poloneses que deviam migrar de Santa Catarina. Em setembro de 1871, 32 famílias polonesas (164 pessoas) estabeleceram-se em Pilarzinho, nos arredores de Curitiba. Justamente graças aos empenhos do pe. Antônio Zieliński e de Saporski esse grupo de imigrantes poloneses, procedentes de Opole, mudou-se da região de Blumenau e Brusque, em Santa Catarina, a Pilarzinho. No dia 28 de novembro daquele ano a câmara municipal de Curitiba forneceu-lhes lotes de terra previamente escolhidos e medidos por Saporski. No dia 15 de junho de 1890 foi fundada a primeira organização polonesa em Curitiba e conseqüentemente no Brasil. Essa organização era a Sociedade Tadeu Kościuszko. Faziam parte da primeira diretoria da sociedade: presidente – Adão Stachowski, vice-presidente – Edmundo Sebastião Wos Saporski, secretário – Inácio Waberski, bibliotecário – Aleixo Waberski. Até a eclosão da I Guerra Mundial surgiu em volta de Curitiba um anel bastante compacto formado por colônias polonesas. Em 1972 o pe. João Pitoń CM informava que eram 35 mil as pessoas de descendência polonesa residentes em Curitiba, nos bairros de Abranches, Pilarzinho, Santa Cândida, Barreirinha, Cachoeira, Mercês, Portão, Novo Mundo, Vila Feliz, Seminário, Órleans, Atuba, Bacacheri, Vila Tingüi e outras. Se admitirmos que até há pouco tempo o Brasil dobrava o número de seus habitantes a cada 17 anos, com esse fundamento podemos afirmar que em Curitiba residem mais de 87 mil pessoas de descendência polonesa, embora alguns líderes polônicos elevem esse número até a 300 mil.

Nos anos setenta do século passado funcionavam em Curitiba as seguintes organizações polônicas: União Juventus (herdeira da União dos Atiradores), Sociedade Tadeu Kościuszko, Associação Beneficente-Cultural dos Poloneses no Brasil – a antiga União Central dos Poloneses no Brasil.

Nos dias 5 e 6 de julho de 1980 Curitiba teve a honra de hospedar pela primeira vez em sua história um papa, João Paulo II. No primeiro dia da sua visita o Santo Padre encontrou-se com a comunidade polônica brasileira no estádio “Couto Pereira”. Por sua vez nos dias 24-27 e 29 de fevereiro de 1984 esteve em visita pastoral, tendo-se encontrado com a colônia polonesa da cidade e também visitando algumas colônias dos arredores, o cardeal José Glemp – primaz da Polônia. Lech Walesa, o primeiro presidente da Polônia a fazer uma visita oficial ao Brasil, também esteve em Curitiba no dia 21 de fevereiro de 1995. Além das visitas de caráter oficial, realizou-se um encontro com a colônia polonesa no Parque João Paulo II.

Em 1989 surgiu em Curitiba a Federação das Associações Polônicas do Brasil – Polbras, que tinha por objetivo apoiar as organizações polonesas e de origem polonesa na manutenção da cultura polonesa e polônica. Foi escolhido presidente da Polbras o sr. Anísio Oleksy. Neste ponto vale a pena assinalar que a base de apoio da Polbras é a Sociedade União Juventus, cujas origens remontam a 1898. Em 1990 surgiu a Federação Braspol, com o objetivo de organizar e unir as comunidades polônicas existentes em todo o Brasil. Desde 1993 a Braspol publica o jornal bimensal “Kurier”, em língua polonesa e portuguesa. Nos últimos anos, porém, a publicação tem aparecido de forma bastante irregular. O fundador e o presidente da Braspol é o engenheiro Rizio Wachowicz.

No dia 3 de maio de 1991 foi fundado o Instituto Brasileiro de Cultura Polônica, com o objetivo primordial de divulgar a cultura e as tradições polonesas. O primeiro presidente do instituto, pertencente à Polbras, foi o prof. Mariano Kawka. Nos dias 13 a 16 de março de 1996 realizou-se em Curitiba o II Congresso Polônico da América Latina, organizado pela Polbras. O congresso teve como presidente do comitê organizacional Anísio Oleksy.

Posteriormente, nos dias 6 a 9 de abril de 2000, realizou-se em Curitiba o V Congresso Polônico da América Latina, desta vez organizado pela Braspol e presidido por Rizio Wachowicz.

Dentre as diversas promoções religiosas e culturais organizadas anualmente pela colônia polonesa em Curitiba importa mencionar sobretudo a cerimônia pascal da bênção dos alimentos (Święconka), que se realiza no Sábado Santo no Parque João Paulo II. A “Święconka” e os eventos culturais que a acompanham foram inseridos no calendário oficial de eventos turísticos no Estado do Paraná, publicado pelo governo estadual.

Em Curitiba encontra-se o Parque João Paulo II e muitas ruas dedicadas a personalidades de destaque de descendência polonesa. Dentre as organizações polônicas ativas em Curitiba, devem ser mencionadas a Sociedade Tadeu Kościuszko e a Sociedade de Marechal Piłsudski. A atividade polônica da Sociedade União Juventus, tão rica no passado, atualmente mostra-se praticamente invisível. Além disso, em Curitiba tem a sua sede o Consulado Geral da República da Polônia, bem como a Missão Católica Polonesa.

Em Curitiba desenvolveu-se no passado uma rica atividade editorial polônica. Já em 1892 era publicado o jornal “Gazeta Polska w Brazylii”. Na capital do Paraná era publicado igualmente o “Nowy Lud” (publicado a partir de 4.9.1990 como herdeiro do “Lud” – que circulou desde 28.9.1921, quando uma Sociedade Editora assumiu o que havia restado do “Polak w Brazylii”). Infelizmente, alguns anos depois a publicação do “Nowy Lud” foi interrompida. No decorrer da história polonesa nessa cidade, foram editados mais de cem periódicos diversos.

Atualmente a única publicação polônica, editada em língua portuguesa no Brasil, é a revista curitibana “Projeções – Revista de estudos polono-brasileiros”. O periódico é publicado semestralmente e apresenta a realidade da colônia polonesa brasileira e a problemática dos contatos polono-brasileiros. A revista é publicada desde 1999 é o fruto da cooperação entre o Centro de Estudos Latino-Americanos (CESLA) da Universidade de Varsóvia e a Província da Sociedade de Cristo na América Latina.

Em Curitiba existem filiais da Braspol nos seguintes bairros: Abranches, Barreirinha, Campo Comprido, Capão Raso, Órleans, Santa Cândida, Vila São Jorge, Vila São Pedro.

RIO DE JANEIRO

É difícil estabelecer com exatidão a data do estabelecimento dos primeiros poloneses no Rio de Janeiro. Com base nas fontes que nos são acessíveis, podemos afirmar que já no ano de 1840 vem àquela cidade o médico Pedro Czerniewicz. Observa K. Głuchowski que por volta de 1870 veio ao Brasil um grupo de poloneses da região de Gdańsk e estabeleceu-se no Estado do Espírito Santo. Segundo o mencionado autor, foi justamente nesse período que surgiram os poloneses no Rio de Janeiro. Tratava-se de algumas pessoas que se haviam separado dos grupos maiores que se dirigiam ao Estado do Paraná. Em 1874 chegou ao Rio de Janeiro Adão Stachowski, um dos pioneiros da colônia polonesa de Curitiba.

No período da “febre brasileira”, nos anos 1890-91, um bom número de poloneses esteve de passagem pelo Rio de Janeiro, que na época era a capital e o principal porto do país. Para muitos imigrantes da Polônia, a cidade do Rio de Janeiro era o ponto de partida para a continuação da viagem – para as plantações de café nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo ou Minas Gerais, e sobretudo para os Estados meridionais, onde lhes eram entregues terras para colonizar. Aos imigrantes eram fornecidos lotes geralmente cobertos de mata virgem, que deviam ser transformados em campos de cultivo. Em grande parte aqueles dentre os poloneses que decidiram estabelecer-se no Rio de Janeiro eram pessoas que haviam fugido das colônias. Eram pessoas que muitas vezes não conseguiam adaptar-se às diferentes condições de cultivo da terra, ao clima e outras dificuldades relacionadas com os primeiros momentos da adaptação à nova realidade. Os imigrantes que não se fixavam nas colônias ou as abandonavam geralmente buscavam trabalho nas cidades. Uma outra categoria de poloneses que ali se estabeleceram na época era constituída pelos fugitivos das fazendas de café, que, apesar da febre amarela que grassava na cidade, vinham ao Rio de Janeiro. O motivo da sua fuga era o fato de não serem capazes de se adaptar às condições do trabalho pesado no clima quente. Demonstravam também insatisfação em razão dos baixos salários e por serem explorados pelos fazendeiros. Certa parte dos imigrantes vindos ao Rio de Janeiro – nesse período – era constituída pela população não agrícola do país, e uma outra, por aqueles que se estabeleciam num centro urbano pela primeira vez.

Conforme informa A. Hempel, em 1892 na antiga capital do Brasil residiam de 3 a 4 mil poloneses. Esse número ia diminuindo porque muitos deles decidiam voltar à Polônia, certa parte dirigia-se a outros Estados brasileiros ou ainda emigrava aos Estados Unidos, Argentina ou México, e outros ainda morriam vítimas da febre amarela. E. Gruda informa, por as vez, que nos anos 1890-96 estabeleceram-se no Estado do Rio de Janeiro 3 mil poloneses. Ao analisar os primórdios da colônia polonesa no Rio de Janeiro, J. Wójcik caracteriza os poloneses de lá como indivíduos que por diversas razões separaram-se dos grupos maiores que se dirigiam aos Estados meridionais.

Um empreendimento importante foi a realização de uma estatística dos poloneses residentes no Rio de Janeiro, realizada em 1921. Segundo os dados coletados – que foram enviados à Legação Polonesa – resulta que a colônia polonesa contava então 427 pessoas.

No início de 1924 havia no Rio de Janeiro uma escola ambulante noturna, fundada em 1923 e que atendia a 40 crianças polonesas. Esse número – de certa forma – confirma como era pequeno o grupo dospoloneses residentes naquela cidade.

No período de entre-guerras (em 1929 e na passagem dos anos 1930-31), por recomendação do cardeal Augusto Hlond, visitou os cúcleos poloneses no Brasil o pe. Inácio Posadzy. Fruto dessas duas viagens foram os artigos publicados na imprenas polonesa e o livro “Na senda dos peregrinos”, que foi publicado em 5 edições. No mencionado livro o pe. Posadzy não apenas caracterizou a colônia polonesa, mas forneceu igualmente o seu número. Segundo ele, residiam no Rio de Janeiro apenas mil poloneses. Esse número estaria próximo dos 1.200 poloneses que residiriam no Estado do Rio de Janeiro, e que em 1930 foi fornecido peloencarregado de negócios S. Dluski ao Ministério das Relações Estrangeiras em Varsóvia. No entanto, segundo dados procedentes de 1933, coletados pela União Central dos Poloneses no Brasil, residiam no Rio de Janeiro 1.500 imigrantes poloneses.

Na volta do Congresso Eucarístico Internacional, que se realizou em Buenos Aires, na Argentina, em 1934, o bispo Teodoro Kubina visitou os núcleos poloneses no Brasil. No final da sua estada no país, veio ao Rio de Janeiro e encontrou-se com os poloneses ali residentes. Segundo o bispo Kubina, a sociedade polonesa que vivia na cidade – durante a sua visita – não era numerosa. Os poloneses residiam dispersos por essa grande cidade, e essa dispersão tonava difícil uma vida social mais intensa. Naquele tempo – como observa o bispo Kubina – elesnão possuíam o seu padre nem o seu professor. A colônia polonesa baseava a sua atividade na Sociedade Polonesa, que, apesar das condições difíceis em que se encontrava, mantinha entre os poloneses os sentimentos de polonismo. A sociedade imigratória tinha um forte apoio no ministro Tadeu Grabowski, que a envolvia de paternal proteção. É digna de nota a observação do bispo Kubina – relacionada com a colônia polonesa no Rio de Janeiro – de que não havia nela, como infelizmente ocorria em outros lugares, nenhum tipo de disputas ou brigas.

Nos primeiros anos da II Guerra Mundial (1939-1942) começam a chegar ao Brasil os refugiados poloneses. Dentro de um grupo que contava várias centenas de pessoas – a maioria delas intelectuais – encontramos pessoas que se detiveram no Rio de Janeiro. Algumas dentre elas permaneceram definitivamente, ao passo que outras viajaram para a Argentina, Chile, Canadá ou Estados Unidos. Alguns autores fornecem o número de cerca de 3 mil refugiados poloneses que vieram ao Brasil no início da II Guerra Mundial. Desse número, não foram muitos os que decidiram permanecer no Rio de Janeiro. Muitos emigraram para a Argentina, o Canadá ou os Estados Unidos.

Após o término da II Guerra Mundial uma nova onda imigratória se desloca ao Brasil. Informa-se que vieram então ao Brasil de 10 a 20 mil poloneses. Os imigrantes – na maioria pessoas instruídas ou operários qualificados – estabeleceram-se nas cidades, entre as quais o Rio de Janeiro. Praticamente, com essa onda de imigração ocorrida após a guerra encerrou-se o processo da afluência dos poloneses ao Brasil, bem como à sua antiga capital, Rio de Janeiro. Nos anos seguintes, se os poloneses vinham ao Rio de Janeiro, eram casos raros. O mesmo ocorreu no período da crise política polonesa no início dos anos oitenta. Muitos marinheiros poloneses abandonavam os seus navios e pediam asilo político às autoridades brasileiras. Dessa imigração dos anos oitenta, apenas poucos permaneceram naquela cidade e no país. A maioria dos asilados deslocou-se para países mais ricos. Os fugitivos tratavam a permanência no Rio de Janeiro como ponto de passagem na espera de emigração para outros países.

Os dados sobre o número de cidadãos poloneses residentes no Rio de Janeiro após a II Guerra mundial variam de 5 a 8 mil pessoas.

O legado (embaixador) W. Wrzosek fornece o número de 70 mil poloneses pertencentes à região consular do Rio de Janeiro. Trata-se do número daqueles que, independentemente da posse da cidadania, preservavam o sentimento dos laços com a Polônia.

Vale a pena observar que, quando após o término da II Guerra Mundial os imigrantes poloneses vinham ao Brasil, podia ser observado também o fenômeno contrário, embora não ocorresse em grandes proporções. Naquela época apresentaram-se no Rio de Janeiro, para reemigração: 40 homens, 23 mulheres e 48 crianças com a idade de até 18 anos, ou seja, um total de 111 pessoas. Esses emigrados haviam-se convencido, em pouco tempo, do desacerto da sua escolha e por isso optaram pela reemigração.

Poder-se-ia indagar a respeito do número que representa hoje a colônia polonesa no Rio de Janeiro. A resposta seria praticamente impossível, e as razões para isso são diversas O número dos poloneses no Rio de Janeiro sempre tem sido instável. É muito difícil manter um registro exato numa cidade tão grande como o Rio de Janeiro. Nenhuma das organizações existentes dispôs-se a realizar um censo dos poloneses ali residentes. Além disso, não existe uma exigência legal estrita no sentido de que os estrangeiros residentes no Brasil, ao se mudarem de um Estado para outro, façam disso um registro na polícia federal. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informa que em 1980 residiam no Rio de Janeiro 1.495 poloneses, ou seja, aqueles que eram classificados como estrangeiros. Vale a pena assinalar que naquele mesmo ano – segundo os dados da mesma instituição – residiam no Rio 11.961 poloneses. Estatisticamente, portanto, os poloneses residentes no Rio de Janeiro constituíam 12,5% de todos os poloneses residentes no Brasil. Naturalmente não se pode esquecer também do fato de que certo número de poloneses adotou a cidadania brasileira; eles, portanto, não figuram nas estatísticas brasileiras como poloneses. Dessa forma, o número exato dos poloneses residentes no Rio de Janeiro permanecerá desconhecido e, caso algum número seja fornecido, será um número presumido e inexato. O número presumido dos poloneses residentes no Rio de Janeiro é calculado – pelos líderes polônicos – em 3-5 mil pessoas.

No período inicial do surgimento dos poloneses no Rio de Janeiro (isto é, por volta de 1870 e nos anos da “febre brasileira”), o elemento que se estabelecia era constituído por pessoas de origem camponesa. Os refugiados poloneses residentes nas cidades brasileiras – no mencionado período – trabalhavam geralmente como operários. Esse grupo operário provinha exclusivamente da zona de ocupação russa.

A. Hempel, que visitou o Rio de Janeiro em julho de 1892, encontrou entre os imigrantes poloneses que residiam no Rio de Janeiro artesãos como: alfaiates, carpinteiros, torneiros. Eles trabalhavam na parte insalubre da cidade, visto que era ali que se encontravam as oficinas em que trabalhavam. Por sua vez os imigrantes não qualificados, e entre eles os camponeses acostumados ao trabalho na terra, trabalhavam nos subúrbios como pedreiros.

No círculo da imigração polonesa, onde predominava o elemento operário-artesão, encontramos também pessoas do comércio, engenheiros, trabalhadores intelectuais e proprietários de estabelecimentos industriais. Estes faziam parte da camada dos ricos. Foi essa situação que encontraram no período de entre-guerras o padre Inácio Posadzy e o bispo Teodoro Kubina, que visitaram os núcleos poloneses naquela cidade. Esse estado de coisas perdurou até a eclosão da II Guerra Mundial.

Sintetizando, constata-se que até a eclosão da II Guerra Mundial predominavam na colônia polonesa do Rio de Janeiro as pessoas de classe inferior e média. O status social da colônia dependia em grande parte do grau de instrução possuída e da profissão exercida.

Nos primeiros anos da II Guerra Mundial (1939-42) veio ao Brasil um grupo de refugiados poloneses, contanto algumas centenas de pesoas, na maioria intelectuais. Entre esses refugiados que se detiveram no Rio de Janeiro encontrava-se, por exemplo, o poeta polonês Julian Tuwim. Os ecos da sua estada nessa cidade podem ser encontrados nas “Flores polonesas”. Nesse grupo encontramos representantes do exército, da aristocracia, dos antigos círculos governamentais ou ainda ricos comerciantes judeus. Geralmente esses imigrantes congregavam-se em volta da antiga Legação, inserindo-se na vida organizacional dos poloneses locais. Visto que eles não podiam aceitar a situação existente na Polônia, demonstravam uma postura hostil diante dos representantes diplomáticos da Polônia do pós-guerra. Essa hostilidade se exteriorizava na publicação da revista “Fakty” (Fatos) ou ainda na atividade organizacional da Sociedade Polônia, do Círculo das Polonesas e da União Cultural dos Poloneses no Brasil, surgida em 1947, que tinha como objetivo principal o combate ao comunismo. Diante das circunstâncias favoráveis, os refugiados poloneses que residiam no Rio de Janeiro conseguiram estabelecer boas relações com as autoridades políticas brasileiras e com os representantes da vida comercial, em razão do que puderam chegar a grandes patrimônios, sobrepujando em opulência a antiga imigração e atingindo um nível de vida médio ou superior ao médio. A aristocratia polonesa era bem vista nos numerosos encontros sociais brasileiros e era convidada para diversas recepções diplomáticas.

Um aspecto característico é que no período da II Guerra Mundial estabelecem-se representantes da aristocracia polonesa. Provavelmente um dos primeiros foi o conde Florian Rozwadowski. (Não mencionamos aqui os aristocratas que estiveram no Rio de Janeiro apenas de passagem). No museu Nacional do Rio de Janeiro, na introdução do “Registro dos estrangeiros” não aparece o nome de Rozwadowski, mas o seu título: conde. Além disso, no período de entre-guerras os primeiros representantes diplomáticos da Polônia foram aristocratas: o conde Ksawery Orłowski e o conde Czesław Pruszyński. Entre os refugiados políticos que vieram com o navio “Angola” no dia 5 de agosto de 1940 ao Rio de Janeiro, encontravam-se o duque Roman Sanguszko e o duque Olgierd Czartoryski em companha de sua esposa Matilde (arquiduquesa austríaca, filha do duque Carlos) e de dois filhos. Encontramos ainda os seguintes representantes da aristocracia polonesa: a duquesa Jolanta Radziwiłł, a duquesa Karolina Czartoryski, o duque Constante Czartoryski, o duque Olgierd Czartoryski, a condessa Dolly Krasicka, a condessa Isabel Zamoyski, a condessa Helena Tarnowski, a condessa Maria Tarnowski, o conde André Tarnowski e o conde André Łoś. Essa aristocracia participou ativamente das iniciativas em prol da ajuda à Polônia.

Igualmente no período da II Guerra Mundial estabelecem-se no Rio de Janeiro alguns religiosos poloneses. Neste ponto importa assinalar que no período anterior os padres provenientes da Polônia permaneciam nessa cidade apenas temporariamente. Um dos primeiros foi o pe. Antônio Zieliński, que veio ao Rio em 1867 e ali permaneceu por alguns meses. Em razão da sua amizade com Conde d’Eu – genro do Imperador Dom Pedro II – ele possuía uma grande influência na corte imperial. No período da II Guerra Mundial vieram ao Rio de Janeiro os padres: Francisco Firtz, Tadeu Kotowski, Paulo Tuchowicz, Paulo Siwek SJ e Tadeu Wyżykowski. A pastoral polonesa permanente só foi estabelecida no início de 1951.

Após a II Guerra Mundial aportou no Brasil uma nova onda de imigração polonesa, que se estabeleceu sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro. Em grande parte era constituída por ex-soldados das Forças Armadas Polonesas no Ocidente e por refugiados da guerra. A afluência desse novo elemento imigratório contribuiu para uma mudança mais profunda ainda do perfil social da colônia polonesa do Rio de Janeiro. Desse grupo de refugiados fazia parte um grande número de oficiais, engenheiros, juristas. Eram pessoas com formação superior, que se distinguiam por mais amplas aspirações na vida. Convém assinalar, ainda, que no período do pós-guerra uma pequena porcentagem da imigração polonesa urbana era constituída de artesãos e operários, que, por constituírem um elemento mais enérgico que a antiga imigração agrícola, conseguiram fugir das difíceis condições do interior para se estabelecer na cidade.

No que diz respeito à situação atual da colônia polonesa no Rio, constata-se que não existem dados detalhados que apresentem a sua realidade. Diante de tal estado de coisas, podemos nos basear apenas na observação pessoal. O local de residência desses poloneses, bem como a observação do seu estilo de vida autoriza o autor a afirmar que eles fazem parte da classe média, algumas vezes até da classe rica. Ocasionalmente podem ser encontradas igualmente pessoas que enfrentam dificuldades materiais.

O nível da colônia polonesa do Rio pode ser comprovado também pela simpatia e amizade que lhe são demonstradas pelos brasileiros. Baseando-se em observações próprias, o autor pode enfatizar com toda a convicção que não ocorrem casos de tratamento incorreto dos poloneses por parte da população local. Muito pelo contrário, por toda a parte eles se deparam com demonstrações de simpatia. É preciso afirmar ainda que no decorrer das últimas décadas os brasileiros têm apresentado aos poloneses muitas provas da sua simpatia. Por outro lado, deve-se reconhecer que a coletividade polonesa não tem criado problemas para essa sociedade tão hospitaleira. Pelo seu trabalho, pelo seu envolvimento em prol do bem do país e da nação brasileira, os poloneses granjearam o reconhecimento e a gratidão da população local. Uma prova disso é que aos poloneses têm sido outorgados diversos títulos de cidadãos honorários da cidade do Rio de Janeiro. Há um bom número de poloneses que nos últimos anos foram honrados com essa honrosa distinção.

Um outro detalhe que comprova o nível da colônia polonesa do Rio de Janeiro é a igreja polonesa, que se encontra no bairro do Flamengo, e que é considerada a parte rica da cidade. Esse santuário é freqüentado por brasileiros que fazem parte da elite local. Entre os fiéis brasileiros que participam das celebrações realizadas para eles em língua portuguesa encontramos o ex-ministro da justiça Armando Falcão, representantes da diplomacia brasileira (dois embaixadores), professores universitários, bem como outros representantes ricos e influentes da sociedade local. Não podem ser esquecidos os altos dignitários militares brasileiros que participam das comemorações do Dia do Soldado Polonês.

A observação própria da colônia polonesa do Rio de Janeiro permite a constatação do seguinte fato: o elemento polonês que se estabeleceu no Rio de Janeiro em conseqüência da borrasca da II Guerra Mundial preocupou-se com a educação de seus filhos e em lhes assegurar uma boa posição na sociedade brasileira. Diante desse fato, essa nova geração polônica tem assegurada uma boa posição na sociedade em que vive. Além disso, constata-se – com base na observação pessoal e nos resultados de uma pesquisa realizada – que em quase todas as áreas de vida na região podem ser encontrados poloneses e representantes da colônia polonesa. Olhando-se para a coletividade polônica do ponto de vista brasileiro – ela ocupa uma boa posição. A maioria dos poloneses – conforme resulta dos dados do IBGE – residem na parte meridional da cidade, que é considerada a parte rica. Por observação própria, o autor da presente monografia pode afirmar que não se encontram representantes da colônia polonesa vivendo nas favelas cariocas. Por sua vez aqueles que residem na parte norte da cidade, considerada a mais pobre, dispõem de dignas e suficientes condições de vida.

Assim, graças às qualificações profissionais que possuem, ao rápido domínio da língua portuguesa e às condições que lhes proporcionou o país em que se estabeleceram, os poloneses residentes no Rio de Janeiro e os seus descendentes alcançaram uma adequada posição social dentro da sociedade brasileira.

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

Em 1852 encontramos poloneses no Rio Grande do Sul, lutando entre os soldados alemães no 15º batalhão do exército brasileiro (tenente Nieviadomski, Karol Noack, Barnatski). Na 6ª companhia também lutavam soldados poloneses (Parkowsky, capitão Eduardo Stepanowski). Também no 28º batalhão de fuzileiros lutavam poloneses (Murtki, Storek, Renek, Parkowski, Chendasiewicz). Na campanha Farroupilha lutou o polonês Gudowski. O engenheiro Floriano Żurowski, pertencente a um grupo de emigrantes políticos, veio ao Brasil provavelmente em 1857. Trabalhou na medição de terras no Estado do Rio Grande do Sul. Tornou-se diretor de colônia em Santa Cruz e Santo Ângelo. É considerado como o primeiro polonês a adotar a cidadania brasileira. Em 1886, a nordeste da capital estadual, Porto Alegre, um grupo de imigrantes poloneses fundou as colônias Sabta Teresa e Santa Bárbara. Eram imigrantes que alguns anos antes haviam chegado ao Estado da Bahia, mas em razão do clima não conseguiram adaptar-se. Quase todos mudaram-se para o Rio Grande do Sul. Nos anos 1890-1894 vieram ao Rio grande do Sul 27 mil imigrantes polneses. A primeira organização polonesa que surgiu nesse Estado foi a Sociedade “Polônia”, em Porto Alegre, que surgiu em 1896, graças ao empenho do Dr. Estanislau Kłobukowski. Segundo alguns dados estatísticos, até a eclosão da I Guerra Mundial o número de poloneses no Rio Grande do Sul chegava a 39 mil pessoas. E em meados da década de 1920 esse número era de 61.200 pessoas. No Estado do Rio Grande do Sul surgiu uma concentração bastante grande de colônias polonesas nas regiões de Lagoa dos Patos, Caxias, Ijuí. Em 1938 o número dos poloneses no Estado do Rio Grande do Sul chegava a 80 mil pessoas. Nos anos 1947-1950 estabeleceram-se nesse Estado 147 famílias polonesas, que faziam parte de um grupo de refugiados de guerra. Em época posterior, muitos deles viajaram aos Estados Unidos. E na década de 1970 a população de descendência polonesa no Estado do Rio Grande do Sul chegava a 256 mil. Se admitir-mos que – até pouco tempo – o Brasil dobrava o número de havitantes a cada 17 anos, com base nesse cálculo podemos definir o número de pessoas de descendência polonesa nesse Estado em cerca de 640 mil pessoas.

Na área do Rio Grande do Sul encontramos filias da Braspol em: Alpestre, Arativa, Barão de Cotegipe, Bento Gonçalves, Camaquã, Cândido Godói, Carlos Barbosa, Carlos Gomes, Casca, Caxias do Sul, Centenário, Chuvisco, Cotiporã, Dois Lageados, Dom feliciano, Erval grande, Floriano Peixoto, Getúlio Vargas, Guarani das Missões, Ijuí, Itatiba do Sul, Marcelino Ramos, Mariana Pimentel, Mariano Moro, Muçum, Nova Bassano, Nova Prata, Passo Fundo, Planalto, Porto Alegre – capital do Estado, Rio Grande, Santa Rosa, Santa Teresa, Santiago, Santo Antônio da Palma, Seberi, Três Arroios, Veranópolis, Vista Alegre do Prata.

ESTADO DE SANTA CATARINA

Nos anos 1824-1829, juntamente com a imigração alemã, veio o primeiro grupo de poloneses ao Estado de Santa Catarina. Eles se estabeleceram juntamente com os alemães na colônia Blumenau. O padre Antônio Zieliński, ao tomar conhecimento da vinda dos poloneses a Santa Catarina, graças às suas influências na corte imperial no Rio de Janeiro obteve do imperador Pedro II a nomeação para a função de pároco na Colônia Príncipe Dom pedro, em Santa Catarina. Fixou residência provisória em Gaspar, em 1869. Em agosto de 1869 um grupo de poloneses procedentes da região de Opole foi estabelecido nas redondezas de Brusque. Mais tarde, em setembro de 1871, graças aos empenhos do pe. Antônio Zieliński e de Sebastião Edmundo Woś Saporski, 32 famílias polonesas (164 pessoas) estabeleceram-se em Pilarzinho, nos arredores de Curitiba. Nos anos 1890-1894 vieram ao Estado de Santa Catarina 5 mil imigrantes poloneses. Segundo alguns dados estatísticos, até a eclosão da I Guerra Mundial residiam em Santa Catarina 13.800 poloneses. Em 1924, em Santa Catarina residiam 18.810 poloneses. Segundo os dados de 1937, resulta que existiam nesse Estado escolas polonesas, da mesma forma que em outros Estados habitados por imigrantes poloneses. Em conseguência da nacionalização, foram fechadas no Estado de Santa Catarina 36 escolas polonesas. Em 1938 o número de poloneses em Santa Catarina era de 25 mil pessoas. E em 1970 o número de poloneses e descendentes que residiam nesse Estado era estimado em 89 mil pessoas. Se adotarmos o mesmo critério já citado anteriormente – de que até há pouco tempo o Brasil dobrava a sua população a cada 17 anos –, com base nesse cálculo podemos definir o número de pessoas de descendência polonesa nesse Estado em mais de 220 mil pessoas.

Na área de Santa Catarina encontramos filiais da Braspol em: Belmonte, Ribeirão das Antas (município de Benedito Novo), Blumenau, Brusque, Caçador, Bateias de Baixo, Corredeira (município de Campo Alegre), Canoinhas, Chapecó, Corupá, Linha Batista (município de Criciúma), Descanso, Doutor Pedrinho, Florianópolis – capital do Estado, Grão Pará, Indaial, Irani, Itá, Itaiópolis, Jaraguá do Sul, Joaçaba, Joinville, Mafra, Pulador, Rio Novo, Serra Preta (município de Major Vieira), Maravilha, Massaranduba, Mondaí, Monte Castelo, Nova Erechim, Trombudo (município de Nova Trento), Chapadão (município de Órleans), Papanduva, Porto União, Rio da Prata (município de Rio do Campo), Rio Negrinho, Santa Cecília, Santa Teresinha, Cruzeiro, Rio Natal, Rio Vermelho (município e São Bento do Sul), São Bento do Sul, São Miguel do Oeste, Sombrio, Três Barras, Xanxerê.

ESTADO DE SÃO PAULO

A cidade de São Paulo, da mesma forma que o Rio de Janeiro, era um ponto especial pelo qual passavam ondas de imigrantes vindos ao Brasil. Dali os imigrantes seguiam para as plantações de café ou para as áreas de colonização situadas nos Estados meridionais: Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul. Graças ao aumento na produção do café, na passagem do século XIX para o XX São Paulo estava passando por um grande desenvolvimento econômico. Em razão do progresso geral, tanto a cidade como o Estado de São Paulo ofereciam grandes possibilidades aos imigrantes que chegavam. Nos anos 1890-1894 vieram ao Estado de São Paulo 13 mil imigrantes poloneses. O padre Chełmicki, que chegou de Varsóvia a São Paulo em 1892, definia o número de poloneses residentes nessa cidade em cerca de 1.000 pessoas. Por sua vez A. Hempel, que esteve em São Paulo nesse mesmo tempo, definia o número dos imigrantes poloneses em cerca de 600-700 pessoas. De acordo com J. Siemiradzki, por volta de 1900 residiam em São Paulo 2.000 poloneses. As autoridades consulares polonesas estimavam que em 1928 a coletividade polonesa em São Paulo contava cerca de 2-3 mil pessoas. Por volta de 1930 a comunidade polonesa na cidade contava cerca de 3 mil pessoas. O padre I. Posadzy, que visitou o Brasil nesse período, avaliava o número dos poloneses residentes em São Paulo em cerca de 8 mil pessoas. Nos anos 1930-1940 São Paulo teve o acréscimo e 12 mil pessoas de descendência polonesa. Por ocasião da eclosão da II Guerra Mundial, os poloneses de São Paulo começaram a organizar a ajuda para a Polônia. Da mesma forma que em outras cidades do Brasil, também em São Paulo surgiu uma filial do “Comitê Brasileiro de Ajuda às Vítimas da Guerra na Polônia”. Após o término da guerra, veio ao Brasil uma nova onda de imigrantes poloneses, que se estabeleceu principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo. Calcula-se que chegou a cerca de 8-9 mil pessoas. A maioria era constituída por soldados das Forças Armadas Polonesas no Ocidente. Graças ao afluxo dessa nova onda de imigrantes poloneses, transformou-se o perfil da comunidade polônica em São Paulo. Até então a maioria era constituída sobretudo por operários. A nova onda trouxe a São Paulo um grande número de intelectuais (entre os quais engenheiros, oficiais, juristas). No final dos anos cinqüenta do século passado, os padres salesianos poloneses calculavam o número da colônia polonesa em cerca de 1.200 famílias. A comunidade polônica de São Paulo envolveu-se ativamente nas comemorações do Milênio do Batismo da Polônia. Justamente nessa cidade surgiu um os primeiros comitês das comemorações do Milênio. Para homenagear esse aniversário, a comunidade polônica ergueu o Monumento do Milênio. Esse monumento é uma obra dos artistas poloneses Miecislau Grabowski, Vitoldo Reiff e Miroslau Szabuniewicz. Os salesianos poloneses documentaram as comemorações do Milênio polonês pela publicação do “Álbum das comemorações do Milênio da Polônia Cristã”. No Almanaque do “Lud” de 1972 encontramos a informação de que a paróquia polonesa em São Paulo contava cerca de 3 mil pessoas. Além desse número, o pe. J. Pitoń CM fornece o número de 17 mil cidadãos poloneses de descendência judia. Os poloneses residiam nos bairros: Bom Retiro, Quitaúna, Domingos de Morais, Presidente Altino, Butantã, Lapa, Mariana. O pe. J. Pitoń CM menciona Santo André (onde residiam 108 famílias polonesas) e os núcleos poloneses em São Caetano do Sul, Utinga, Mauá, Ribeirão Pires e Piquera-Açu.

No que diz respeito à vida organizacional da colônia polonesa em São Paulo, constata-se que rapidamente surgiu a primeira associação polonesa. No dia 3 de maio de1892 foi fundada a primeira organização polonesa, com o nome de “Beneficência”.Com o tempo o nome foi mudado para “Ajuda Fraterna”. Em 1895 o nome dessa organização mudou para “União e Concórdia”. Por volta de 1912 funcionava junto a essa organização uma escolinha polonesa. Em 1917 os imigrantes poloneses fundaram uma nova organização, de natureza patriótica, a “Sociedade Henrique Sienkiewicz”. Em 1922 ocorreu a união das organizações polonesas existentes – “União e Concórdia” e “Sociedade Henrique Sienkiewicz” – numa só associação, a “Sociedade Polonesa”. Em março de 1927 foi possível organizar uma escola polonesa, na qual foram formados dois grupos: para crianças mais jovens e mais velhas. O sustento material da escola baseava-se em doações dos poloneses locais. No final daquele ano freqüentavam a escola 100 crianças. A colônia polonesa em São Paulo – da mesma forma que em outras regiões – vivenciou também crises provocadas por diversos desentendimentos. Devido a isso, ocorreu uma cisão na “Sociedade Polonesa”. Em conseqüência dessa cisão, surgiu uma nova organização, o “Círculo de Jovens Marechal José Piłsudski”. Nos anos trinta foi fundada mais uma organização, o “Clube Esportivo Polônia”, que contava cerca de 80 sócios. Nesse mesmo período surgiu, sob a influência dos salesianos poloneses, a “União Polono-Católica da Proteção de Nossa Senhora de Częstochowa”. A “União Cultural dos Poloneses no Brasil”, surgida em 1947 no Rio de Janeiro, possuía igualmente a sua filial em São Paulo. Em 1949 atua também nessa cidade a “Sociedade Central dos Judeus Poloneses”. Em 1955 surgiu mais uma organização, o “Clube 44”, que adotou como objetivo a propagação em alto nível da vida cultural polonesa. Nos anos setenta do século passado existiam as seguintes organizações polônicas em São Paulo: a “Sociedade Frederico Chopin”, o “Clube 44”, a “Associação dos Combatentes Poloneses” e a “Associação dos Ex-Aviadores Poloneses”.

Atualmente (2007), atuam na capital do Estado as seguintes organizações: o “Clube 44”, a “Sociedade Brasileira de Cultura Polonesa José Pilsudski” e a “Associação dos Combatentes Poloneses”. Desde 1996 a capelania polonesa é dirigida pelos padres da Sociedade de Cristo para os Poloneses Emigrados. Anteriormente a assistência pastoral da colônia polonesa estava a cargo dos padres salesianos poloneses.

Em São Paulo existe o Consulado Geral da Polônia e o Escritório Comercial do Conselheiro da Embaixada da Polônia.

Não existem dados a respeito do número de pessoas que constituem a colônia polonesa. Estima-se a coletividade polônica nessa maior cidade brasileira em algumas dezenas de milhares de pessoas.

Na área de São Paulo encontramos filiais da Braspol em Itaporanga, Itararé, Paineiras (município de Ourinhos), Osasco e São Paulo – capital do Estado.

Atualmente (2007), os descendentes dos imigrantes poloneses não residem apenas nos Estados acima mencionados, para onde no passado emigraram os poloneses. O atual movimento migratório brasileiro, que contribui para a transposição de indivíduos e famílias, influencia também a mobilidade dos representantes da comunidade polônica local. Graças às filiais existentes da Braspol, temos um discernimento real de onde se encontram comunidades polônicas. Além dos Estados acima mencionados, encontramos também descendentes de imigrantes poloneses nos seguintes estados da Federação Brasileira:

DISTRITO FEDERAL:

Brasília – capital do País.

ALAGOAS:

Maceió – capital do Estado.

BAHIA:

Luís Eduardo Magalhães (município de Barreiras), Salvador (capital do Estado), Povoado de Roda Velha (município de Desidério).

GOIÁS:

Goiânia – capital do Estado.

MINAS GERAIS:

Belo Horizonte – capital do Estado.

MATO GROSSO DO SUL:

Campo Grande (capital do Estado), Coxim, Dourados, Eldorado, Maracaju, Mundo Novo.

MATO GROSSO:

Cuiabá (capital do Estado), Nova Mutum, Rondonópolis, Sinop, Primavera (município de Sorriso), Sorriso.

PARÁ:

Belém – capital do Estado.

PERNAMBUCO:

Recife – capital do Estado.

RONDÔNIA:

Arquemes, Cocal, Ji-Paraná, Porto Velho (capital do Estado), Vilhena.

O detalhamento acima das colônias, vilas e cidades onde encontramos comunidades polônicas não é completo. Por experiência própria o autor conhece dezenas de colônias no interior, bem como um grande número de vilas onde encontrou descendentes dos nossos imigrantes que preservam a sua consciência étnica ou que cultivam alguns costumes poloneses.

É de se esperar que a comunidade polônica no Brasil por longo tempo vai demonstrar a sua atividade étnica. Graças ao papa João Paulo II, ocorreu um renascimento dessa consciência étnica. Em muitos lugares do Brasili observou-se um despertar do espírito polonês. O movimento polônico concentrado no Braspol procura manter os costumes, as tradições trazidas pelos nossos imigrantes da Polônia. É preciso que se demonstre um grande respeito a todos aqueles que stão contribuindo para inserir no mosaico étnico brasilieor a presença polonesa e as suas variadas manifestações.

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http://czytelniabrasil.blogspot.com.br/2010/09/poloneses-139-anos-em-santa-catarina.html

Polonesês: 139 anos em Santa Catarina. N.Angulski.

POLONESES: 139 ANOS EM SANTA CATARINA

Nazareno D. Angulski – Pesquisador da Imigração Polonesa em S.C.

e.mail:nazada@terra.com.br

Florianópolis – SC – 48-3225-3829

A colonização oficial do Estado de Santa Catarina sob a orientação do Governo Imperial, teve a participação de colonos de várias nacionalidades, destacando-se numericamente os Alemães, Italianos, Portugueses, Poloneses, Austríacos, Ucranianos e Letões, que revelaram concomitantemente maior capacidade de fixação. A esta mistura de povos, devemos acrescentar os Gregos, Japoneses, Árabes, Espanhóis e Africanos.

Os Poloneses começaram a desembarcar em Santa Catarina, a partir do mês de Agosto de 1869. Viajando no vapor “VICTÓRIA” um total de 16 famílias da Aldeia de Siolkowice, Região da Alta Silésia, que na oportunidade se encontrava sob o domínio prussiano, desembarcaram no porto de Itajaí e foram estabelecidas na colônia Príncipe Dom Pedro, atual município de Brusque.

O Estado de Santa Catarina foi o que recebeu o menor contigente de imigrantes poloneses, dentre os estados do Brasil Meridional. As correntes imigratórias polonesas se localizaram em áreas novas ou periféricas das colônias então existentes, seguindo em muitos casos os roteiros das colonizações alemãs e italianas.

Os principais núcleos da colonização polonesa no Estado constituíram-se nas seguintes Regiões e Municipios:

 Vale do Rio Itajaí (Brusque, Guabiruba, Blumenau, Indaial, Rios dos Cedros, Benedito Novo)

 Região Norte (São Bento do Sul, Rio Negrinho, Campo Alegre, Papanduva, Itaiópolis, Mafra, Três Barras, Canoinhas, Major Vieira, Monte Castelo, Bela Vista do Toldo, Rio do Campo e Santa Terezinha).

 Alto Vale do Rio Tijucas ( Nova Trento e Major Gercino)

 Foz do Rio Itapocú (Corupá, Jaraguá do Sul, Massaranduba e Guaramirim)

 Região Sul (Cocal do Sul, Jacinto Machado, Cricíuma, Orleans e Grão Pará)

 Posteriormente, como refluxo das colônias polonesas do Estado do Paraná, dá-se a entrada de descendentes de poloneses no Vale do Rio do Peixe (Porto União, Irineópolis, Rio das Antas, Ipoméia e Caçador) e na cidade de São Lourenço do Oeste.

 Após a primeira Guerra Mundial, tem-se novo ingresso de poloneses na região do Vale do Rio Uruguai (Itá), Alto Vale do Rio Itajaí (Taió, Dona Emma, Rio do Oeste e Presidente Getúlio), Oeste (Fachinal dos Guedes, Chapecó, São João do Oeste e Nova Erechim) e no Extremo Oeste de Santa Catarina (Descanso, Belmonte e São Miguel do Oeste), reimigrantes principalmente das colônias polonesas do vizinho Estado do Rio Grande do Sul.

 Com a segunda Guerra Mundial, tem-se outros movimentos migratórios poloneses detectados no Vale do Rio Uruguai (Mondaí) e no Alto Vale do Itajaí (Pouso Redondo).

A maioria desses núcleos não apresentou exclusividade étnica na sua formação inicial, sendo quase todos mesclados de elementos de outras etnias, com exceção dos atuais municípios de Descanso, Papanduva e Itaiópolis que tiveram suas formações proporcionadas na grande maioria por imigrantes de origem eslava, Poloneses e Ucranianos.

Grande parte desses imigrantes procediam da Alta Silésia, Prussia Ocidental e da Grande Polônia, notamente das regiões de KUJAWY, MAZOWSZE, LÓDZ, KALISZ, POZNAN, MAZÚRIA, SIERADZ, GDANSK, STAROGARD, GALÍCIA, KROSNO, KONIN, OPOLE. Valorizavam sobretudo três coisas: a religião, a pátria e a cultura, e se preocupavam muito em alfabetizar seus filhos.

Cabe ressaltar que algumas cidades catarinenses, embora não constituísse núcleos de colonização, receberam inúmeros descendentes de imigrantes poloneses que ali se estabeleceram colaborando expressivamente, como Joinville, que contou a partir de 1851 com a presença de Jerônimo Durski músico e professor, um dos fundadores da Colônia Dona Francisca, mais tarde intitulado Pai das Escolas Polonesas no Brasil, e o município de Gaspar que recebeu o Padre Antônio Zielinski, Francisco Mocko e Edmundo Wós Saporski, este último responsável pela promoção da colonização polonesa no Brasil Meridional.

Dentro deste contexto, a Região da Grande Florianópolis que não foi foco da imigração polonesa, recebeu no final do século passado e início deste século um grupo de famílias aqui se estabeleceram, vindo inclusive a fundar no dia 16 de julho de 1899 a Sociedade 3 de Maio, cuja sede situava-se na Rua Duarte Schutel nº 55, no centro da Capital. Posteriomente inúmeros descendentes de imigrantes poloneses, que vindos principalmente do interior do Estado e dos vizinhos Estados do Rio Grande do Sul e do Paraná, se estabeleceram na capital catarinense, formando um núcleo bastante numeroso e eclético.

Essa corrente de imigrantes poloneses e seus descendentes marcou também a paisagem das localidades onde se estabeleceram, especialmente no campo agrícola, cultivando espécies de clima frio, como trigo, cevada, centeio, aveia, batata e introduziram um meio de transporte tão comum na Região Norte do Estado, a “Carroça Polaca”.

Além disso, temos a chegada em Brusque de imigrantes poloneses originários em grande parte da região de TOMASZÓW e LÓDZ importantes centros têxteis da Polônia, que se dedicaram a uma atividade pioneira: a indústria têxtil. Com apoio financeiro e orientação de Carlos Renaux, os poloneses conhecendo bem o ofício de transformar fios em tecidos, construiram os primeiros teares de madeira. Os tecelões de LÓDZ lançaram um novo ritmo de trabalho à cidade e foram os operários pioneiros na indústria têxtil de Santa Catarina, a eles não é negado o reconhecimento do povo Brusquense, a cidade ainda hoje rende homenagens de gratidão.

Não podemos esquecer, a epopéia de Maximiliano Gaidzinski, filho de imigrantes poloneses,          quecomeçou a história de uma grande empresa catarinense: a ELIANE, produzindo revestimento cerâmico, pisos e azulejos, revolucionando a produção cerâmica no Brasil. A marca ELIANE é hoje conhecida internacionalmente. A história da ELIANE se confunde com a história dos municípios de Cocal do Sul, Forquilhinha, Morro da Fumaça, Cricíuma e de outras tantas localidades que de alguma maneira mantêm vínculo com o grupo.

Neste contexto, temos que referenciar a visão empreendedora e criativa de inúmeros descendentes que se destacam na Região Norte do Estado, o maior núcleo da etnia polonesa que atuam no ramo industrial, comercial e cultural, principalmente nas cidades de São Bento do Sul, Mafra, Itaiópolis, Papanduva, Canoinhas, Porto União e Rio Negrinho, que dignificam a gente polaca catarinense.

Vale ressaltar que o fato de os poloneses serem um grupo étnico minoritário em Santa Catarina, o mesmo foi pouco pesquisado e destacado pelos historiadores e esquecido muitas vezes pela classe política em geral.

Entretando podemos constatar que foi através do Estado de Santa Catarina que individualmente aportaram inumeros poloneses, que aqui vieram seguindo o caminho dos alemães e italianos e que posteriormente decidiram em solo catarinense um plano para fundar e criar colônias polonesas em nosso Estado e no vizinho Estado do Paraná, além de ser o Estado que recebeu as primeiras famílias de imigrantes poloneses que se estabeleceram no Brasil.

Desta forma, verificamos que nas mais diversas paragens, localidades e cidades, os poloneses e seus descendentes com o esforço e perseverança coletiva da família, se integraram na sociedade catarinense contribuindo decisivamente para o seu desenvolvimento.

Sabedores da contribuição que os poloneses deram ao desenvolvimento sócio-econômico e que ajudaram na formação da paisagem catarinense, com suas coloridas casas com lambrequins nas varandas, suas carroças enfeitadas, sua religiosidade, sua música e seu folclore, mais do que justo estamos comemorando neste mês de agosto de 2008, os 139 anos da imigração polonesa em Santa Catarina.

Este momento que estamos vivenciando, permite que a gente polaca catarinense, aliada à riqueza cultural e à privilegiada paisagem natural que compõe o território estadual, conte a sua história e apresente sua cultura aos demais grupos étnicos formadores da gente catarinense, que unidos acabaram por fazer deste pedaço do Brasil um maravilhoso lugar para se viver.

NAZDROWIE SANTA CATARINA !!!

PREFEITURA MUNICIPAL DE JARAGUÁ DO SUL
Etnia Alemã

Fundação Cultural

Pesquisa de Ignácio Arendt, apoiada na bibliografia:

1 – O primeiro livro do Jaraguá
Autor: Frei Aurélio Stulzer
Ed. Niteroi – 1973

2 – Jaraguá do Sul e Corupá – Emílio da Silva – 1976

3 – A sociedade colonizadora Hanseática de 1847 e a colonização do interior de Joinville e Blumenau.
Autor: Klauss Richter
Editora da FURB, 1992.

4 – O primeiro livro de Jaraguá.
Autor: Frei Aurélio Stulzer
Editora Vozes Ltda – RJ – 1973.

Logo após a Independência do Brasil (1822), os primeiros imigrantes alemães começaram a chegar em solo brasileiro.
Ao longo de mais de 100 anos entraram no Brasil mais de 250 mil imigrantes.

Os alemães foram protagonistas do primeiro fluxo imigratório mais sistemático que se dirigiu para o Brasil após a independência. Entre 1824 (ano da fundação da primeira colônia alemã no Rio Grande do Sul – São Leopoldo) e 1830 (quando essa imigração foi interrompida por causa da revolução Farroupilha) e, depois, entre 1845 e 1938, o Brasil recebeu imigrantes alemães todos os anos. A imigração alemã, porém, não é a mais significativa em termos numéricos, representando aproximadamente 1/6 do total de italianos. Entre 1850 e 1909 entraram mais ou menos quinze mil alemães em cada década; para o período anterior o número é quase insignificante (apenas 6.938 alemães foram assentados nas regiões de São Leopoldo, Rio Grande do Sul (RS); Rio Negro, Paraná (PR) e Mafra e São Pedro de Alcântara, Santa Catarina(SC). O maior fluxo ocorreu no período que se seguiu à primeira guerra mundial: na década de 1920 aqui chegaram cerca de 75.000 alemães, quase 30% do total. Segundo as estatísticas disponíveis, o total de imigrantes não ultrapassou 250.000 pessoas – e destas, ignora-se quantos realmente permaneceram no Brasil (Carneiro 1950; Willems 1946; Diegues Jr 1964). Tomando como base as estatísticas de entrada no país,os alemães ocupam o quinto lugar, atrás dos italianos, portugueses, espanhóis e japoneses.

Apesar dessa realidade estatística, a imigração alemã foi a que mais suscitou discussões no âmbito da política imigratória (Seyferth 1988, 1991) e o ponto crucial da polêmica estava relacionado às dificuldades de assimilação. A notoriedade está menos nas estatísticas e mais na estreita vinculação da imigração alemã com o processo de colonização de terras devolutas, levado a cabo nos três estados do sul, especialmente a partir da promulgação da Lei de Terras de 1850. Houve assentamentos de alemães em outros estados, mas foram efêmeros, especialmente em Minas Gerais e na Bahia. No Espírito Santo, até hoje, os pomerânios são objeto de curiosidade por terem mantido algumas das suas tradições, apesar da imigração alemã para aquele estado ter durado apenas um curto período.

Na década de 1920, muitos imigrantes preferiram ficar em cidades maiores, como São Paulo, Curitiba ou Porto Alegre; mas a maior parte deles se dirigiu para as chamadas “colônias alemãs”, não necessariamente na condição de colonos. Entre os imigrantes havia grande contingente de camponeses e membros das classes trabalhadoras em geral, cuja motivação para emigrar estava relacionada à pobreza; mas também havia artífices especializados, refugiados políticos (não muito bem aceitos pelas autoridades brasileiras), ex-militares, pequenos empresários, intelectuais, etc. Segmentos estes que tiveram papel preponderante na formulação do Deutschtum (germanidade) – a expressão étnica da ideologia nacionalista alemã.

A notoriedade, portanto, deriva da concentração dos alemães em poucas regiões, em alguns casos formando colônias homogêneas que, no âmbito da formulação de um estado nacional brasileiro como projeto geopolítico da República, foram olhadas com suspeita de secessionismo. A crítica republicana à política de colonização do Império se fixava, sobretudo, no que chamaram de enquistamento, isolamento dos colonos alemães e sua concentração maior nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina – região onde ainda existiam problemas de fronteira no início do século XX, além de periódicas manifestações separatistas. Mas tanto o Império como a República privilegiaram a imigração européia e a colonização com imigrantes em detrimento dos chamados “trabalhadores nacionais”, que a elite brasileira julgava inferiores. De qualquer modo, isolamento e enquistamento são termos relativos. As “colônias alemãs”, cedo ou tarde, receberam imigrantes de outras etnias (poloneses, italianos, russos, etc.). Sua situação geográfica também não era tão propícia assim ao isolamento: uma vez abertas as vias de comunicação, este foi praticamente anulado. Algumas colônias, inclusive, estavam bem próximas às capitais provinciais (entre elas as paradigmáticas Blumenau e São Leopoldo) – que também receberam imigrantes desinteressados da condição de colonos. E, finalmente, o próprio grupo alemão tinha suas divisões internas, regionais (em alguns casos) e religiosas (a clivagem entre católicos e evangélico-luteranos foi bastante forte antes da era do ecumenismo).

170 anos da imigração alemã no pr e sc (1829 – 1999)

Em 1828, no dia 30 de junho, saiu do Porto de Bremen o navio veleiro Charlotte Louise, a caminho do Brasil, terra que se mostrava promissora diante de notícias enviadas para a Europa. O Governo da Prússia avisou os interessados na Imigração que seria penoso o ato, eis que era verdadeira aventura ir para um país longínquo. O conselho do Governo não foi ouvido pelos Imigrantes. O navio aportou no Rio de janeiro em 2 de outubro de 1828. Depois dos imigrantes alemães permanecerem no Rio de Janeiro e até mesmo em Santos, vieram para o Sul do Brasil em navio nacional, chegando em Antonina, Paraná, em 15 de janeiro de 1829. A história narra que os imigrantes permaneceram um tempo na localidade denominada Porto de Cima (Paraná) e no dia 6 de fevereiro estavam em Rio Negro, onde ficaram em verdadeiro estado de abandono. Assim, é 6 de fevereiro de 1829 a data da fixação da primeira colônia alemã no Paraná. Foi destinado aos primeiros colonos a região localizada cerca de 36 km da costa da atual capital, o núcleo da Província São Pedro de Alcântara. Pode ser que entre o desembarque em Antonina, Paraná, e a chegada em Rio Negro, Paraná, os colonos tenham permanecido no referido núcleo.
No Brasil, o ano de 1848 foi decisivo para a colonização alemã em Santa Catarina. Ocorria em toda a Europa imigração incessante e intensa das populações alemãs para os países livres da América. A imigração em massa era nada mais nada menos que fruto dos desajustes sociais na Europa durante o Século XIX. Vivia na Prússia, no ano de 1843. o Cônsul geral do Imperial Governo Brasileiro. Seu nome era Johan Jacob Sturz. Este homem voltou para o Brasil depois de exercer as vezes de Cônsul na Prússia e passou a ter grande relacionamento social e político com as Autoridades, Ministros e principalmente com a família Imperial. Este homem foi o precursor do movimento abolicionista no Brasil. Foi um dos mais notáveis abolicionistas da época. Desta forma, o Governo Imperial Brasileiro nomeou Johan Jacob Sturz representante do Brasil no reino da Prússia para levar adiante movimento de substituição das forças braçais negras por brancos livres. Pode-se dizer que a imigração de alemães para o Brasil obteve amparo, também, neste aspecto sociológico.
No ano de 1850 era Presidente da Província Dr. João José Coutinho, o qual aprovou os projetos da Sociedade Colonizadora de Hamburgo. Como se disse, a colonização iniciou-se por São Francisco do Sul. A cidade onde chegaram os colonizadores foi por muitos anos nominada de Colônia D. Francisca (1851), em homenagem a Princesa Brasileira. A maior parte da imigração de alemães para a Colônia ocorreu entre os anos de 1851 até oano de 1856, quando cessou por completo. Posteriormente, a Colônia D. Francisca passou a denominar-se Joinville, ou seja, nome de uma cidade francesa, onde situava-se o Castelo onde nascera François Ferdinand Philippe Louis Marie, o Príncipe de Joinville. Isto ocorreu porque o 3º Relatório da Sociedade Colonizadora, firmado por Benno Frankenberg denominou o lugarejo, ou seja, as terras recebidas pelo Príncipe como dote, definitivamente de Joinville.

Data oficial da imigração alemã para o Brasil, SC e PR

Assente-se que, oficialmente, comemora-se o início da colonização alemã no Sul Brasil com a chegada da primeira remessa de alemães no ano 1829, aos quais foram destinadas terras no primeiro núcleo da Província, São Pedro de Alcântara, há 36 km da costa. Todavia, considerando a dificuldade de adaptação dos imigrantes em relação a adaptação territorial, procuraram estabelecer se nas atuais cidades de Rio Negro (Paraná) e Mafra (Santa Catarina). Estes alemães vieram “Porque o Governo mandou vir os colonos sem ter organizado um plano determinado, sem preparar-lhes de antemão o estabelecimento ou trabalho, sem adotar e por em execução aquelas medidas por efeito das quais ficava garantido o bem estar futuro dos imigrados sem se aparelhar, enfim, para recebê-los, agindo, somente depois que aqui chegavam, impelido pelas circunstâncias”. Foi proibida, assim, a vinda de imigrantes alemães”… que durou duas dezenas de anos…” Assim, considerando a venda das terras dotais pelo Príncipe Francês, tem-se que vieram após o ano de 1848 diversas remessas de colonizadores alemães, eis que o contrato de venda celebrado com o Senador Alemão preceituava acerca da obrigatoriedade de condições para a recepção dos colonos. Foram vários os navios que aportaram no Brasil com imigrantes Alemães. Praticamente no último ano da imigração, precisamente em 1856, no dia 7 de agosto, aportou na Província a barca Machtilda Cornélia, com muitos imigrantes prussianos, entre eles, oito membros da Família Hey.

O uso da língua materna

O uso do idioma alemão no dia a dia, bem como toda a organização comunitária que incluía a escola particular com ensino em alemão (tanto no meio rural como no meio urbano), o complexo econômico e social originado da colonização baseada na pequena propriedade familiar são anteriores à emergência da etnicidade, mas acabaram por se constituir como marcas diferenciadoras do colono alemão, embora outras etnias imigradas compartilhassem desse modelo de sociedade. Na verdade, nessas regiões de colonização européia, formou-se um campesinato específico bem diferente da tradição rural brasileira.

As proibições

Os brasileiros atribuíram sentido diverso a essa categoria, negativamente associada a um sentimento anti-nacional, sob o argumento de que a nação brasileira não comportava as duplas identidades ameaçadoras da sua integridade. Os primeiros protestos de intelectuais e políticos brasileiros contra o uso da língua alemã, por exemplo, datam do início da república, sendo Silvio Romero o mais radical na externalização de um sentimento antigermânico. Estranhamento bem exemplificado encontra-se no livro de Rui Alencar Nogueira (1947), tenente do exército, cearense, que participou da campanha em Blumenau: tudo ali foi por ele considerado antibrasileiro, desde a língua falada em público, passando pela arquitetura das casas e prédios públicos, cemitérios, mulheres bebendo cerveja nos clubes, até as bicicletas nas ruas. Perdia-se, conforme seus termos, a sensação de Brasil. A perplexidade de Nogueira diante da cidade “esquisita”, símbolo da germanidade, só não foi maior que a perplexidade dos descendentes de alemaes diante da repressão, uma vez que se consideravam legítimos cidadãos brasileiros (Seyferth 1982).

As características que definiam os colonizadores e seus descendentes 

De maneira bem objetiva, a comunidade étnica teuto-brasileira foi definida através de critérios de pertencimento bastante inclusivos: o uso da língua alemã (o bilingüismo só seria incentivado na década de 30); a preservação de usos e costumes tradicionais, que diferenciavam dos brasileiros os seus hábitos alimentares, o comportamento religioso, a organização do espaço doméstico (tanto no interior das casas quanto nos terrenos circundantes), as concepções de trabalho e lazer, as formas de sociabilidade, as concepções acerca do universo feminino, além de um ethos camponês próprio dos colonos; a intensidade da vida associativa, através de todo um conjunto de sociedades culturais e recreativas que se encarregavam de difundir valores da cultura alemã vinculados ao teatro, literatura, música (especialmente à forma mais caracteristicamente germânica do Lied), dança, ginástica e esportes (caso das Turnvereine ou sociedades de ginástica e das Schützenvereine ou sociedade de tiro), e que assumiram um forte conteúdo étnico; a escola alemã e a família como baluartes do ensino da língua alemã. Existiam, ainda, os jornais e outras publicações em língua alemã que, ao lado da função informativa e noticiosa, também serviam de veículo aos literatos teuto-brasileiros e aos autores alemães mais tradicionalmente nacionalistas, como nos textos que ressaltavam a identidade étnica. A listagem das diferenças poderia ir bem mais longe se fossem considerados os traçados das cidades nas áreas de colonização, a arquitetura (inclusive religiosa), a organização do espaço rural, etc. E, a par dessas características mais objetivas e visíveis, podem ainda ser ressaltados os elementos subjetivos e simbólicos do discurso étnico, que reportam à origem comum, assumindo, muitas vezes, a forma de preconceito racial, impondo o mais efetivo dos limites grupais – a endogamia – com a condenação explícita dos casamentos interétnicos.

A EXCLUSÃO DO PROCESSO POLÍTICO

Ao final do século XIX, a condição de minoria nacional se tornara incômoda, e as lideranças teuto-brasileiras mais atuantes passaram a cuidar não só dos interesses econômicos, mas também dos interesses políticos das colônias. Ao longo do Império, por diversas razões, imigrantes naturalizados e descendentes nascidos no Brasil ficaram à margem da cidadania, havendo interesse das classes dominantes brasileiras em deixar os colonos fora do processo político. Foram considerados estrangeiros, exatamente porque assumiram uma identidade étnica que acabou por incomodar ainda mais a elite republicana. No início deste século, os teuto-brasileiros resistiam à assimilação, e a continuidade do fluxo imigratório alimentava a ligação cultural com a Alemanha. As instituições comunitárias reforçavam o pertencimento étnico, auxiliadas pelo ideário da germanidade e seu postulado do direito de sangue – o mito do sangue comum acrescentando um componente racial à etnicidade, mas não necessariamente fenotípico. A origem comum é a base da identidade étnica, sem menos prezo pela cidadania/pátria brasileira. Houve uma reapropriação da ideologia nacionalista alemã que antecedeu à unificação da Alemanha (portanto, daquele nacionalismo de Fichte e Arndt, desenvolvido como ideologia no início do século XIX, postulando uma Nação Alemã de natureza cultural), perceptível nas publicações teuto-brasileiras, que ressaltavam o caráter étnico da identidade nacional e sua desvinculação política da Alemanha.

O racismo contra os imigrantes alemães e seus descendentes

O conceito de Deutschbrazilianertum, portanto, continha uma proposta depluralismo étnico-cultural pela qual cada grupo nacional devia ter o direito de perpetuar seus costumes, seus valores morais e sua língua materna. Proposta que entrava em choque com a concepção brasileira de estado nacional, fundamentada no direito de solo e na assimilação. Por outro lado, as expressões de preconceito racial, mais evidentes na argumentação sobre a endogamia, serviram de base para recusar a assimilação e alimentaram bastante as especulações brasileiras sobre o “perigo alemão”. Especulações surgidas não só porque as regiões de colonização alemã se tornaram visíveis para a sociedade mais ampla, como também porque o preconceito racial – e a conseqüente desqualificação de grande parte da população brasileira – foi acirrado com a entrada em cena dos pangermanistas e, mais tarde, dos nazistas. Estes últimos influenciaram parte da imprensa e das Instituições teuto-brasileiras, inclusive a escola alemã. O caráter étnico da organização comunitária teuto-brasileira levou muitos
brasileiros a imaginar a possibilidade de uma secessão no sul, patrocinada pelo imperialismo alemão. O “perigo alemão”, portanto, consistia na ameaça de criação de um estado independente englobando o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, ou na transformação das regiões de colonização alemã em colônias da Alemanha. Além disso, temia-se que o pluralismo proposto pelos teuto-brasileiros fosse também reivindicado pelas demais etnias imigradas. Diversos incidentes, explorados na imprensa nacional e internacional, pareciam dar razão aos que denunciavam o perigo secessionista. Os conflitos iriam repetir-se durante a primeira guerra mundial, sobretudo após o posicionamento formal do Brasil em favor dos aliados em 1917. Por outro lado, desde o século XIX, houve empenho de algumas lideranças teuto-brasileiras – como Karl von Koseritz – em criar condições de aumento do fluxo imigratório alemão para o Brasil. O posicionamento dos jornais teuto-brasileiros em favor da Alemanha até 1916 também repercutiu mal no resto do país. A imprensa foi então censurada, os jornais saíram de circulação entre 1917 e 1919, e todas as manifestações de natureza étnica foram proibidas. No entanto, apesar da intensidade da propaganda pangermanista até 1914 e dos conflitos mencionados, a identidade de Auslanddeutsch foi recusada, preservando-se uma concepção teuto-brasileira de grupo étnico.

O processo de aculturação já era irreversível (Willems 1946 quando os nazistas iniciaram sua propaganda). Antes da nacionalização do ensino, em 1937, as escolas alemãs já haviam introduzido a língua portuguesa nos seus currículos. Resta dizer que, mais uma vez, prevaleceria no âmbito das “colônias alemãs” o dualismo implícito na categoria teuto-brasileira – uma conciliação entre a origem alemã e a cidadania brasileira que nem pangermanistas, nem nazistas, conseguiram anular.

Os alemães trouxeram consigo canções que se perpetuam de geração em geração. Vamos escrever algumas delas.

1. Lusting ist das Zigeunerleben – Valtz

1- Lusting ist das Zigeunerleben, faria, faria, oh.
Brauchen dem Kaiser Kein Zins zu geben, faria, faria, oh.
// Lusting ist`s im grünen Wald wo des Zigeuners Aufenthalt
Faria, faria, faria, faria, faria, oh… 2X

2- Sollt uns einmal der Hunger plagen faria, faria, oh
Tun wir uns ein Hirschlein jagen faria, faria, oh
// Hirschlein nim dich wohl in acht wenn das Zigeuners Büchse kracht
Faria, faria, faria, faria oh. 2X

3- Sollt uns ainmal der Durst sehr qüalen, faria, faria, oh
Gehn wir hin zu Wasserquellen, faria, faria, oh.
// Trinken das Wasser wie kühlen wein, meinen es müste champagner sein
Faria, faria, faria, faria, faria, oh… 2X

2. Oh Isabella – Valtz

1- Sie last mich nicht, sie last mich nicht, sie last mir keine ruth.
Und venn sie Abens schlafen geht macht sie die ture zu – 2X

Estr. Oh Isabella oh wie schon bist du – 2X

2- Ein Heisser Kuss ein susser Kuss das ware gar nicht schlecht
Doch wenn ich ihr drumm bitten du dann ist es ihr nicht recht – 2x

3. Horch, was kommt von draussen rein? March

1- Horch, was kommt von draussen rein, hollahi, hollaho.
Wird wohl mein Feinsliebchensein, hollahiaho?
Geht vorbei und schaut nicht rin, hollahi hollaho.
Wird’s wohl nicht gewesen sein, hollahi aho!

2- Leute haben’s oft gesagt, hollahi, hollaho.
Dass ich ein Feinsliebchens hab, hollaiaho
Lass sie reden, schweig fein still, hollahi, hollaho
Kann já lieben, wen ich will, hollahiaho

3- Wen mein Liebchein Hochzeit hat, hollahi, hollaho
ist für mich ein Trauertag, hollaiaho.
Geh ich in mein Kämmerlein, hollahi, hollaho.
Trage meinen Schmertz allein, hollahiaho

4- Wenn ich dann gestober bin, hollahi, hollaho,
trägt man mich zum Grabe hin, hollahiaho.
Setz mir keinen Leichestein, hollahi,hollaho
Pflanzt mir drauf Vergissnichtmein, hollahiaho.

Pesquisa de Ignácio Arendt, apoiada na bibliografia:

1 – Nos rastros dos imigrantes poloneses
Pedro Martim Kokuszka
Ed. Gráfica Arins – 2001 2ª Edição

2 – Emigracja Polska w Brazylii – Vários autores.
Editora gráfica TAMKA – Warszawa – Polônia – 1971

3 – Colônia Lucena – Itaiópolis. Crônica dos imigrantes poloneses
Wilson Carlos Rodycz
Edição Brascol – Florianópolis – 2002

4 – O colar de âmbar amarelo
Monika Grycynska
Gráfica Vicentina editora – 2001

ETNIA POLONESA

Os poloneses vieram ao Brasil em busca de trabalho, a convite do Governo Brasileiro que necessitava de mão obra bem como tinha por objetivo colonizar as terras deste país. Quanto a Jaraguá do Sul, temos registros nos livros eclesiásticos de que em 1912 dos aproximadamente 8 mil habitantes 500 eram polacos, portanto em torno de 6% da população daquela época. Consta no relatório dos padres desta época de que se rezava em polaco nas comunidades de Ribeirão do Cavalo e Poço D’antas. Porém estes dados são poucos consistentes para que se possa alicerçar a continuidade dos descendentes até nossos dias.
Hoje este percentual continua em torno de 6% de acordo com pesquisa de novembro de 2001, se bem que constituído de famílias bem diferentes daquelas de 1912, pois muitos imigraram de diversas cidades em busca de trabalho nas fábricas de nossa cidade, como poderemos notar pelos sobrenomes abaixo relacionados.
Quanto aos costumes, muitos deles são mantidos por tradição e outros por imitação.
“Na nossa família da qual sou descendente, ainda se fala o Polonês (mesmo que aportuguesado em certas palavras) bem como nas famílias dos meus tios e primos que são todos de descendência polonesa”.
Isto ocorre também com muitos outros descendentes de poloneses das familias como: Michalak, Kosloski, Langa, Rosniak, Urbanski, Strychalski, Blasczak, Bubniak, Ceply, Wodzinsky, Witkoski, Zaleski, Stuyj e outras mais estabelecidas em Jaraguá do Sul.
Ainda se cantam músicas polonesas da época da imigração mantidas e ensinadas de pai para filho. São músicas que demonstram a nostalgia da distante Polônia, bem como músicas românticas, mas o estilo mais saliente é o da alegria contagiante dos festejos natalinos , de páscoa e casamentos ainda celebrados tradicionalmente em algumas colôniasdeste imenso Brasil. Assim como: Itaiópolis, Papanduva..(.SC) Curitiba, Araucária, Campo Largo, Contenda…(PR) Guarani das Missões, Santo Antonio do Palma, Alpestre, Dom Feliciano … (RS) e muitas outras que abrigam neste país mais de um milhão e quatrocentos e cinqüenta mil descendentes de poloneses conforme poderemos conferir nos dados adiante especificados.

Entre as músicas mais apreciadas citamos a polka, mazurka, oberek, valsa, kozak, sokol, krakowiak, polonez, góral, etc. Mais adiante passaremos algumas letras de músicas para melhor ilustração.

O RESPEITO QUANTO AO CASAMENTO

“Tia Helena contou que ele saiu à cavalo indo na casa de todos os filhos adotivos, filhos de Estanislawa e seu marido anterior José Benka, para pedir autorização e concordância com seu casamento. ( Nos rastros dos imigrantes.” Pedro Martim Kokuszka p. 282.)

Tradicionalmente um polonês deveria casar com uma polonesa porém hoje isto não é levado tão ao pé da letra. Há mais de 50 anos atrás os polacos fugiam com as moças caboclas para se casar já que era impensável fazê-lo pelas vias normais pois os pais jamais dariam seu consentimento.

A culinária é muito rica e nos eventos poloneses sempre se aprecia: o Pierogi (pastel cozido), Kapusniak ( sopa de repolho azedo), Bigos (cozido de repolho com defumados), Barszcz ( sopa de beterraba),Galaretka (geléia de mocotó), Aluszki ( Arroz com miúdos enrolado em folha de repolho). Os poloneses apreciam tomar o “rosól” (sopa ) nas noites mais frias para se aquecerem.
Nas festas típicas polonesas, sempre se recebe os convidados com broa e sal ( Chleb y sól), como forma de desejar saúde e prosperidade. Os bolos (ciasto) e bolachas (piernik) sempre estão presentes como guloseimas bem apreciadas.
Os poloneses apreciam as bebidas como a wódka (vodka), Pivo (cerveja), vino (vinho)… Mais adiante daremos algumas receitas de pratos típicos.
Muitos desses traços estão presentes entre os descendentes de poloneses que moram em Jaraguá do Sul.

Primeira fase da imigração polonesa no brasil (1869-1871)

Em 1869, mês de agosto, no navio Victoria, vieram os primeiros imigrantes ao porto de Itajaí provindos da região do Slansk (Silésia). Vieram encaminhados por Edmund Saporski, chamado de “pai da imigração polonesa”. (Este título justifica-se pelos inúmeros serviços prestados aos imigrantes poloneses, seus compatriotas, tanto nos assentamentos nas novas terras brasileiras como na defesa em situações difíceis pelas quais passavam os colonizadores).
Os primeiros imigrantes eram num total de 64 pessoas das seguintes famílias: Franciszek Polak, Mikolaj Wos, Bonaventura Polak, Tomasz Szymansky, Szymon Purkot, Filip Kokot, Michal Prudlo, Szymon Otto, Dominik Stempska, Kacper Gbur, Balcer Gbur, Walenty Weber, Antoni Kania, Franciszek Kania, Andrzei Pampuch i Stefan Kachel. Estas foram as primeiras 16 famílias. Seu destino era Brusque.
As outras 16 famílias vieram para Brusque em 1870 . Os nomes conhecidos são: Balthazar Gebzy, Andrzej Kawicki, Gregorz Haly, Blazej Macioszki, Tomosz Szajnowski, Fabian Boraka, August Waldery, Marcin Prudlik, Marcin Kempy, Pawel Polak, Walenty Otto, Leopold Jelenia, Józef Purkot i Wincenty Pampuch.
Desde o início estes imigrantes não se sentiram bem pelas adversidades da região e até porque a colônia na sua maioria era de alemães. Então novamente por intermédio de Edmund Saporski, em julho de 1871 foram transferidos para Curitiba estabelecendo-se no bairro Pilarzinho. Eram 32 famílias num total de 164 pessoas.

* Conforme relato dos escritor Kazimierz Kaminski um grupo de poloneses estabeleceu-se na Colônia de Sandweg (Indaial – SC), onde vieram por volta de 1872 aproximadamente 100 famílias polonesas. Este é o único escrito que se tem sobre os primeiros imigrantes de Santa Catarina, aqui estabelecidos, desta primeira fase.

Segunda fase da imigração – 1873 – 1891

Em 1873 nos navios Terpsychore e Guttemberg através da companhia colonizadora de Hamburgo vieram ao Porto de São Francisco mais 64 famílias polonesas num total de 258 pessoas. Seu destino era a Colônia Dona Francisca. Informados pelo Pe. Boergenhausen de Joinville de que em Curitiba já tinham se estabelecido muitos conterrâneos seus e outra vez ajudados por Edmund Saporski, conseguiram autorização do então presidente do Paraná Dr Frederico Abranches para se estabelecerem a 6km de Curitiba, hoje bairro Abranches. Até 1876 já tinham se estabelecido nas várias colônias polonesas dos arredores de Curitiba em torno de 3850 pessoas.

* Santa Catarina recebeu seus primeiros imigrantes desta segunda fase num total de 84 pessoas as quais se estabeleceram na colônia de Moema próximo a Itaiópolis.

Conforme escritos de Kazimierz Kaminski, de São Bento do Sul, que relata a chegada dos já citados poloneses em São Francisco e os de Brusque, transferidos para Curitiba, não se tem muitos detalhes sobre a situação desses primeiros colonizadores.

* Porém o mesmo autor em outro momento fala dos primórdios da colonização da colônia de Rio Vermelho (São Bento do Sul – SC) onde de 1881 até 1890 vieram poloneses da Prússia e Gdansk num total aproximado de 800 pessoas.

ENTRE 1890 – 1895

Em 1890 foram estabelecidas duas comissões colonizadoras polonesas:
Uma no vale do Iguaçu, próximo a Palmeira – PR onde desenvolveram-se as colônias polonesas de Santa Bárbara, Canta Galo, Rio dos Patos, São Mateus, Água Branca, Eufrosina e Rio Claro num total de 8200 pessoas.
A outra comissão de Rio Negro – PR, foi responsável pela formação das colônias polonesas de: Lucena e Itaiópolis num total de 1488 pessoas e a colônia de Augusta Vitória com 120 pessoas.

* Itaiópolis é o maior centro representativo de poloneses de Santa Catarina.
* Massaranduba – SC Em 1891 estabeleceram-se ali, em torno de 1000 pessoas.

Nessa mesma época mais ao sul de SC formaram-se as colônias de Grão-Pará (próxima a Orleans) e a colônia de Cocal (próxima a Laguna e Tubarão) com aproximadamente 200 famílias.

T
erceira fase da imigração polonesa – 1895 – 1908

A terceira fase é marcada pela imigração de poloneses da região da Galícia e da região dominada pelos russos.
Em 1895 vieram 350 pessoas para a colônia Alberto de Abreu (próxima a Porto União)

No ano seguinte, em 1896 o governo paranaense assentou 2500 pessoas na colônia de Água Amarela (hoje Antônio Olinto – PR), destas, 60% eram de procedência russa e os outros da região da Galícia.
Também nessa época estabeleceram-se em torno de 1000 famílias nas colônias de Rio Claro, Malet e Dorizon (PR). Destas 70% eram da região de domínio russo.
Em 1896 foi feito o assentamento da maior colônia polonesa do Paraná: Prudentópolis com aproximadamente 10.000 pessoas. Destes também 70% eram provenientes da região de domínio russo.

Q
uarta fase – 1908 – 1912

Nesta fase o maior contingente de imigrantes foi para o Paraná, engrossando o número de pessoas das colônias já existentes e abrindo novas em vários locais do estado, num total de 23 406 pessoas. Santa Catarina teve um pequeno número de imigrantes, num total aproximado de 1000 pessoas. Enquanto que no Rio Grande do Sul estabeleceram-se aproximadamente 7 000 imigrantes poloneses. 

Dados mais específicos de Santa Catarina

Este Estado recebeu muitos agrupamentos de imigrantes polacos. Estes foram assentados em diversas regiões do Estado, bastante isolados uns dos outros, ficando praticamente incomunicáveis por décadas. É preciso ressaltar que os polacos quando vinham para o atual Estado de Santa Catarina, na verdade estavam vindo para o Paraná, já que até 1917 (após a Guerra do Contestado) a divisa do Paraná era com o Rio Grande do Sul, no rio Uruguai. Santa Catarina era só a região baixa até a Serra que divide o segundo planalto. O primeiro agrupamento chegou em 1869 na região de Brusque conforme descrito acima e transferidos para Curitiba.

Os assentamentos dos imigrantes poloneses aconteceram conforme segue:

– Vale do Itajaí-Mirim – Brusque (1869), Guabiruba(1875, 1890, 1896), Blumenau, Indaial, Rio dos Cedros, Benedito Novo (1877, 1890 e 1900).

– Região Norte – São Bento do Sul, Rio Negrinho, Campo Alegre (1881 à 1890), Papanduva (1890 à 1895), Itaiópolis (1889), Mafra, Três Canoínhas, Major Vieira, Monte Castelo (1891).

– Alto do Rio Tijucas – Nova Trento, Major Gercino (1891).

– Foz do Rio Itapocu – Corupá, Massaranduba, Guaramirim (1891).

– Região Sul – Cocal do Sul, Jacinto Machado, Criciúma, Órleãns, Grã-Pará (1891 à 1895).

– Vale do Rio do Peixe – Porto União, Irineópolis, Rio das Antas, Ipoméia, Caçador (1911,1926).

– Vale do Rio Uruguai – Itá (1929).

– Alto do Vale do Rio Itajaí – Rio do Oeste (1937), Presidente Getúlio (1939).

– Meio Oeste – Faxinal dos Guedes, Nova Erechim (1938).

– Extremo Oeste Catarinense – Descanso (1934).

– Vale do Rio Uruguai – Mondaí (1940).

– Vale do Rio Itajaí – Pouso Redondo (1948).
A maioria destes polacos eram da Alta Silésia, Pomerânia, Galícia, Grande Polônia, Gdansk, Starograd, Opole, Konin, Krosno, Kalisz, Poznan, Mazóvia, Sieradz e Kujawy. A vida dos imigrantes, ao contrário do que eles próprios esperavam sempre foi bastante difícil. Mas nada se compara ao ocorrido na região do Contestado. Armados apenas com uma pistola de dois canos e duas balas, os polacos de Lucena (então pertencente ao Paraná e atualmente a Itaiópolis – SC) se enfrentaram com os ferozes índios botocudos que habitavam a região.

Em 17 anos, aconteceram 61 enfrentamentos com 40 mortes de imigrantes. O governo pouco, ou nada fez para orientar. Os índios, nada sabiam de colonização e de que aquele sofrido povo loiro estava ali porque tinha sido convidado.

Painel geral da imigração Polonesa de 1869 a 1912

De acordo com as anotações de Edmund Saporski vieram para o Brasil até essa data 115.986 pessoas, distribuídas pelos seguintes estados:
Paraná: 50 722
Santa Catarina: 6 950
Rio Grande do Sul: 32 600
São Paulo: 13 500
Outros estados: 12 214 (Estes números incluem os imigrantes poloneses de outros estados brasileiros principalmente de São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo).

Crescimento populacional dos Poloneses no Brasil até 1970

De acordo com o IBGE (InstitutoBrasileiro de Geografia e Estatística), o crescimento demográfico da população brasileira se mantém numa média de 2,5% ao ano. Desde o início da imigração polonesa a taxa de crescimento entre eles estava acima deste índice de acordo com pesquisa de Michal Sekula, pois ele diz que o crescimento da população polonesa e seus descendentes estava acima dos 25% para cada 10 anos.
Para efeitos dos números a seguir manteremos a taxa em 2,5%apresentando o crescimento populacional dos descendentes poloneses, por estado, até o ano de 1970.

Santa Catarina (De acordo com escritos de Ruy Wachowicz):

Em 1934 havia 31 000 pessoas
Poloneses espalhados pelo estado = 3.000 pessoas
Crescimento natural entre 1934 a 1950 = 14 875 pessoas
Crescimento natural entre 1950 a 1970 = 24 490 pessoas
Vieram entre 1934 e 1970 = 12.635 pessoas
Total geral em Santa Catarina até 1970 = 89.000 pessoas

Se somarmos todos os imigrantes poloneses e seus descendentes até o ano de 1970, tínhamos um total aproximado de 842.890 pessoas.
Considerando que a taxa de crescimento populacional teve um pequeno decréscimo nos últimos 30 anos e tomando por base a taxa de 20% para cada dez anos chegamos no ano 2000 com um total de 1.456.513 descendentes de poloneses espalhados pelo Brasil.

Escolas polonesas e a educação de seus filhos e descendentes
(De acordo com dados de : Kazimierz Gluchowki, op. cit s. 162.)

Havia uma grande preocupação com a educação dos filhos dos imigrantes poloneses. Cada comunidade na maioria das vezes, construía sua escola em mutirão e os próprios pais se comprometiam com o pagamento do professor ou professora. Poucas escolas polonesas eram subvencionadas pelo governo.
A seguir daremos alguns dados estatísticos referentes ao número de escolas polonesas pelos quatro estados do Sul do Brasil.

EM 1914 HAVIAM:

No Paraná: 46 escolas com 1860 alunos
No Rio Grande do Sul: 17 escolas com 425 alunos
Em Santa Catarina: 09 escolas (07 em Massaranduba e 02 em Rio Vermelho) com 180 alunos
Em São Paulo: 01 escola na capital… ?
Total: 73 escolas com 2.465 alunos (Não estão incluídos os alunos da escola de São Paulo)
Em 1937 o número de escolas polonesas aumentou consideravelmente, a saber:
No Paraná: 167 escolas
No Rio Grande do Sul: 128 escolas
Em Santa Catarina: 51 escolas
É importante ressaltar que das 167 escolas do Paraná, em 1937, 128 estavam funcionando e 31 estavam fechadas por falta de professores.
Outro dado importante é que dessas 167 escolas, em 10 delas se lecionava somente em polonês, em 14 somente em português e em 143 em português e polonês.
Obs. Quanto a esse último item nos estados do Rio de Grande do Sul e Santa Catarina, a situação era semelhante.

A estrutura dos nomes Poloneses

Tradução e significado de nomes e sobrenomes
O nome da Polônia é originário do nome da tribo dos polanos, isto é, pessoas que cultivam a terra. Essa tribo habitava a bacia do rio Warta, região posteriormente denominada Grande Polônia.

Exemplos de sobrenomes:

IAROCHINSKI do polonês JAROSINSKI

Segundo o Centro de Pesquisas Históricas de Londres, instituição inglesa dedicada à pesquisa e estudo da história dos sobrenomes europeus, o nome de família Jarosinski éclassificado como sendo de origem habitacional. Nomes habitacionais são aqueles nomes de família derivados de uma localidade ou lugar de residência e berço da família, ou ainda, originário do nome de uma cidade ou vila onde nasceu o primeiro elemento familiar. Algumas vezes, os nomes habitacionais referem-se às casas, que são distinguidas por um sinal, ou placa gravada e que é colocada sobre a porta de entrada da residência. No caso de Jarosinski, este nome, do antigo idioma polaco é derivado de Jaroslaw – Jaro: jovem, robusto / slaw: glória. Acrescido do sufixo nski, que por sua vez se refere a uma daquelas casas que estavam localizadas próximas do castelo de Jaroslaw. Ou seja, Jarosinski pode ser também traduzido como “aquele que mora perto do Jovem robusto cheio de glória”. Variantes deste sobrenome incluem Jaroszewski, Jarasezsky, Jaroszynski, Jarosz entre um grande número de outros.
Uma das primeiras referências deste nome, ou de uma de suas variantes documentadas, fala de Marcin Jaroszkowski, que esteve envolvido na eleição da Jan III, contudo, pesquisas em curso, indicam que este nome pode ter sido documentado bem antes. Outras referências, incluem Fedor Jaroszynski, em 1773 e o sobrenome Jaurski foi proprietário de terras em Minsk, durante o século dezoito.

De acordo com o sistema de clãs polaco, famílias nobres recentes recebiam brasões antigos não mais usados, neste caso os Jarosinski receberam os brasões do clã Janina, bem como uma centena de outras famílias polacas, que acabaram por constituir um pequeno nome dentro de um grupo maior no contexto do sistema. A grande imigração européia dos séculos XVII, XVIII, XIX e XX introduziu muitos nomes da Europa Oriental nas Américas. Pesquisas indicam que talvez a primeira variação deste nome tenha chegado aos Estados Unidos, em 1872. Franz e JosephJaräzeski chegaram neste ano a Baltimore. Mas é claro que este nome pode ter chegado às Américas bem antes disso.
Muitos dos sobrenomes de descendentes polacos grafados em português com a terminação CHINSKI são grafadas em polaco como SINSKI. Na verdade chinski é a pronúncia em polaco de sinski. Exemplo: Lechinski, Copruchinski e etc.

Raízes históricas quanto aos sobrenomes Polacos

Ainda, segundo o professor L.Celiñski, do Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense, os sobrenomes polacos têm muita história. Os sobrenomes em “SKI”, “CKI”, “IC” e “ICZ” não existiam antes do século XV (anos 1400). O que leva a supor que os demais são mais antigos que aqueles. Mas permite também concluir que estudos genealógicos de linhagens familiares ainda existentes podem chegar a retroceder cinco séculos.
Naqueles primórdios, apenas o filho primogênito herdava o sobrenome paterno (bem como o brasão original). Os demais, deveriam constituir novas linhagens de famílias (e brasões). O mesmo acontecia com o título aristocrático; se era do tipo “palotinus”, os filhos tinham direito de herdá-lo, o qual extinguia-se com a morte paterna. Por outro lado, os filhos ilegítimos, em alguns casos recebiam o sobrenome paterno integral (Brasão idem), ou incompleto (brasão parcial). Por exemplo, se o sobrenome do pai natural era, digamos “Zwolinski”, o filho extra conjugal recebia o sobrenome “Wolinski”, ou de “Dobinski” para “Binski”. Uma terceira possibilidade era criar um sobrenome a partir de um fato geográfico. Se o local se chamasse “Jawor”, poderia dar origem ao sobrenome “Jaworski”; mas esse costume não era exclusivo desses procedimentos extralegais.
Durante a idade média, portanto antes dos anos 1400, as pessoas possuíam apelidos, alguns depreciativos, alguns pornográficos até, outros, nomes próprios de origem eslava ou bíblica. Antes da adoção do uso dos sobrenomes, como hoje os conhecemos, aqueles apelidos e nomes eram acompanhados da denominação da propriedade rural. Se o indivíduo João morasse em “zawada”, então era reconhecido como João de Zawada; um outro José, domiciliado em “Nowa”, era José de Nowa. Tempos depois. Seus descendentes, poderiam passar a usar o sobrenome de Zawadzki e Nowacki, respectivamente. Algo semelhante ocorria com a formação dos sobrenomes terminados em “IC” e “CZ”. Estes provinham dos burgos ou povoações de origem e não de propriedades rurais familiares como o casoacima descrito. As terminações em “CKI” e “SKI”, também se formaram a partir dos nomes das propriedades rurais possuídas, mas a diferença é de caráter gramatical e não necessariamente, na natureza da origem regional.

Durante séculos, os contatos diplomáticos, comerciais, militares com países próximos ou afastados, exerceram significativa influência também sobre a onomástica polonesa. Até os dias de hoje são encontrados sobrenomes de origem alemã, armênia, grega, húngara, italiana, lituana, persa, romena, russa. Alguns desses sobrenomes estrangeiros eram polonizados, outros vertidos polonês, outros mantinham-se originais. Um curioso exemplo da polonização é o sobrenome Kossubudzki. Em 1324, um fidalgo alemão, Nicolas Von Kossabude, instalou-se na Polônia e seus descendentes poloneses passaram a ser conhecidos como os Kossubudzki. A tradução dos sobrenomes italianos para o polaco, geralmente eram literais. Por exemplo, o Montelupi passou a ser o sobrenome polonês Wilczogórski (Montanha-de-lobos). Exemplos de sobrenomes mantidos nafonética ou grafia original: Adank (do alemão, Habdak), Baubonanbek (persa), Korniakt (grego), Korybutt (lituano), Kardosz (húngaro), Imbram (turco), Orman (armênio), etc.
Um caso à parte são os sobrenomes judaicos . Chegados ao país ainda na Idade Média, passaram a formar um muito importante enclave étnico. Antes da Segunda Guerra Mundial, compunham cerca de 10% da população. Contribuíram de forma relevante no comércio, cultura e ciências polonesas. Quem não se lembra de L. Zamenhof, o criador do Esperanto?
Quando eventualmente convertidos ao catolicismo, podiam ter novo sobrenome constituído a partir da localidade onde moravam; tê-lo emprestado da família fidalga polonesa que os patrocinou ou formado raiz do nome do mês em que foram batizados, ou mesmo, decorrente das graças do ato do batismo, algo com Boa Ventura, Boa Fé, etc. Mas muitos se conservaram no original, com grafia polonesa ou não.
Quem de nós pode afirmar com segurança as suas verdadeiras origens étnicas? Mesmo que tenha um sobrenome genuinamente polonês. Este mistério pode ser revelado através da investigação genealógica, desvendando muitos dos nossos antecessores familiares. (Artigo escrito pelo Professor L. Celiñski).

Tradição e costumes poloneses

Os poloneses vindos para os diversos estados do sul do Brasil, trouxeram consigo o carinho, as lembranças e costumes de sua patrióticas. Para isso formavam instituições e organizações sociais polonesas bem como construíam escolas e igrejas onde se ensinava em polonês nas escolas e se rezava e cantava na língua polonesa nas igrejas.

“A tradição de erigir oratórios nas encruzilhadas ou caminhos, tem raízes culturais, religiosa ou de graças alcançadas. Na região serrana do Rio Grande do Sul, predominantemente de cultura italiana, a adoção de oratórios é significativa”. (Nos rastos dos imigrantes. Pedro Martim Kokuszka, p.177.)

“Há comunidade que rapidamente perdem seus valores culturais da imigração, ao afirmarem categoricamente: aqui é Brasil, para que me serve entender em polaco…!

O poder da igreja era muito grande e impunha suas idéias e formas de vida. O vigário, enquanto possuía fieis iletrados, improvisava seus sermões e alienava mais facilmente os camponeses a se manterem na sua vida pacata sem perspectiva de progresso. Se aparecesse algum leigo com visões de sociedade mais ampla e dissesse que era necessário mandar os filhos para a escola, e que se podia melhorar de vida… então o vigário chamava sua atenção do púlpito e aconselhava-o a retirar-se da paróquia. Quando o transgressor não atendia, o pastor ficava à teste do rebanho, e munido de vara-paus e pedras destruía a resistência do socialista. Se o condenado era um comerciante, padecia o boicote, e ser era professor, retiravam-lhe as crianças (…) a juventude era mantida em severa vigilância e não permitiam que (as moças) se aproximassem do altar decotadas, com cabelos curtos e até por andar em Ford bigode. (Wachowicz Romão – O camponês polonês no Brasil – p.35)

“Meu avô e meu pai tiveram poucas ligações a padres ou igrejas. Eram a favor de boas escolas. As vezes reclamavam, falavam nessas ocasiões ao padre Inseminou por o mesmo ter levado o último porquinho de uma família pobre.” (Nos rastros dos imigrantes. Pedro Martim Kokuszka, p.299.)

As festas eram sempre acompanhadas de bebidas e comidas típicas muita música e dança, conforme descrevemos acima.
Todos colocavam suas roupas as mais bonitas cheias de cor e enfeites sobretudo os vestidos e lenços das mulheres.

A importância da língua e dos jornais na vida dos imigrantes

Do livro “Nos rastros dos imigrantes de Pedro Martim Kokuszka).

“Thomaz Kokuszka e outros imigrantes poloneses mantinham contato com suas raízes através da leitura de livros, revistas e jornais. Comprovantes de assinaturas de jornais “Gazera Polska w Brazylii” editora em Curitiba e “Odrodzenie” de Porto Alegre”. Op Cit p. 310

“Na década de 30 os imigrantes poloneses assinavam revistas e jornais “Nasza Ojczysna”, “Siewcza”, “Odrozenie”, “Kultura”, “Lud”, “Gazeta Polska w Brazylii” e outros.” Op Cit p. 310

“Até pode parecer nostálgico ou pitoresco para os mais jovens, mas para os mais antigos (…) de qualquer região de descendentes dos imigrantes poloneses (…) a carroça fez parte de todos os momentos mais importantes da vida desses polacos. A carroça da época significava muito mais que hoje o automóvel ou o caminhão (…) e os mais jovens ficam sem acreditar que a carroça tinha sua placa como os automóveis tem hoje. As cores variavam de ano para ano. Tinha as verdes, vermelhas, as amarelas, pretas e azuis. E pagavam-se pelo emplacamentoou como se dizia: “o imposto da carroça”. Op Cit p. 318

Em 1937 temos um exemplo onde foi pago: 14$000 réis pela licença da carroça e 2$000 réis pela chapa de n° 336. (Áurea – RS)

“A língua pátria era muito utilizada pelos imigrantes poloneses até o segundo conflito mundial quando na “era Getúlio Vargas” algumas sanções dificultaram o ensino dos idiomas estrangeiros e os poloneses bem como seus descendentes diante das restrições, aos poucos foram perdendo o vínculo, a liberdade e a motivação de falarem e escreverem em polonês. Tal lamento poderia hoje ser menor se as circunstâncias da época fossem diferentes.

Se hoje é importante nas escolas o ensino do inglês e espanhol, dá para avaliar-se o quanto se perdeu naquelas restrições para os idiomas dos italianos, alemães, poloneses e outros”. Op Cit p. 330

“Infelizmente, após vinte anos de imigração polonesa no Brasil, o velho imigrante e seus descendentes, num Brasil colorido, continuaram procurando a liberdade, a terra e o pão! Pois que sendo lhes reservados apenas os altos morros e os grandes valos, impede-se lhes a participação nos lucros do progresso (…) além do mais no período pós-guerra – 1930, foi-lhes impunha uma língua nacional e uma nação que não era sua.” Op Cit p. 330, 331

“Falávamos com a bapcia (avó), apenas em polonês. Não trocamos nenhum palavra em português. Foi melhor assim. Mais autêntico. Ela estava preocupada que sua neta trouxesse as bolachas. É a característica dos imigrantes e seus descendentes de bem recepcionar e agradar as visitas”. Op Cit p. 376

Alguns costumes atuais

Oplatek – Realização de encontros de confraternização no Natal, onde todos os membros da família repartem entre si o pão desejando um Feliz Natal e um próspero Ano Novo;
Swieconka – Na Páscoa com a bênção dos alimentos, simbolizava a fartura e vida nova para a família. Eram promovidas festas comunitárias incentivando sempre o resgate das tradições herdadas;
Recepções – as delegações e autoridades polonesas em visita ao nosso país;
O jornal Kurier- (O Mensageiro) – editado em língua portuguesa, e às vezes alguma página em polonês;

Promoção e incentivo à cultura através de:

Aulas de Língua Polonesa, em convênio com Prefeituras Municipais de algumas cidades com grande índice de descendentes poloneses;

Pisanki – Curso de pinturas em ovos;

Wycinanki – Curso de recorte de papéis coloridos formando figuras;

Curso de culinária típica;

Formação e manutenção de Grupos Folclóricos de danças polonesas;

Seminários e palestras de caráter histórico-culturais e de atualização;
Promoção e incentivo à formação religiosa através de:

Celebração de terços e missas em Língua Polonesa;

Koledy – Comemorações natalinas com canções que evocam a tradição católica da Polônia.

Um exemplo de casa tradicional da colônia

O povo polaco denomina sua residência com diversos nomes: Chalupa, Chycza, Strzecha, Buda, Budynek e Dom.
O Dom antigo (Casa), de acordo com suas divisões e subdivisões são agrupadas em dois tipos:
a) O mais freqüente, de duas izba (quarto), dispostas simetricamente, separadas pelo sien (vestíbulo);
b) o menos freqüente, de uma só izba. No primeiro, a izba do ladodireito é também denominada izba biala (quarto branco) e a do lado esquerdo, izba czarna (quarto negro). Posteriormente, o sien separando as duas izbas persistiria.

Abaixo um exemplo de casa feita somente com encaixes sem uso de pregos. Geralmente eram usados troncos de madeira trabalhados.

Variações da amarração do madeirame de uma habitação do meio rural polaco. No Paraná ainda existem estes tipos de casas. Temos exemplos no “Bosque do Papa” situado em Curitiba na lateral da Rua Mateus Leme, próximo ao Centro Cívico.

Crendices

A crendice popular rezava que uma nova residência devia ter sua construção iniciada num sábado, nunca na segunda-feira. Deveriam também derramar um pouco de água e centeio sobre os alicerces. Se ao passar dos dias o cereal se mantivesse inalterado, o local era bom para a construção. Para durabilidade da casa costumava-se enterrar um velho evangelho e plantas bentas no local da edificação. Para confundir os maus espíritos devia-se deixar pelo menos uma parede sem pintar, para dar a impressão de que a casa não estava pronta para ser habitada.
Uma vez concluída a construção, a ocupação deveria se dar num dia de lua cheia, ou dia feliz e seguir as recomendações de: antes que qualquer humano entrasse, devia-se deixar um animal de estimação entrar primeiro, depois deveriam se introduzidos a broa, o sal, a vassoura, o livro de cânticos e um crucifixo e finalmente derramar sobre o assoalho diversas variedades de cereais. Só depois disto, a casa estava pronta para receber o mobiliário e seus moradores. Muito freqüente era o costume de colocar a inscrição das letras K,M e B, abreviaturas dos nomes dos reis magos, na porta principal.

São numerosas as canções polacas. A obra de Kolberg apresenta diversos volumes relatando a história da canção polaca. Mas elas podem ser agrupadas em canções familiares e comemorativas. Algumas das antigas canções tinham um tom satírico como a que se refere a Maciek (Mátcheq): “Morreu Maciek, morreu – Está deitado sobre a tábua – se lhe tocassem algo – ainda dançaria.”
O tema é vasto, mas pode se resumir que as canções comemorativas são bastantes antigas, as canções religiosas surgiram na idade média e canções eróticas do século XVIII.
Frederyk Chopim talvez tenha sido o maior representante de uma música que possui características específicas de melodia e ritmo que a distingue das demais européias.

Tal como temperamento eslavo polaco, a música possui acentuados contrastes com tendências para a meditação e a melancolia, mudanças bruscas do estado espiritual para a alegria exuberante e comunicativa. Daí o porquê, após o Dur sobrevem o Moll e vice-versa, após o lacrimoso Andante, o repentino Alegro e até o Presto.
Kolberg em sua obra conclui que “o que se pode tornar a música polonesa para nosso cancioneiro nacional e como ela constitui um fator construtivo e de concepcional valia para a música artística, basta lembrar que Chopin, embora não utilizasse a melodia popular para a composição de seus poemas musicais, nela buscou os impulsos e as criou em consonância com seu espírito.”

A seguir escreveremos algumas letras de músicas folclóricas mais cantadas pelos poloneses até nossos dias:

1. SZIA DZIEWECZKA DO LASECZKA

1 – Szla dzieweczka do laseczka do zielonego, do zielonego, do zielonego,  Napotkala kochaneczka bardzo ladnego, bardzo ladnego, bardzo ladnego.
Estr: Gdzie jest ta ulica, gdzie jest tem dom, gdzie jest ta dziewczyna, co kocham ja?
Znalazlem ulice, znalazlem dom, znalazlem dziewczyna, co kocham ja. – 2X

2 – Ty dzieweczko kochanezko, bradzo cykawa, bardzo cykawa, bardzo cykawa.
Dalabym ci chleba z maslem, alem go zjadla, alem go zjadla, alem go zjadla. Estr.

3 – Jakzes zjadla, tozes zjadla, to mi sie nie chwal, to mi sie nie chwal, to mi sie nie chwal
Bo jakbym cie w lesie spotkal, to bym cie zepral, to bym cie zepral, to bym cie zepral.

2. KAROLINKA

1- Posla Karolinka do Gogolina, posla Karolinka do Gogolina // A Karliczek zaniom, a Karliczek zaniom
z flaszeczkom
vina// 2x

2 – Nie tobie Karliczku czego poviedz chciesz, nie tobie Karliczku czego poviedz chciesz?
// Ja cy powiedziala zebym ciebie chciala bym nie posla precz // 2x

3 – Wróc sie Karolinko bo jadom goscie, wróc sie Karolinko bo jadom goscie.
// Ja sie jusz nie wrócam,  ja sie jusz nie wrócam, bo ja za moszcie //2x

4 – Wróc sie Karolinko czemu idziesz precz, Wróc sie Karolinko czemu idziesz precz
// Nie odpowiem tobie po swojemu zrobiem to jest moja zecz // 2x

3. MARINIU, MARINIU

1 – Mariniu, mariniu, ktosz jedzie, do kogo, do kogo, do ciebie//
Y jaki wigary nie chce go nie chce go bo staty// 2X

2 – Staremu, staremu kuloka, mlodemu, mlodemu bujoka
// Staremu kuloka, mlodemu, mlodemu bujoka//2X

3 – Starego starego pod luszko, mlodego mlodego na luszko
// Starego pod luszko, mlodego, mlodego na luszko // 2X

4 – Starego starego powiesic, z mlodem sie mlodem sie uceszic
// Starego powiesic, z mlodem sie mlodem sie uceszic // 2X

4. NA ZIELONE GAJA

1 – Na zielone gaja liscie opadaja, // jusz mnie rodzice za pierszego daja// 2x
// A tyn pierszy bardzo syrcy nie pójde za niego // 2X

2 – Na zielone gaja liscie opadaja, // jusz mnie rodzice za drugiego daja// 2X
// A tyn drógy ma nos dlugy nie pojde za niego//2X

3 – Na zielone gaja liscie opadaja, //jusz mnie rodzice za trzeciego daja// 2X
// A tyn trzecy bijem dziecy nie pójdem za niego // 2X

4 – Na zielone gaja liscie opadaja, //jusz mnie rodzice za cwartego daja// 2X
// A tyn cwarty grywa w karty nie pójdem za niego //2X

5 – Na zielone gaja liscie opadaja, //jusz mnie rodzice za piontego daja// 2X
// A tyn pionty zmyka w kunty nie pójdem za niego // 2x

6 – Na zielone gaja liscie opadaja, //jusz mnie rodzice za szustego daja// 2X
// A tyn szusty bardzo tlusty nie pojdem za niego // 2X

7 – Na zielone gaja liscie opadaja, //jusz mnie rodzice za siudmego daja// 2X
// A tyn siudmy bardzo brudny nie pojdem za niego // 2X

8 – Na zielone gaja liscie opadaja, //jusz mnie rodzice za lózmego daja// 2X
// A ty lózmy bardzo osluszny, to já pojdem za niego// 2X

5. GÓRALU CZY CY NIE ZAL

1 – Góralu czy cy nie zal odchodzic od stron ojczystych, swierkowych lasów i hal i tych potoków
srebrzystych?
Estr: Góralu czy cy nie zal, góralu wracaj do hal! //2X

2 – A góral na góry spoziera y Izy rekawem ociera, i góry porzucic trzeba, dla chleba panie dla chleba.

3 – Góralu wróc sie do hal w chatach zostali ojcowie gdy pójdziesz od nich hen wdal cóz z nimi bedzie
kto wie?

4 – A góral jak dziecko placze moze juz ich nie zobacze, i satrych porzucic trzeba, dla chleba panie dla
chleba.

5 – Góralu, zal mi cie zal, i poszedl z grabkami, z kosa. I poszedl z gór swoich w dal w gunce starganej
szedl boso.

6 – Lecz zanim lisc opadl z drzew, powraca góral do chaty, na ustach wesoly spiew trzos w rekach
niesie bogaty.

Em 1891, segundo estimativa do ministério das relações exteriores alemão, estavam vivendo cerca de 200 mil pessoas de língua alemã no sul do Brasil. Um manual destinado a documentação dos alemães fixados além das fronteiras do Reich, em 1902 estimava que no Brasl havia 350 mil pessoas falando o alemão. Segundo esta fonte, desses 350 mil alemães e descendentes de alemães estavam vivendo, na época: 150 mil o Rio Grande do Sul, ou seja, 15% da população do RS, 80 mil em SC, ou seja, 20% da população e 25 mil no PR, ou seja, 7% da população paranaense.

SANTA CATARINA

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Através desta seção, o Projeto   Imigrantes disponibiliza fotos sobre Imigração e também fotos dos   antepassados de nossos clientes, resgatando visualmente trechos da história   destas pessoas que, com seu trabalho, ajudaram a construir nosso país.

Para publicar fotos dos seus   antepassados, envie um email para imigrantes@via-rs.com.br, com a legenda e a foto em anexo.

NENHUM REGISTRO DOS HAFEMANN, KAZMIERSKI, PRAWUTZKI E CISZ.Imigração

A vinda de imigrantes para o Brasil,   ressalvada a presença dos portugueses – colonizadores do País – delineia-se a   partir da abertura dos portos às “nações amigas” (1808) e da   independência do País (1822). À margem dos deslocamentos populacionais   voluntários, cabe lembrar que milhões de negros foram obrigados a cruzar o   oceano Atlântico, ao longo dos séculos XVI a XIX, com destino ao Brasil,   constituindo a mão-de-obra escrava. Os monarcas brasileiros trataram de   atrair imigrantes para a região sul do País, oferecendo-lhes lotes de terra   para que se estabelecessem como pequenos proprietários agrícolas. Vieram   primeiro os alemães e, a partir de 1870, os italianos, duas etnias que se   tornaram majoritárias nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.   Entretanto, a grande leva imigratória começou em meados de 1880, com   características bem diversas das acima apontadas.     A principal região de atração passou a ser o estado de São Paulo e os   objetivos básicos da política imigratória mudaram. Já não se cogitava de   atrair famílias que se convertessem em pequenos proprietários, mas de obter   braços para a lavoura do café, em plena expansão em São Paulo. A opção pela   imigração em massa foi a forma de se substituir o trabalhador negro escravo,   diante da crise do sistema escravista e da abolição da escravatura (1888). Ao   mesmo tempo, essa opção se inseria no quadro de um enorme deslocamento   transoceânico de populações que ocorreu em toda a Europa, a partir de meados   do século XIX, perdurando até o início da Primeira Guerra Mundial. A vaga   imigratória foi impulsionada, de um lado, pelas transformações   sócio-econômicas que estavam ocorrendo em alguns países da Europa e, de   outro, pela maior facilidade dos transportes, advinda da generalização da   navegação a vapor e do barateamento das passagens. A partir das primeiras levas,   a imigração em cadeia, ou seja, a atração exercida por pessoas estabelecidas   nas novas terras, chamando familiares ou amigos, desempenhou papel relevante.   Nas Américas, pela ordem, os Estados Unidos, a Argentina e o Brasil foram os   principais países receptores de imigrantes.     No caso brasileiro, os dados indicam que em torno de 4,5 milhões de pessoas   imigraram para o país entre 1882 e 1934. Destes, 2,3 milhões entraram no   estado de São Paulo como passageiros de terceira classe, pelo porto de   Santos, não estando, pois, aí incluídas entradas sob outra condição. É   necessário ressalvar, porém, que, em certas épocas, foi grande o número de   retornados. Em São Paulo, por exemplo, no período de crise cafeeira,   (1903-1904), a migração líquida chegou a ser negativa. Um dos traços   distintivos da imigração para São Paulo, até 1927, foi o fato de ter sido em   muitos casos subsidiada, sobretudo nos primeiros tempos, ao contrário do que   sucedeu nos Estados Unidos e, até certo ponto, na Argentina.     O subsídio consistiu no fornecimento de passagem marítima para o grupo   familiar e transporte para as fazendas e foi uma forma de atrair imigrantes   pobres para um país cujo clima e condições sanitárias não eram atraentes. A   partir dos anos 30, a imigração em massa cedeu terreno. A política   nacionalista de alguns países europeus – caso típico da Itália após a   ascensão de Mussolini – tendeu a colocar obstáculos à imigração para a   América Latina.     No Brasil, a demanda de força de trabalho, necessária para o desenvolvimento   industrial, passou a ser suprida, cada vez mais, pelas migrações internas.   Habitantes do Nordeste do País e do estado de Minas Gerais abandonaram suas   regiões em busca do “el-Dorado paulista”. Na década de 30, somente   os japoneses, ligados à pequena propriedade agrícola, continuaram a vir em   grande número para São Paulo.     Em anos mais recentes, a imigração para o Brasil, qualitativamente,   diversificou-se bastante. Novas etnias se juntaram às mais antigas, como é o   caso da imigração de países vizinhos – Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia   etc. – tanto por razões profissionais como políticas. Coreanos passaram a   compor a paisagem da cidade de São Paulo, multiplicando restaurantes e   confecções.     Após os primeiros anos de dificuldades extremas, que não foram muito diversas   das que atravessaram em outros países, os imigrantes acabaram por se integrar   à sociedade brasileira. Em sua grande maioria, ascenderam socialmente,   mudando a paisagem sócio-econômica e cultural do Centro-sul do Brasil. No   Sul, vincularam-se à produção do trigo, do vinho, e às atividades   industriais; em São Paulo, impulsionaram o desenvolvimento industrial e o   comércio. Nessas regiões, transformaram também a paisagem cultural,   valorizando a ética do trabalho, introduzindo novos padrões alimentares e modificações   na língua portuguesa, que ganhou palavras novas e um sotaque particular.     Os imigrantes europeus, do Oriente Médio e asiáticos (portugueses, italianos,   espanhóis, alemães, judeus, sírios e libaneses, japoneses) influenciaram a   formação étnica do povo brasileiro, sobretudo na região Centro-sul e Sul do   País. Tendo em conta as contribuições de índios e negros, disso resultou uma   população etnicamente diversificada, cujos valores e percepções variam de um   segmento a outro, no âmbito de uma nacionalidade comum.

Cartas geográficas de navegadores de várias nacionalidades, escritas desde o início do século XVI, mencionam pontos que correspondem ao litoral catarinense. O mapa de Juan de la Cosa, piloto da expedição de Alonso de Ojeda assinala “Sant´Ana”, uma parte que corresponde ao nosso litoral.

Pela sua importância, registra-se a expedição de João Dias Solis, em 1515, quando um único ponto da costa mereceu ser assinalado: a baía dos “perdidos”, que se refere às águas interiores entre a Ilha de Santa Catarina e o continente fronteiro (designação dada em virtude do naufrágio de uma embarcação da mesma esquadra).

A expedição de Sebastião Caboto, italiano a serviço da Espanha, chega ao litoral catarinense por volta de 1526 e, ao publicar seus mapas referentes àquela expedição, denominava a Ilha de Santa Catarina de “porto dos Patos”. Mas o nome de Santa Catarina – dado à ilha – aparece, pela primeira vez, no mapa-mundi de Diego Ribeiro, de 1529.

Há divergências quanto ao responsável pela denominação de Santa Catarina: alguns autores atribuem a Sebastião Caboto, que fizera a denominação em homenagem à esposa Catarina Medrano; outros querem que tenha sido em homenagem a Santa Catarina de Alexandria, festejada pela igreja em 25 de novembro. É, portanto, assunto que merece novas reflexões.

Em 1541, aporta, ao continente fronteiro à ilha, a expedição de D. Alvar Nunes Cabeza de Vaca, comandante que intitula-se “Governador de Santa Catarina”, dada a sua nomeação, pelo rei da Espanha, para tomar posse das terras da Coroa.

Entretanto, a Ilha de Santa Catarina não foi o único ponto do litoral mencionado pelos primeiros navegadores que aqui aportaram. Em 1527, no planisfério anônimo de Weimar, apareceu a designação de Rio de São Francisco, correspondente à baía de Babitonga, que banha a península da atual São Francisco do Sul.

Os primeiro povoadores: desterrados, náufragos e sacerdotes

O povoamento do território catarinense está intimamente ligado, nos seus primórdios, aos interesses de navegações portuguesas e espanholas, que tiveram o litoral de Santa Catarina como ponto de apoio para atingir, principalmente, a região do Rio do Prata (sem mencionar as expedições de outras nacionalidades).

Pelo fato de o litoral catarinense servir como ponto de apoio, constatou-se que os primeiros povoadores foram náufragos, como, por exemplo, os sobreviventes de uma embarcação da expedição de João Dias Solis, os quais integraram-se à comunidade indígena.

Outros aparecem, como os desertores, elementos que abandonaram a embarcação “San Gabriel” comandada por D. Rodrigo de Acuña, a qual fazia parte de uma expedição espanhola. Da mesma forma, da expedição de Caboto, em 1526, também apareceram desertores.

Portugal utilizou-se, largamente, do princípio jurídico do “uti possidetis”, o direito do primeiro possuidor, tendo em vista a política de ampliação de seu território e a constância das expedições espanholas no litoral catarinense e sul do Brasil no século XVI.

Após a “União Ibérica”, isto é, o fim dos laços que uniam Portugal e Espanha (1580-1640), os bandeirantes, cada vez mais, alargaram as fronteiras das terras portuguesas. São as bandeiras vicentistas (provenientes da Capitania de São Vicente), de caça ao índio, que atingem o Brasil meridional.

Desta forma, o litoral catarinense passou a ser percorrido e conhecido, crescendo o interesse pela posse, com conseqüente ocupação.

As fundações vicentistas

São Francisco

O povoamento efetivo do litoral catarinense tem início com a fundação de São Francisco, sob a responsabilidade de Manoel Lourenço de Andrade, que recebeu, de um herdeiro de Pero Lopes de Souza, procuração para estabelecer, mais ao sul, uma povoação que denominou de Nossa Senhora da Graça do Rio de São Francisco, em 1658, cuja data tem sido alvo de discussão.

Desterro

Na marcha da ocupação do Sul, segue-se a fundação da povoa de Nossa Senhora do Desterro pelo bandeirante Francisco Dias Velho, que partiu de São Paulo, em 1672, acompanhado de familiares e índios domesticados, com interesses agropastoris. Com a morte de Dias Velho e a conseqüente retirada de seus filhos, a povoa do Desterro quase desapareceu.

A partir de 1715, com a concessão de sesmarias a portugueses, como Manoel Manso de Avelar, passa-se a sentir a necessidade de povoamento da Ilha, como forma de se defender do assédio constante por parte de navios estrangeiros; isso é demonstrado pelos próprios moradores, através de uma petição ao governo português.

Laguna

A fundação da vila de Santo Antônio dos Anjos de Laguna, como o povoamento do litoral do Rio Grande do Sul, ocorrem em virtude da necessidade de apoio à Colônia do Sacramento e de estabelecer ligação entre a costa e as estâncias do interior.

Deve-se a Domingos de Britto Peixoto a fundação de Laguna, por volta de 1684, após a pacificação de indígenas ali existentes. É a partir desta povoação que os portugueses se lançam à conquista dos territórios mais ao sul, como é o caso dos Campos de Viamão.

A Capital de Santa Catarina foi criada quando a Coroa Portuguesa através da Provisão Régia de 11 de agosto de 1738, desincorporou os territórios da Ilha de Santa Catarina e o Continente do Rio Grande de São Pedro da jurisdição de São Paulo, passando-os para o Rio de Janeiro.

Desta forma, Santa Catarina ficou subordinada diretamente aos Vice-Reis do Brasil. Eram esses que concentravam em suas mãos a grande autoridade administrativa e judiciária aos quais se subordinavam os capitães-generais. Santa Catarina constituiu-se no posto avançado da soberania portuguesa na América do Sul.

As razões são principalmente de ordem política. Tendo-se em vista a recente fundação da Colônia de Sacramento e a conseqüente necessidade de dar-lhe cobertura estratégico-militar, foi implantado um sistema defensivo para o litoral, onde se incluía a Ilha de Santa Catarina e a barra do Rio Grande.

A fundação das povoações “vicentistas” no litoral catarinense não fortaleceu o surto demográfico em toda sua extensão, mas tão somente criou três núcleos isolados, vivendo de sua subsistência como foi o caso de São Francisco, Desterro e Laguna. Posteriormente, ocorreu o quase total abandono da povoa de Nossa Senhora do Desterro, com a morte brutal de seu fundador e a fuga dos seus parentes e acompanhantes.

As ilhas do Arquipélago dos Açores, sofrendo abalos sísmicos terrestres ou submarinos, estimularam a saída de parte de sua população. Aliado a este fator estaria o precário desenvolvimento econômico da região, o desejo de lançar-se ao mar, mas principalmente o excesso populacional que em decorrência, provocava a escassez de alimentos em determinadas ocasiões.

O açoriano, embora desenvolva outras atividades de subsistência, mantém a continuidade da tradição pesqueira. Sua chegada coincide com a implantação e o desenvolvimento das “armações” de baleia. Assim, passa a desempenhar aquela atividade em alto-mar e, por conseqüência, surge a construção naval.

Como resultantes culturais, o elenco de manifestações da cultural popular inclui a tecelagem manual, técnicas de pesca, o folguedo “boi-na-vara”, os “pão-por-Deus”, danças (geralmente denominadas como fandangos), as festividades do ciclo do Divino Espírito Santo, além do substrato lingüístico.

A conquista do sul pelos paulistas foi efetuada inicialmente pelo litoral, através da ocupação desde São Vicente até Laguna, no século XVII.

Em 1720, Bartolomeu Paes de Abreu, sertanista, sugeriu ao Rei de Portugal, a abertura de um caminho que ligasse São Paulo ao atual Rio Grande do Sul. Referia-se às regiões de campos favoráveis à criação de gado, do qual o índio das missões foi o primeiro vaqueiro.

Na ocasião, muitos habitantes da região de Laguna, por determinação do Governador de São Paulo e atraídos pela criação de gado, dirigiram-se para as terras rio-grandenses, passando assim a povoar os “pampas”.

A necessidade de um caminho terrestre que interligasse o extremo sul até São Paulo ou Rio de Janeiro prendia-se ao interesse econômico de abastecer as regiões de mineração com alimento e animal de transporte e também como meio de defesa da Colônia do Sacramento, aquele reduto português na região platina.

A iniciativa da construção de uma via de comunicação pelo interior provocou desagrado aos comerciantes tanto de Laguna como da Ilha de Santa Catarina pelo prejuízo que tal caminho poderia causar-lhes já que a atividade comercial era exercida exclusivamente através dos portos.

A fundação de Lages

Entre os tropeiros que, constantemente, através do “caminho do sul”, demandavam aos campos de Viamão, em terras rio-grandenses, encontrava-se Antônio Correa Pinto, encarregado em 1766 de fundar uma povoação no sertão de Curitiba, num local que servia de paragem, chamada Lages. A determinação era de que a futura Vila deveria chamar-se Vila Nova dos Prazeres. Como argumento, dizia que havia a necessidade de proteção dos habitantes da região, mas também previa o desenvolvimento da agricultura e pecuária local e também como elemento estratégico, contra as investidas dos espanhóis.

Logo após a fundação de Lages, a Câmara da Vila de Laguna determinou a abertura de uma estrada ligando-a ao planalto, acompanhando o curso do rio Tubarão. Esta estrada, com melhorias no seus traçado é a que, hoje, se denomina “estrada do rio do Rastro”.

Em meados do século XVIII, após a anulação do Tratado de Madri, agravaram-se os conflitos entre as duas nações ibéricas, Portugal e Espanha, com a Guerra dos Sete Anos, na qual combateram Inglaterra e Portugal contra França e Espanha.

Os reflexos dessa guerra fizeram-se sentir na América, imediatamente.
Tropas espanholas sob o comando de Cevallos, Governador de Bueno Aires, em 1762, invadiram a Colônia de Sacramento e regiões do atual Rio Grande do Sul.

Quando foi assinado o acordo de paz (Tratado de Paris) entra Portugal e Espanha foi devolvida a Colônia do Sacramento mas os espanhóis permaneceram no Rio Grande.

Diante dessa situação, o governo português, na pessoa do Marquês de Pombal, ministro do rei de D. José I, organizou um plano de expulsão dos espanhóis do Rio Grande, tendo como ponto de apoio a Ilha de Santa Catarina.

Com base nisso, inicia-se em 1774, o preparo da Capitania de Santa Catarina para as eventualidades de uma guerra no sul.

Para enfrentar as forças luso-brasileiras a Espanha organizou uma grande expedição cuja esquadra transportava um expressivo contingente (cerca de 9.000 soldados, além de mais de 6.000 elementos da marinha).

O governo português, além das fortificações já existentes na Ilha de Santa Catarina, preocupou-se em completar o sistema de defesa, através de instruções, recursos humanos, material bélico e embarcações. O forte da Ilha constituía uma força composta de 143 canhões.

A ILHA DE SANTA CATARINA

Em fevereiro de 1777 a força naval espanhola chega à enseada de Canasvieiras e dali invade com sucesso a ilha, provocando a retirada das autoridades e parte das tropas para o lado do continente.

Diante disso, alguns dias depois, é assinado o termo de capitulação e a entrega da Ilha de Santa Catarina a D. Pedro Cevalles, comandante da expedição.

A capitulação das tropas portuguesas fez-se de forma humilhante, com a fuga de uns e o embarque de outros em direção ao Rio de Janeiro.

O objetivo de dominar a Ilha evidenciou-se com a presença de inúmeros sacerdotes que, acompanhando a expedição, distribuíram-se pelas freguesias da Ilha.

Uma terra de mil jeitos. Jeitos de natureza e jeitos humanos. Situada ao Sul do Brasil, entre os estados do Paraná e Rio Grande do Sul, Santa Catarina recusa definições. Este pequeno estado brasileiro, com pouco mais de 6 milhões de habitantes, reúne em seus singelos 95,4 mil km² uma diversidade tal de cenários e gentes que deslumbra os que o visitam. Praias de areia branca, matas tropicais e serras nevadas. Pescadores açorianos, agricultores italianos e industriais alemães. Uma terra de belos e definitivos contrastes, e por isto mesmo tão fascinante.

Na economia, estes contrastes se repetem. Uma agricultura forte, baseada em minifúndios rurais, divide espaço com um parque industrial atuante, o quarto maior do país. Indústrias de grande porte e milhares de pequenas empresas espalham-se pelo estado, ligadas aos centros consumidores e portos de exportação por uma eficiente malha rodoviária. Estradas que também incrementam o turismo, vocação inata do pequeno estado, hoje terceiro maior pólo turístico nacional.

O equilíbrio e dinamismo da economia catarinense refletem-se nos elevados índices de crescimento, alfabetização, emprego e renda per capita, muito superiores à média nacional. Números que surpreendem e complementam o perfil fascinante de um dos mais produtivos e belos estados brasileiros.

Foram os portugueses – bandeirantes, caçadores de índios e aventureiros – que desbravaram Santa Catarina, espalhando entrepostos e povoados pelo litoral a partir do Século XVI. Os imigrantes açorianos vieram bem mais tarde, no Século XVIII, mas foram eles que colonizaram e deram forma ao tipo humano tão especial que hoje habita os 500 Km de litoral do estado.

Na segunda metade do século passado chegaram os alemães, espalhando-se pelo vale do Rio Itajaí, adentrando ao interior em busca de melhores terras e oportunidades. Com trabalho e determinação, construíram a pujante face industrial de Santa Catarina. Joinville, Blumenau, Brusque e Pomerode são cidades que preservam esta forte herança germânica na arquitetura, na culinária, no sotaque e através de concorridas festas populares, como a Oktoberfest.

No fim do século foi a vez dos italianos, a maior corrente migratória já recebida por Santa Catarina. Eles ocuparam principalmente a Região Sul do estado, próxima ao litoral, e até hoje cidades como Criciúma, Urussanga e Nova Veneza preservam tradições herdadas dos pioneiros: o cultivo da uva e do vinho, o amor à boa mesa, a alegria e a religiosidade.

Mas o mosaico de tipos humanos que fundiu o catarinense de hoje inclui ainda os tropeiros que faziam a rota entre o Rio Grande do Sul e São Paulo, os japoneses, os austríacos e os gaúchos, que ocuparam as férteis terras do oeste. Todos responsáveis pela rica diversidade cultural e sociológica de Santa Catarina.

A natureza dá o tom do litoral catarinense. São 500 Km de praias, emoldurados por lagoas, rios, montanhas e exuberante Mata Atlântica. Da mansa Baía da Babitonga, na fronteira com o Paraná, até as longas praias de mar aberto ao sul de Araranguá, descortina-se um cenário fascinante de águas claras, areias brancas e muito verde.

A Ilha de São Francisco, no Extremo-norte, abriga a mais antiga povoação
catarinense. Fundada por franceses em 1504, São Francisco do Sul guarda invejável patrimônio histórico e um jeito próprio que fascina. Com 30 mil habitantes, é terra de pescadores e marinheiros. A Baía da Babitonga, sobre cujas águas se debruça a cidade, é um paraíso náutico através do qual chega-se aos 13 balneários do município e às inúmeras ilhas onde a natureza impera soberana. Pela Lagoa de Saguaçu alcança-se Joinville, a maior cidade do estado e marco da imigração alemã.

O litoral catarinense tem jeito açoriano. As canoas coloridas e as redes, a comida, os rostos e sotaques remetem ao arquipélago português. Os imigrantes vieram em busca do óleo de baleia e criaram cidades como Barra Velha, Piçarras, Penha e Armação. Na antiga terra dos índios carijós surgiu também Itajaí, que hoje tem 140 mil habitantes e disputa com São Francisco do Sul a posição de maior porto catarinense. O parque temático Beto Carreiro World, no Balneário de Penha, é a maior atração turística da região, juntamente com as belas praias e a herança histórica de São Francisco do Sul.

Em nenhuma outra parte do litoral o contraste entre o novo e o antigo é tão evidente como na região ao norte de Florianópolis. Os arranha-céus e a movimentada vida urbana de Balneário Camboriú e Itapema contrastam com os cenários bucólicos de Bombinhas e Porto Belo.

Principal destino turístico de Santa Catarina, Balneário Camboriú vive duas realidades. Pacata cidade de 75 mil habitantes, transforma-se no verão em uma metrópole cosmopolita, com mais de 800 mil moradores, muito consumo e agitação. Uma efervescência urbana que não apaga o encanto natural da região. Ao sul, pela chamada Costa Brava, cenários de indescritível beleza pincelam o litoral recortado entre encostas cobertas de Mata Atlântica.

Ainda mais ao sul, Bombinhas e Porto Belo dividem um conjunto único de enseadas, costões e praias, muito procurado por velejadores e praticantes do mergulho. A Reserva Biológica Marinha do Arvoredo – um conjunto de três ilhas distante poucas milhas da costa – marca o encontro das águas frias da Corrente das Falklands com a morna Corrente do Brasil, que vem do norte. Peixes tropicais e pingüins reúnem-se num mesmo quadro, para deleite dos mergulhadores.

Agitada pelo turismo no verão, a região vende tranqüilidade no resto do ano. Lindas praias desertas e bucólicas estradas de terra aportam em comunidades onde o jeito açoriano tempera as comidas, as rendas e os cenários, que parecem perdidos no tempo.

Uma terra de contrastes, onde a agitação da vida moderna convive com a placidez das comunidades do interior. Assim é a Ilha de Santa Catarina, deliciosa fatia do paraíso com 523 km² de verdes encostas, lagoas e 42 praias. Nela fica Florianópolis, capital habitada por 280 mil privilegiados, um dos principais destinos turísticos do Brasil e opção de residência para quem busca qualidade de vida.

O espírito açoriano, herdado dos imigrantes que povoaram a região há 250 anos, personaliza a ilha. Os barcos de pesca, as rendeiras, o folclore, a culinária e a arquitetura colonial qualificam o turismo e atraem recursos que compensam a falta de indústrias de porte. Vilarejos envoltos em tradição e história, como Santo Antônio de Lisboa e Ribeirão da Ilha, resistem aos avanços da modernidade.

As praias do norte têm águas calmas e boa infra-estrutura turística. Jurerê, Canasvieiras e Ingleses são as mais procuradas, principalmente por argentinos. No leste, ficam a Lagoa da Conceição e as praias da Joaquina, Mole e Barra da Lagoa, redutos de gente jovem onde os esportes radicais dão o tom. O sul é mais agreste, e praias como Armação e Pântano do Sul atraem por sua tranqüilidade, barcos coloridos e redes de pesca.

No continente, ficam alguns bairros e os municípios da Grande Florianópolis: São José e Palhoça ao sul, Biguaçu e Governador Celso Ramos ao norte. Além de sediar indústrias, estas localidades possuem encantos como a Ilha de Anhatomirim com sua imponente fortaleza, e a Praia da Guarda do Embaú.

O Tratado de Santo Ildefonso

As negociações de um tratado tiveram início após a morte de D. José I e a ascenção de D, Maria I.

Pelas cláusulas do contrato, assinado ainda em 1777, Portugal recebeu de volta a Ilha de Santa Catarina e ficou com quase todo o atual Estado do Rio Grande do Sul. Com respeito à Ilha o Governo português se comprometia a não utilizá-la como base naval nem por embarcações de guerra ou de comércio estrangeiros.

A COLONIZAÇÃO

A primeira colônia européia em Santa Catarina foi instalada, por iniciativa do governo, em São Pedro de Alcântara, em 1829. Eram 523 colonos católicos vindos de Bremem (Alemanha).

Em 1829, a Sociedade Colonizadora de Hamburgo adquiriu 8 léguas quadradas de terra, correspondentes ao dote da princesa Dona Francisca, que casa com o príncipe, fundando a colônia Dona Francisca. Apesar das dificuldades do clima, do solo e do relevo, a colônia prosperou, expandindo-se pelos vales e planaltos e dando origem, em 1870, à colônia de São Bento do Sul. O núcleo dessa colônia deu origem à cidade de Joinville.

A colônia de Blumenau (atual Blumenau), no vale do rio Itajaí-Açú, fundada, em 1850, por um particular, Dr. Hermann Blumenau, foi vendida, dez anos após, ao Governo Imperial.

Em 1893, a Sociedade Colonizadora Hanseática fundava o vale do Itajaí do Norte, a colônia de Hamônia (hoje Ibirama).

No vale do Itajaí-Mirim, a partir de 1860, começaram a chegar as primeiras levas de imigrantes, principalmente alemães e italianos, que dinamizaram a colônia de Itajaí, posteriormente denominada Brusque.

Na parte sul da bacia do rio Tijucas, apesar dos insucessos da colônia pioneira de São Pedro de Alcântara, novos intentos colonizadores foram alcançados por alemães, com a criação das colônias de Santa Tereza e Angelina.

A colonização italiana

O elemento de cultura italiana insere-se no contexto populacional catarinense em seis momentos:

1. Fundação da colônia Nova Itália (atual São João Batista) em 1836, no vale do rio Tijucas, com imigrantes da Ilha da Sardenha.

2. Em decorrência do contrato firmado, em 1874, entre o governo imperial brasileiro e Joaquim Caetano Pinto Júnior, foram fundadas, a partir de 1875, Rio dos Cedros, Rodeio, Ascurra e Apoiúna, em torno da colônia Blumenau; Porto Franco (atual Botuverá) e Nova Trento, em torno da colônia Brusque. Em 1877, funda-se a colônia Luís Alves no vale do rio Itajaí-Açú e implantou-se, no vale do rio Tubarão, os núcleos de Azambuja, Pedras Grandes e Treze de Maio: no vale do Urussanga, os núcleos de Urussanga, Acioli de Vasconcelos (atual Cocal) e Criciúma.

3. Fundação da colônia Grão Pará (atuais municípios de Orleans, Grão Pará, São Ludgero e Braço do Norte), por Conde D’Eu e Joaquim Caetano Pinto Júnior.

4. Efetivação do contrato da Companhia Fiorita com o governo brasileiro em 1891; fundação, em 1893, da colônia Nova Veneza (atuais Nova Veneza e Siderópolis), estendendo-se do vale do rio Mãe Luzia até o vale do rio Araranguá.

5. Expansão das antigas colônias do médio vale do Itajaí-Mirim em direção ao interior, no encontro de novas terras no alto vale do Itajaí (Itajaí do Sul e Itajaí do Oeste, assim como as do perímetro do Rio Tubarão).

6. Ocupação – a partir de 1910, com a vinda dos ítalo-brasileiros do Rio Grande do Sul – das áreas marginais dos vales dos rios do Peixe e do Uruguai e, paulatinamente, do Médio e do Extremo Oeste catarinense.

A colonização eslava

A partir de 1871, chegou a Brusque o primeiro grupo de poloneses, que mais tarde se transferiu para o Paraná. Em função do contrato com o governo imperial, já ocorria o ingresso de poloneses na então província de Santa Catarina, em 1882.

A partir de 1889, novas levas de imigrantes poloneses e russos chegavam ao Sul de Santa Catarina – nos vales dos rios Urussanga, Tubarão, Mãe Luzia e Araranguá – e outras levas se localizaram nos vales dos rios Itajaí e Itapocu e em São Bento do Sul e adjacências.

Nessa mesma época, os imigrantes que chegavam ao porto de Paranaguá0 foram encaminhados pelo Governo do Paraná para a vila de Rio Negro e daí para a colônia Lucena (atual Itaiópolis).

Em 1900, vão ingressar nas localidades de Linha Antunes Braga, em São Camilo e Braço do Norte, nas terras da antiga colônia Grão Pará, e nas localidades de Estrada das Areias, Ribeirão das Pedras, Pedras Warnow Alto e Vargem Grande, nas terras do então município de Blumenau.

Após a Primeira Guerra Mundial, tem-se novos ingressos na região do vale do rio do Peixe, Médio-Oeste Catarinense, em rio das Antas e Ipoméia (1926); no vale do rio Uruguai, nos tributários do Uruguai, em Descanso (1934); no vale do Itajaí do Oeste (1937); em Faxinal dos Guedes (1938) e alto vale do Itajaí do Norte (1939) entre alguns outros poucos lugares.

Com a Segunda Guerra Mundial, imigrantes poloneses dirigiram-se, em 1940, através do vale do rio Uruguai para Mondaí e, em 1948, do alto vale do Itajaí para Pouso Redondo.

Foto do acervo do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina. www.ihgsc.org.br

A partir de 1870, o império passou a enfrentar dificuldades crescentes, motivadas pelas mudanças de ordem econômica, tais como: a expansão cafeeira, a substituição da mão-de-obra escrava pela assalariada, a expansão das atividades industriais, comerciais e dos transportes; alterações sociais como o crescimento da população urbana, aumento da classe média urbana, maior escolarização etc.

Além disso, a crescente oposição dos que defendiam a república, organizou um novo partido – o republicano. A campanha em defesa do regime republicano correspondia às aspirações políticas dos novos grupos sociais e dos seus interesses econômicos.

Os vários segmentos da sociedade – como os produtores de café, os militares, os funcionários públicos e os profissionais liberais – reagiram contra a monarquia, cujas críticas concentraram-se no Manifesto Republicano divulgado em 1870, um pouco antes da criação do partido republicano. Essas críticas referiam-se, dentre outros motivos: à estagnação da vida política causada pelos partidos existentes (liberal e conservador); à excessiva centralização política e administrativa, que impedia a autonomia das províncias; à manutenção do trabalho escravo.

Participação de Santa Catarina no movimento republicano

O Partido Republicano consolidou-se inicialmente em algumas províncias, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Assim como o restante do país, Santa Catarina não participou do Manifesto de 1870 e da fundação do Partido Republicano, porém, não ficou à margem dos dois grandes temas da época, abolição da escravatura e idéias republicanas, manifestando-se em âmbito regional, com propagandas e movimentos sendo feitos através de clubes e jornais.

Foram fundados o Clube de Camboriú, em 1887, sob a presidência de Manoel Antônio Pereira, o “Clube Republicano Federalista” de Joinville e o “Clube Republicano Esteves Jr.”, no Desterro, sob a presidência do farmacêutico Raulino Júlio Adolfo Oto Horn, no mesmo ano, e tendo como vice-presidente Gustavo Richard.

Dentre os jornais que divulgaram as idéias republicanas, surgiu, no Desterro, a “Voz do Povo” que, inclusive, se considerava “órgão do partido Republicano”. Em 1886 surge outro, “O Independente”, em Tijucas e também “A Folha Livre”, que foi o jornal republicano de Joinville. Ainda apareceram “A Evolução” na capital e o “Blumenauer-Zeitung”, em Blumenau.

A proclamação e a adesão à República

No dia 15 de novembro de 1889, o Marechal Deodoro da Fonseca, à frente de um grupo militar apoiado por outros grupos republicanos, proclamou a República no Rio de Janeiro. No mesmo dia, foi organizado o governo provisório, chefiado pelo próprio Marechal.

Logo após o recebimento da notícia da proclamação, os associados do Clube Republicano do Desterro e os oficiais da Guarnição Militar aclamam um triunvirato destinado a assumir o governo catarinense. Essa Junta Governativa foi composta por Raulino Horn, pelo Coronel João Batista do Rego Barros (comandante da guarnição militar) e pelo Dr. Alexandre Marcelino Bayma, médico da referida guarnição.

A substituição do Presidente da Província, Dr. Luís Alves Leite de Oliveira Bello, pelo novo governo, foi feita de forma pacífica, com a adesão dos deputados monarquistas presentes. Ao proclamar-se a República, já existia, em território catarinense, uma Câmara Municipal totalmente republicana: a de São Bento do Sul.

Um a um, os demais municípios catarinenses vão aderir ao novo regime, que fortalece as lideranças regionais e Santa Catarina passará a ser governada por seus filhos, com a condução dos negócios públicos de acordo com os anseios da comunidade catarinense.

O primeiro governo republicano

Para o governo de Santa Catarina, foi escolhido o Tenente Lauro Severiano Müller, que chegou ao Desterro em 1889.

Suas primeiras atitudes foram no sentido de fazer o congraçamento da população catarinense através de visitas aos vários municípios. Após a dissolução das Câmaras Municipais, criou as Intendências Municipais.

O novo governo federal convocou, de imediato, uma Assembléia Constituinte e, em 1890, foram realizadas as eleições. Desta maneira, com a saída de Lauro Müller, o governo do Estado ficou sob a responsabilidade de Gustavo Richard, que era o 2o vice-governador.

Em 24 de fevereiro de 1891, foi promulgada a Constituição Federal que estabeleceu, no Brasil, a República Federativa, correspondente à união dos estados autônomos.

Alterou bastante a organização do Estado, como por exemplo, o Presidente da República seria eleito pelo povo: senadores e deputados também seriam eleitos pelo povo, cujo direito de voto caberia aos cidadãos homens, maiores de 21 anos e alfabetizados; as províncias passariam a ser Estados, com maior autonomia política e administrativa etc.

Em seguida, estabeleceram-se as eleições para a Assembléia Constituinte Estadual. A Constituinte de Santa Catarina foi instalada a 28 de abril de 1891 e, no mês seguinte, elegia para governador o mesmo Lauro Müller e, para primeiro e segundo vices, Raulino Horn e Gustavo Richard, respectivamente. Em junho, os constituintes davam, ao Estado, a sua primeira Constituição.

A partir daí, foi efetiva a participação política de Lauro Müller, galgando os mais altos postos, como: governador do Estado, senador, ministro da viação e obras públicas e ministro das relações exteriores.

O período regencial caracterizou-se por uma série de agitações de ordem social e política. Ocorrência de revoltas em vários pontos do país, muitas das quais colocaram em perigo a unidade nacional, motivadas pelas dificuldades econômicas e pelo descontentamento político.

A república foi proclamada em 1836, na Câmara Municipal de Piratini e a pretensão de estendê-la a outras províncias fez com que chegasse até Santa Catarina.

AS IDÉIAS LIBERAIS EM SANTA CATARINA

O desenvolvimento das idéias liberais em Santa Catarina pôde ser visto através das publicações de Jerônimo Francisco Coelho e das atividades da “Sociedade Patriótica”. Ao romper a Revolução Farroupilha no Rio Grande do Sul, desenvolveu-se ainda mais o espírito liberal nas terras catarinenses.

A eclosão daquele movimento encontrou na Presidência da Província de Santa Catarina, Feliciano Nunes Pires. Logo, em seguida, foi substituído pelo Presidente José Mariano de Albuquerque Cavalcanti. Ao tomar conhecimento das manifestações surgidas na laguna em favor dos farroupilhas, tentou abafá-las.

Em Lages, encontrou-se outro grande defensor da causa farroupilha, na pessoa do seu pároco, o Padre João Vicente Fernandes. É interessante destacar a intensa pregação liberal praticada pelo clero naquele período.
As tendências liberais propagadas pela província catarinense provocaram a constante substituição dos seus presidentes.

Tendo assumido a presidência, o Coronel José Joaquim Machado de Oliveira realizou uma política de conciliação, pois, não lhe era estranha à adesão dos catarinenses aos ideais farroupilhas. Isto provocou sua substituição em outubro de 1837, pelo português Brigadeiro João Carlos Pardal.

O Brigadeiro Pardal exerceu suas funções com despotismo e muita arbitrariedade, o que provocou ainda o descontentamento dos catarinenses. Quando de sua administração deu-se à tomada de Laguna pelos farroupilhas aumentando o foco liberal no litoral da Santa Catarina. Entre os principais defensores das idéias liberais pode-se destacar, na Capital da Província, João Antônio Rodrigues Pereira, Francisco Duarte Silva, João Francisco de Souza Coutinho, Joaquim Cardoso e João José de Castro.

Além da receptividade quanto aos ideais liberais, a investida dos farroupilhas à Laguna, levou em consideração o seu valor como centro abastecedor das tropas e por ser um porto de mar à disposição, no momento em que estavam sem saída para o mar, no Rio Grande do Sul. Daí o interesse de incorporá-la à República de Piratini.

A tomada de Laguna foi feita pela ação conjugada das forças farroupilhas, as de mar sob comando de Giuseppe Garibaldi e as de terra tendo à frente Davi Canabarro.

Assim, a 22 de julho de 1839, estava Laguna em poder dos farroupilhas. Deram-lhe o nome de “Cidade Juliana de Laguna” e instalaram o Governo Provisório da “República Catarinense”, sob a presidência de Davi Canabarro. Propôs o mesmo, que se organizasse de forma democrática, a nova república e, para tal, ordenou que a Câmara Municipal procedesse à eleição provisória do Presidente da “República Catarinense”.

A extensão das forças liberais no litoral catarinense exigiu, por sua vez, que o Governo Central colocasse na Presidência da Província um elemento com larga experiência; tratava-se do Marechal Francisco José de Souza Soares Andréa, militar de relevantes serviços à causa legalista. Imediatamente foi organizada a repressão, ocasionando a derrota farroupilha.

A derrota naval dos farroupilhas ocorreu no final de 1839 e a eles, só restou, como alternativa, marchar por terra em direção ao planalto sob o comando do Coronel Joaquim Teixeira Nunes e de Garibaldi.

É nesse trajeto que muitos deles são aprisionados, entre eles Ana de Jesus Ribeiro (Anita Garibaldi) que consegue fugir e reunir-se a Garibaldi em Lages, para seguirem logo após para o Rio Grande do Sul.

Em março de 1840 desaparece a efêmera república em Santa Catarina. Entretanto, apenas em 1845 finaliza a Revolução Farroupilha quando o Governo Imperial aceita muitas das reinvindicações dos gaúchos.

Anita Garibaldi

A catarinense Ana Maria de Jesus Ribeiro tornou-se legendária nas lutas liberais dos dois lados do Oceano Atlântico — quer nas terras brasileiras, quer nas da península italiana — e, por isso, foi denominada de “Heroína dos Dois Mundos”, com o nome de Anita Garibaldi.

A presença de Garibaldi na Laguna fez com que Anita se envolvesse com a causa farroupilha participando da reação contra as forças imperiais e acompanhando os revolucionários na retirada da Laguna em direção ao planalto.

Em janeiro de 1840, Anita foi feita prisioneira quando os farroupilhas são atacados de surpresa, em local próximo ao rio Marombas. Entretanto, consegue fugir e, embora grávida, vai reunir-se a Garibaldi em Lages e dai seguem para o Rio Grande do Sul. A partir daí, sofreu todos os contratempos que uma revolução possa trazer, sempre acompanhando o seu Garibaldi.

Em 1841 partem para o Uruguai onde lutam em favor da preservação da república uruguaia, com a “Legião Italiana de Montevideo”, onde Anita continua como enfermeira dedicada aos companheiros do marido.

Acompanha Garibaldi, em 1848, quando este retorna à terra natal para prosseguir na luta pela unificação da Itália. Neste mesmo ano Anita veio a falecer em território italiano.

A disputa travada entre as províncias do Paraná e Santa Catarina, pela área localizada no planalto meridional entre os rios do Peixe e Peperiguaçu, estendendo-se aos territórios de Curitibanos e Campos Novos era antiga, originada antes mesmo da criação da província do Paraná, em 1853, permanecendo em litígio até o período republicano.

Em 1855, o governo da província do Paraná desenvolvia tese de que a sua jurisdição se estendia por todo o planalto meridional. Daí em diante, uma luta incessante vai ter lugar no Parlamento do Império, onde os representantes de ambas as províncias propunham soluções, sem chegar a fórmulas conciliatórias.

Depois de vários acontecimentos que protelaram as decisões – como a abertura da “Estrada da Serra” e também a disputa entre Brasil e Argentina pelos “Campos de Palmas” ou “Misiones” – o Estado de Santa Catarina, em 1904, teve ganho de causa, embora o Paraná se recusasse a cumprir a sentença.

Houve novo recurso e, em 1909, nova decisão favorável a Santa Catarina, quando, mais uma vez, o Paraná contesta. Em 1910, o Supremo Tribunal dá ganho de causa a Santa Catarina.

A Guerra do Contestado e as operações militares

A região contestada era povoada por “posseiros” que, sem oportunidade de ascensão social ou econômica, como peões ou agregados das grandes fazendas, tomavam, como alternativa, a procura de paragens para tentar nova vida.

Ao lado desses elementos sem maior cultura – mas fundamentalmente religiosos, subordinados a um cristianismo ortodoxo – vão se congregar outros elementos como os operários da construção da Estrada de Ferro São Paulo-Rio Grande, ao longo do vale do rio do Peixe.

Junto a esta população marginalizada, destaca-se a atuação dos chamados “monges”, dentre os quais o primeiro identificado chamava-se João Maria de Agostoni, de nacionalidade italiana, que transitou pelas regiões do Rio Negro e Lages, desaparecendo após a Proclamação da República.

Após 1893, consta o aparecimento de um segundo João Maria, entre os rios Iguaçu e Uruguai. Em 1987, surge outro monge, no município de Lages. Em 1912, em Campos Novos, surge o monge José Maria, ex-soldado do Exército, Miguel Lucena de Boaventura, que não aceitava os problemas sociais que atingiam a população sertaneja do planalto.

O agrupamento que começou a se formar em torno do monge, composto principalmente de caboclos saídos de Curitibanos, se instala nos Campos do Irani. Esta área, sob o controle do Paraná, teme os “invasores catarinenses” e mobiliza o seu Regimento de Segurança, pois esta invasão ocorre, justamente, naquele momento de litígio entre os dois Estados.

Em novembro de 1912, o acampamento de Irani é atacado pela força policial paranaense e trava-se sangrento combate, com a perda de muitos homens e de grande quantidade de material bélico do Paraná, o que fez desencadear novos confrontos, além do agravamento das relações entre Paraná e Santa Catarina.

Os caboclos vão formar, pela segunda vez, em dezembro de 1913, uma concentração em Taquaruçu, que se tornou a “Cidade Santa”, com grande religiosidade e, na qual, os caboclos tratavam-se como “irmãos”. Neste mesmo ano, tropas do Exército e da Força Policial de Santa Catarina atacam Taquaruçu, mas são expulsas, deixando, ali, grande parte do armamento.

Após a morte de outro líder, Praxedes Gomes Damasceno, antigo seguidor do monge José Maria, os caboclos se encontram enfraquecidos. No segundo ataque, Taquaruçu era um reduto com grande predomínio de mulheres e crianças, sendo a povoação arrasada.

Outros povoados, ainda, como Perdizes Grandes, seriam formados e diversos outros combates, principalmente sob a forma de guerrilhas, se travariam até que o conflito na região realmente terminasse.

O primeiro município a ser criado na Capitania de Santa Catarina foi o de Nossa Senhora da Graça do Rio São Francisco do Sul, hoje São Francisco do Sul, no ano de 1660; em 1714, era criado o segundo município, Santo Antônio dos Anjos da Laguna, atual Laguna.

Em 1726, desmembrava-se de Laguna o município de Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis.

Pelos caminhos de Lages foram se fixando povoações em direção ao Rio Grande do Sul e, em 1770, Lages emancipava-se da Capitania de São Paulo, anexando-se à Capitania de Santa Catarina.

Por volta de 1832, emancipavam-se de Florianópolis: Porto Belo, São Miguel (hoje Biguaçú) e São José. Após 27 anos, Porto Belo perdia sua autonomia, retornando-a em 1925. Em 1859 foi a vez da emancipação de São Sebastião da Foz do Rio Tijucas, atual Tijucas.

Em 1839, o Governo da República Farroupilha decretava a cidade de Laguna como a capital de Santa Catarina, com o nome de Juliana, época movimentada que terminou em março de 1845.

A vinda de imigrantes europeus para colonizar terras de Santa Catarina contribui para a expansão dos povoados e consequente aumento da população.

O mapa de 1907 mostra os contornos imprecisos do Estado, devido a questões de limites com os Estados do Rio Grande do Sul e Paraná. Em 1917, foi estabelecido o “Acordo de Limites” entre Paraná e Santa Catarina, passando o limite desses Estados pelo divisor de águas entre as bacias hidrográficas dos rios Iguaçu e Uruguai, incorporando-se definitivamente a Santa Catarina todo o oeste e os municípios de Mafra e Porto União, ao norte.

No ano de 1930, ficou resolvido o problema divisório entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul, anexando-se ao território catarinense o trecho da nascente do rio Mampituba, entre o arroio Josafá e a encosta da Serra Geral. Nessa época Santa Catarina, contava com 34 municípios.

Em 1934, desmembrava-se de Blumenau: Timbó, Indaial, Ibirama e Gaspar; de Joaçaba: Concórdia; de Campos Novos e Joaçaba: Caçador; e de Joinville: Jaraguá do Sul.

Em 1934, o Estado de Santa catarina sofreu uma redução com a criação do Território de Iguaçú, porém por pouco tempo, pois em 1946 Santa Catarina retomava este território.

No ano de 1953, 8 municípios conseguiam sua autonomia: Dionísio Cerqueira, Itapiranga, Mondaí, Palmitos, São Carlos, São Miguel d’Oeste, Xanxerê e Xaxim, fragmentando, pela primeira vez, o município de Chapecó.

Em 1958, mais de 30 municípios foram criados; e de 1961 a 1967 foram criados mais 91.
Após um intervalo de 15 anos, em 1982, emanciparam-se de Lages, os municípios de Otacílio Costa e de Correia Pinto.

O maior número de desmembramento ocorreu nas zonas coloniais de maior densidade populacional, como nos vales dos rios Itajaí, do Peixe, Tubarão e Chapecó.

GOVERNADORES DE SANTA CATARINA

Lauro Severiano Müller – 1889 a 1891

1º Vice – Raulino Júlio Adolfo Horn
2º Vice – Gustavo Richard

Foi o primeiro governador republicano de Santa Catarina, nomeado em 02 de dezembro de 1889 pelo Marechal Deodoro da Fonseca, para o período de 1889 a 1890. Foi eleito, ainda, pela Assembléia, para um segundo período, governado até 1891.

Em 07 de janeiro de 1890, Müller dissolve as câmaras municipais e cria conselhos, constituídos por intendentes municipais. Em 24 de agosto do mesmo ano, deixa o governo e toma posse na Câmara Federal.

No dia 16 de setembro de 1890, são realizadas as primeiras eleições indiretas para governador e vices. São eleitos os republicanos Lauro Müller como governador, Raulino Horn como primeiro-vice e Gustavo Richard como segundo-vice.

Em 29 de setembro, um mês após ter tomado posse na Câmara Federal, Lauro Müller reassume o governo do Estado, pois Deodoro da Fonseca havia dissolvido o Congresso.

Müller fica no poder até o dia 05 de outubro, quando passa o cargo ao seu primeiro vice, Raulino Horn, e retorna ao Rio de Janeiro para assumir como deputado, já que a Câmara havia sido reconvocada por Floriano Peixoto, que substituiu Deodoro. Raulino governa por apenas cinco dias, passa o governo ao segundo-vice Gustavo Richard e segue para o Rio de Janeiro, onde assume como senador.

Em novembro de 1891, Lauro retorna e reassume o governo. Em 28 de dezembro, renuncia ao cargo e volta para a Câmara. Como representante do Estado a nível nacional, faz o plano viário para Santa Catarina. Em 1890, é inaugurada, ainda, a estrada entre Nova Trento e Tijucas e também de Tijucas a Porto Belo.

Em 29 de dezembro de 1891, Lauro Müller renuncia ao governo, por pressão dos federalistas catarinenses, que haviam enviado um grupo para agredir fisicamente Müller, intimidando-o a deixar o governo. Ainda assim, o governador resiste para evitar derramamento de sangue. Assim, Müller volta para o Rio de Janeiro, assume seu cargo de deputado federal e continua defendendo a queda do federalismo.

Manoel Joaquim Machado – 1892 a 1894

Vice Eliseu Guilherme da Silva

Foi nomeado interventor de Santa Catarina, por decreto de Floriano Peixoto. Assumiu o governo em 1º de março de 1892. Em 15 de setembro do mesmo ano, foi eleito, pelo Congresso Representativo do Estado, para o cargo de governador, administrando até 08 de setembro de 1893. Em 1893, criou a Junta Comercial do Estado.

Denunciado e processado, pela prisão de um funcionário federal, Manoel Joaquim Machado teve que se afastar em junho de 1893, assumindo o poder Eliseu Guilherme, o vice.

Com o estabelecimento do Governo Provisório e Revolucionário da República, em Desterro, voltou a governar no período de 24 de fevereiro a 15 de abril de 1894, quando foi deposto pelas tropas legalistas chefiadas pelo coronel Antônio Moreira César.

Durante a administração de Joaquim Machado, foi criada a Escola Normal, que deu origem ao Instituto Estadual de Educação.

Hercílio Pedro da Luz – 1894 a 1898

Vice Polidoro Olavo Santiago

Primeiro governador republicano eleito pelo povo de Santa Catarina, assumiu em 28 de setembro de 1894.

Três dias depois de sua posse, sancionou o projeto de lei do legislativo que propôs a alteração do nome de Desterro para Florianópolis.

Tentou criar o primeiro sistema de iluminação pública de Florianópolis e, para tanto, foi criada uma sociedade – entre Joaquim Manuel da Silva, Francisco José Ramos e Paul Darché – que recebeu a concessão municipal de luz elétrica em 8 de setembro de 1897. Mas a sociedade não conseguiu levar a bom termo o projeto inicial e, desta forma, a luz foi inaugurada somente em 25 de setembro de 1910, tanto na capital como em Blumenau e Joinville.

Sob seu governo, em 1986, é instalada e inaugurada, na região do Contestado, a linha telegráfica entre Joinville e São Bento. Fez várias intervenções no sistema viário estadual e adotou medidas para melhorar o transporte marítimo e fluvial. Elegeu-se vereador em 13 de dezembro de 1898.

Felipe Schmidt – 1898 a 1902

Vice Coronel Firmino Lopes do Rego

Assumiu em 28 de setembro de 1898 e permaneceu no cargo até 28 de setembro de 1902.

Esta primeira administração de Felipe Schmidt foi marcada pela preocupação com o ensino médio e pela dedicação ao ensino agrícola. Em seus dois governos, a questão predominante era o Acordo de Limites entre os estados de Santa Catarina e Paraná.

Durante esse seu primeiro governo, houve uma forte cisão no PRC (Partido Republicano Catarinense) que prejudicou o desenvolvimento do Estado, já castigado anteriormente pela guerra civil. Esta foi a maior crise em seu governo, que ocorreu em 1900. Todo o desacordo dentro do partido aconteceu em virtude da lista de deputados estaduais elaborada por Felipe Schmidt, com 22 nomes. Os membros da Comissão Diretora acusaram o então governador de favorecer, em sua chapa, empregados públicos e pessoas sem nenhuma expressão eleitoral. Felipe Schmidt foi pressionado, de um lado pelo governo de seu primo Lauro Müller e, de outro pela maior parte de seu partido.

Lauro Severiano Müller – 1902 a 1906

Vice Vidal Ramos

Assumiu em 28 de setembro de 1902, porém permaneceu no cargo apenas 44 dias por preferir o cargo de Ministro de Viação e Obras Públicas de Rodrigues Alves. Assumiu o Vice, que permaneceu até 28 de setembro de 1906.

Vidal Ramos, assumindo o governo, tinha como meta reformar o ensino e, em 1904, o Estado de Santa Catarina almejava seguir o exemplo paulista, o que veio a acontecer em 1911, durante seu segundo governo.

Gustavo Richard – 1906 a 1910

Vice Abdon Batista

O vice doutor Batista assume, em 28 de setembro de 1906, por impedimento ocasional do governador Richard. Em 21 de dezembro do mesmo ano, Gustavo Richard assume o cargo.

Durante sua administração, foram implantados, na Capital, o sistema telefônico, o serviço de abastecimento público de água e o de iluminação elétrica. Foram, ainda, construídas pontes metálicas sobre alguns rios importantes do Estado. Foi inaugurada a primeira sede da Assembléia Legislativa, incendiada em 1956.

Outros benefícios vieram, como a construção do Palácio do Congresso, a Biblioteca Pública, a Diretoria de Higiene, o Liceu de Artes e Ofícios, o calçamento da Praça XV de Novembro e a reforma do Jardim Oliveira Belo.

Sua administração teve forte oposição de Hercílio Luz e, em 27 de fevereiro de 1908, os dois políticos romperam as relações.

Vidal José de Oliveira Ramos – 1910 a 1914

Vice Eugênio Luis Müller

Tomou posse em 29 de setembro de 1910, permanecendo até 28 de setembro de 1914. Foi responsável pela primeira reforma do ensino catarinense. Para o governador, a mudança proposta deveria caracterizar-se por: “ fundar um novo tipo de escola, dar à mocidade um professorado cheio de emulação e estabelecer uma fiscalização técnica e administrativa real e constante”.

A reorganização do ensino deflagrada em seu governo – e considerada uma das mais decisivas do setor em Santa Catarina – seguiu as linhas básicas da escola pública do Estado de São Paulo e desenvolveu-se sob a orientação do professor paulista Orestes Guimarães, especialmente contratado para este fim.

A Escola Normal foi a primeira unidade de ensino atingida pela ação desse educador. O programa de admissão foi reorganizado e ela recebeu novo regulamento. Sofreu reforma física, ampliação, passou a ter mais horas de atividade escolar, a ensinar Pedagogia e Psicologia e um terço de suas aulas deviam ter caráter prático.

Durante o governo de Vidal Ramos, ocorreu, ainda, a Guerra do Contestado, que iniciou em 1912 e desenvolveu-se até 1915 por motivo da abertura da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande. A guerra teve como espaço o meio-oeste cararinense e como centro o Rio do Peixe, que era uma região constestada pelos estados do Paraná e Santa Catarina.

Felipe Schmidt – 1914 a 1918

Vice Lauro Müller

Assumiu em 28 de outubro e permaneceu até 28 de outubro de 1918.
Em 20 de outubro de 1916, Felipe Schmidt e Affonso Alves de Camargo (governador do Paraná) assinaram Acordo de Limites entre os dois estados, por imposição do presidente da república, Brás Pereira Gomes.

Dedicou-se, neste seu segundo governo, a questões como a ligação viária entre diferentes regiões do Estado e às despesas públicas, na tentativa de levantar a situação financeira do Estado.

Preocupou-se com o sanemento básico, instalando a rede de esgoto.

Hercílio Pedro da Luz – 1918 a 1922

O governador eleito foi Lauro Müller e o vice, Hercílio Luz (em 04-08-1918), mas quem tomou posse foi Hercílio Luz (em 28-09-1918). Fez-se constar em Ata que o Lauro Müller não assumiu porque deixou de prestar juramento ao cargo de governador, por não haver comparecido.

Durante seu primeiro governo, já havia uma preocupação com o problema do saneamento básico e, neste seu segundo governo, imprimiu nova conceituação ao plano de saneamento no arroio da Bulha. Com esta empreendimento, criou uma avenida, que mais tarde se chamaria Avenida Hercílio Luz. Esta se estendia até a Baía Norte, onde fica hoje a Heitor Luz. Posteriormente, a parte norte lhe foi retirada. Combinada então à nova formulação da rua José Veiga, resultou na Avenida Mauro Ramos.

Hercílio Pedro da Luz – 1922 a 1926

Vice Antônio Pereira Oliveira

Assumiu em 28 de setembro, faleceu após dois anos de administração, em 20 de outubro de 1924.

Não chega a exercer o poder integralmente nesse período, sendo substituído durante longos meses pelo vice Antônio Pereira Oliveira.

Assumiu o governo o vice, que governou até 23 de março de 1926, quando assumiu o governo Antônio Vicente Bulcão Vianna, Presidente do Congresso Estadual, que permaneceu até 28 de setembro de 1926.

Adolpho Konder – 1926 a 1930

Vice Valmor Argemiro Ribeiro Branco

Assumiu o governo em 28 de setembro. Governou até 19 de fevereiro de 1929, quando candidatou-se ao Congresso Nacional e passou o governo para o Presidente do Congresso Estadual, Antônio Vicente Bulcão Vianna.

Ao abrir a sessão legislativa de 1927, o governador Adolpho Konder já tinha, em 22 de julho do mesmo ano, vontade de reformar a Constituição Estadual. Ele propunha que a Carta fosse realizada como “medida justa e imprescindível”. Em 1928, quando abriu a sessão legislativa, o assunto era a reforma constitucional.

Em 02 de julho de 1929 foi nomeada a Comissão encarregada de dar parecer sobre a Reforma Constitucional, composta pelo deputados Artur Ferreira da Costa, Carlos Gomes de Oliveira, Álvaro Catão, Manoel da Nóbrega, Dorval Malchiades de Sousam Luiz Gallotti e Marcos Konder (irmão de Adolpho). Esta Constituição foi promulgada em 27 de julho de 1929.

Konder, em 1929, realizou viagem histórica ao ponto final do território catarinense, encontrando-se com Getúlio Vargas, então governador do Rio Grande do Sul. Viajou em lombo de cavalo e foi o primeiro governador a chegar ao Oeste catarinense. Ao chegar a Dionísio Cerqueira, fundou um escola, sediou um destacamento da Polícia Militar e nomeou um exator para a arrecadação de tributos.

Suas obras foram muitas e, dentre elas, destacam-se a campanha em prol do cultivo de trigo, a transformação e adaptação do edifício do jornal oficial A República em sede do Poder Judiciário, a construção da Penitenciária do Estado, na capital, e o apoio às obras da maternidade local, depois denominada Carlos Corrêa.

Fulvio Aducci – 1930

Último governador da República Velha, assumiu em 29 de setembro.
Foi o governador que por menos tempo ocupou o governo do Estado. Em 25 de outubro de 1930, em virtude da Revolução de 30, viu-se obrigado a renunciar, entregando o cargo a uma junta de militares que, no dia seguinte, passou ao interventor revolucionário gaúcho General Ptolomeu de Assis Brasil.

A Revolução de 1930 teve muitos reflexos, dividindo a classe política catarinense. De um lado, ficou o PRC (Partido Republicano Catarinense), liderado pelos herdeiros políticos do “laurismo” – Lauro Müller – e do “hercilismo” – Hercílio Luz – representado pelos irmãos Konder (Adolpho, Vitor e Marcos) e por Fúlvio Aducci (último governador da Primeira República). De outro, a AL (Aliança Liberal) de Nereu Ramos, Francisco Barreiros Filho Oswaldo Melo e Gustavo Neves, que apoiava a Revolução.

Com a Revolução de 1930 e a conseqüente saída de Aducci do poder, iniciou-se um novo período na vida política brasileira e catarinense: a Segunda República, que se estende de 1930 até 1945.

Interventores de 1930

A Intervenção de 1930 a 1947

Junta Governativa

No dia 25 de outubro de 1930, em decorrência da Revolução de 30, o governador republicano Aducci se viu obrigado a renunciar ao seu cargo, assumindo o governo uma Junta Governativa.

Ptolomeu de Assis Brasil – 1930 a 1932

No dia seguinte, 26 de outubro de 1930, quando as tropas militares cruzaram a ponte Hercílio Luz, comandadas pelo gaúcho Ptolomeu de Assis Brasil, a Junta passou-lhe o governo do Estado, tendo o general sido nomeado interventor militar em Santa Catarina.

Dias depois ter sido nomeado interventor, Ptolomeu foi efetivado no governo e instalou o Governo Provisório de Santa Catarina. Em 1932, renunciou ao governo, alegando problemas de saúde, motivos particulares e de foro íntimo.

Rui Zobaran – 1932 a 1933
O interventor que sucedeu Assis Brasil foi o também gaúcho Major Rui Zobaran (posse em 26 de outubro de 1932). Os catarinenses sentiram-se marginalizados diante da escolha de mais um gaúcho.

Aristiliano Laureno Ramos – 1933 a 1935

Em 19 de outubro de 1933, Aristiliano Ramos (catarinense) foi nomeado interventor federal de Santa Catarina, em substituição ao gaúcho Rui Zobaran. Recebeu o governo de Marechal Pedro da Silveira, interventor interino e administrador do Estado.

Durante este período assumiram interinamente secretários de Estado, como: Cândido Ramos, Manoel Pedro da Silveira, Luís Carlos de Morais, Plácido Olímpio de Oliveira.
Aristiliano foi candidato na eleição ao governo do Estado (março de 1934) e derrotado por seu primo Nereu Ramos. Para não entregar o governo ao primo e inimigo político, renunciou à interventoria, passando a Fontoura Borges do Amaral Mello.

Nereu Ramos – 1935 a 1945

Assumiu em 1º de maio de 1935, eleito por voto indireto, e, durante seu governo, o Estado foi dotado de uma das melhores redes de estradas do país, tanto pela extensão quanto pela conservação. Distribui dezenas de postos de saúde, creches, maternidades e escolas por todo o território catarinense. A medida política que mais notabilizou sua administração foi a nacionalização do ensino. A atitude provocou profundos conflitos com as populações de origens estrangeiras, principalmente alemãs e italianas, simpatizantes, na época, do nazismo, integralismo e fascismo. As escolas que ensinavam língua estrangeira foram fechadas mas acabaram não sendo substiruídas, provocando a redução da escolaridade em Santa Catarina após a guerra.

Além disso, instituiu a obrigatoriedade da educação primária para crianças de oito a quatorze anos e proibiu a adoção de nomes estrangeiros por núcleos populacionais e escolas.

Em 1937, foi nomeado interventor federal do Estado pelo Presidente Getúlio Vargas. Exerceu esta função até 1945, quando foi deposto em 29 de outubro de 1945.

Luiz Gallotti – 1945 a 1946
Foi nomeado para o cargo, assumindo em 08 de novembro de 1945. Deixou o cargo em 05 de fevereiro de 1946.

Udo Deeke – 1946 a 1947
Foi nomeado para o cargo, assumindo em 05 de fevereiro de 1946. Permaneceu até 26 de março de 1947.

GOVERNOS DO ESTADO A PARTIR DE 1947 E TRANSMISSÃO DE CARGOS

Aderbal Ramos da Silva – 1947 a 1951

Assumiu em 23 de março de 1947 e permaneceu no cargo até 31 de janeiro de 1951. Nos períodos de afastamento por saúde, foi substituído por José Boabaid, presidente da Assembléia Legislativa.

Durante seu governo, houve grande preocupação com o desenvolvimento da produção rural. Nesse período, foi criado o Serviço Florestal do Estado, bem como construída a adutora de Pilões e as torres que passaram a transmitir a energia gerada pela Usina Hiderelétrica de Capivari e Florianópolis. As duas últimas obras objetivavam resolver um problema que afligia a vida dos florianopolitanos na década de 40: a falta de água e de luz.

Irineu Bornhausen – 1951 a 1956

Assumiu em 31 de janeiro de 1951 e governou até 31 de janeiro de 1956. No governo Irineu Bornhausen, criou-se a Secretaria de Estado da Agricultura e o Tribunal de Contas do Estado.

Algumas das mais importantes ações do seu governo foram: o pagamento de todas as dívidas do governo anterior, remodelamento de duas importantes rodovias, construção de estradas, início da obra de abertura da rodovia da Serra do Rio do Rastro.

Bornhausen tinha, também, grande preocupação com a agricultura e a pecuária do Estado.

No governo Irineu Bornhausen,assim como no governo de Aderbal Ramos da Silva, não houve vce-governador. De acordo com a Constituição de 1947, não havia o cargo de vice. Posteriormente, em 1955, foi criado o cargo através da Emenda Constitucional 3. Caso fosse necessário substituição, assumiria o Presidente da Assembléia, que, no governo Irineu Bornhausen, foram os seguintes parlamentares:

1951 – Deputado Volney Colaço de Oliveira
1952 – Deputado Protógenes Vieira
1953 – Deputado Volney Colaço de Oliveira
1954 – Deputado Oswaldo Rodrigues Cabral

Jorge Lacerda – 1956 a 1958

Vice Heriberto Hülse

Em 31 de janeiro de 1956, Irineu Bornhausen assume o cargo de governador do Estado e falece, em acidente aéreo com Nereu Ramos, em 16 de junho de 1958.
Seu governo, embora breve, foi marcado por duas grandes obras fundamentais: a primeira rodovia asfaltada feita com recursos estaduais, ligando Itajaí a Blumenau e a constituição da Sociedade Termo-Elétrica de Capivari, mais tarde incorporada à ELETROSUL.

Heriberto Hülse – 1958 a 1961

Hülse assume o cargo no dia 16 de junho de 1958, em substituição a Jorge Lacerda, que faleceu no mesmo dia, em acidente aéreo.

Em 21 de janeiro de 1959, Heriberto Hülse viaja para a capital da República, assumindo o presidente da Assembléia Legislativa, Dr. José de Miranda Ramos, até o dia 30 de janeiro de 1959.

Em 31 de dezembro de 1960, Heriberto Hülse interrompe, por alguns dias, o exercício de suas funções, assumindo, até o dia 10 de janeiro de 1961, o deputado Rury Hülse, presidente da Assembléia Legislativa.

Em sua administração, o Estado deu a grande arrancada desenvolvimentista que Celso Ramos, a partir de 1961, se encarregou de consolidar. Um dos fundadores da UDN (União Democrática Nacional) em Santa Catarina, Hülse instalou o partido em Criciúma, onde, desde muito cedo, começou a aparecer como importante liderança política regional.

Dentre suas obras, está a construção do hospital de Lages e dos fóruns de Criciúma e Tubarão.

Celso Ramos – 1961 a 1966

Vice: Francisco Xavier Fontana

Assume em 31 de janeiro de 1961. Em 30 de junho de 1963, Celso Ramos viaja para fora do país, assumindo, até o dia 01 de agosto de 1963, Ivo Silveira, presidente da Assembléia Legislativa.

O fato de o PSD contar com maioria de votos (metade mais um), na Assembléia Legislativa, permitiu que seu governo realizasse todas as obras planejadas.

Sendo assim, inaugurou toda a estrutura que faltava ao desenvolvimento catarinense: um banco estatal (BESC), uma universidade (UDESC), uma concessionária de energia (CELESC) e um fundo de desenvolvimento (o FUNDEC). Elaborou, ainda, o primeiro orçamento plurianual de um estado brasileiro; foram construídas milhares de escolas e dezenas de ginásios; e foram criadas a ERUSC (Empresa de Eletrificação Rural de Santa Catarina) e a Secretaria dos Negócios do Oeste.

Santa Catarina, durante seu governo, foi escolhida como sede do encontro regional dos três estados do Sul, com os governadores Leonel Brizola (Rio Grande do Sul) e Ney Braga (Paraná) e a reunião aconteceu no Palácio Rosado, hoje Palácio Cruz e Sousa.

Ivo Silveira – 1966 a 1971

Vice: Francisco Dall´Igna/ Jorge Konder Bornhausen

Em 31 de janeiro de 1966, Ivo Silveira, presidente da Assembléia Legislativa, assume o cargo de governador do Estado.

Em 10 de março de 1967, o vice Francisco Dall´Igna teve seu cargo cassado por ser do PTB, partido do presidente da república João Goulart, que havia sido deposto em 31 de março de 1964. Assim, Jorge Konder Bornhausen assume a vice-governança, permanecendo no cargo até 15 de março de 1971.

Em seu governo, Silveira implantou uma ação, que serviu de exemplo para o país, para resolver o problema de perda de dinheiro dos produtores, que não tinham armazéns para estocar sua produção, vendendo-a na oportunidade certa. Ivo Silveira determinou à Secretaria do PLAMEG que abrisse uma linha de crédito especial, com juros baixos e prazos longos, para financiar cooperativas agropecuárias que quisessem construir seus armazéns. A atitude motivou o governo federal a modificar as normas de crédito bancário.

O governo de Ivo Silveira serviu mais uma vez de exemplo ao país na reforma na rede de distribuição de energia elétrica, que passou de 134 localidades em 1966 para 715 em 1968.

GOVERNADORES DO ESTADO ELEITOS POR VOTO INDIRETO

Colombo Machado Salles – 1971 a 1975

Atílio Francisco Xavier Fontana

Em 15 de março de 1971, o engenheiro Colombo Machado Salles assume o cargo de governador do Estado.

Seu governo fundamentou-se no Projeto Catarinense de Desenvolvimento, depois transformado em Ação Catarinense de Desenvolvimento. A estratégia do projeto era a dinamização dos centros urbanos já relativamente desenvolvidos, que concentrassem parcelas de renda e estas permitissem um reimpulsionamento econômico com repercussões sociais.

Em seu governo, a mais cara de suas obras foi a implantação de 85 mil telefones. Além disso, foi construída a Ponte Colombo Salles.

Antônio Carlos Konder Reis – 1975 a 1979

Vice: Marcos Henrique Büechler

Em 15 de março de 1975, Antônio Carlos Konder Reis assume o cargo de governador do Estado.

Na administração de Konder Reis, algumas obras e serviços como a construção de rodovias federais tiveram o apoio do governo federal, através do presidente Geisel.
O lema do governo de Konder Reis era “Governar é encurtar distâncias”. O lema se referia a encurtar distâncias sociais e econômicas e a prioridade no plano de governo era a construção de estradas.

Outras ações importantes: criação do BADESC (Banco de Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina); eletrificação rural, através da ERUSC (Eletrificação Rural de Santa Catarina); construção de novos hospitais; instalação do CNPSA (Centro Nacional de Pesquisa de Suínos e Aves), na área agrícola; construção de vários campus universitários etc.

Jorge Konder Bornhausen – 1979 a 1982

Vice Henrique Córdova

Em 15 de março de 1979, Jorge Konder Bornhausen assume o cargo de governador do Estado.

Em 05 de maio de 1980, Jorge Bornhausen viaja para o exterior, assumindo, até o dia 12 de maio de 1980, o governo o Presidente da Assembléia Legislativa Deputado Moacir Bértoli.

Na administração de Bornhausen, pavimentou mil quilômetros de rodovia em três anos; foi construído o Terminal Rita Maria; instalou 15 quilômetros de linhas de eletrificação rural; construiu o CIC (Centro Integrado de Cultura) e a FCEE (Fundação Catarinense de Educação Especial).

Bornhausen não terminou seu mandato em virtude de ter se candidatado e eleito senador.

Henrique Helion Velho de Córdova – 1982 a 1983

Em 14 de maio de 1982, Jorge Bornhausen transmite o cargo de governador ao Vice Henrique Córdova, em virtude da renúncia advinda da eleição para seu novo cargo.

Em 05 de janeiro de 1983, Henrique Córdova viaja para o exterior em caráter particular, assumindo, até o dia 10 de janeiro de 1983, o Desembargador Francisco May Filho, Presidente do Tribunal de Justiça.

Em 10 de janeiro de 1983, é transmitido o cargo de governador, de Francisco May Filho, Presidente do Tribunal de Justiça, ao Presidente da Assembléia Legislativa Deputado Epitácio Bittencourt, até 27 de janeiro de 1983.

As metas de seu governo eram o salário e as obras municipais, sendo o primeiro governador a dar uma reposição salarial fora dos padrões que existiam na época. Por isso, foi a Brasília explicar porque havia dado aumento acima dos limites: é que Santa Catarina tinha condições para fazer isso, mas os outros estados não.

GOVERNADORES DO ESTADO A PARTIR DE 1983, VOTO DIRETO

Esperidião Amin Helou Filho – 1983 a 1987

Vice Victor Fontana

Em 15 de março de 1983, Esperidião Amin Helou Filho assume o cargo de governador do Estado.

Em 24 de junho de 1986, viaja para o exterior e o Desembargador Geraldo Gama Salles, Presidente do Tribunal de Justiça, assume o governo até o dia 01 de julho de 1986.

Amin criou, em sua administração, a Secretaria da Reconstrução, extinta após o fim de seu governo, que objetivava restaurar as perdas decorrentes das enchentes de 1983 e 1984 e da seca de 1985.

O destaque de seu governo foi para os transportes: foram construídos mais de mil quilômetros de rodovias pavimentadas.

O apoio aos pequenos empresários rurais e urbanos também foi algo positivo em seu governo: chegou a criar uma linha de crédito no BESC, denominada Pequenos Negócios.

Pedro Ivo Figueiredo de Campos – 1987 a 1990

Vice Casildo João Maldaner

Em 15 de março de 1987, Pedro Ivo Campos assume o governo do Estado.
Em 27 de fevereiro de 1990, morre, de câncer, o governador do Estado, Pedro Ivo Campos.

Houve um esforço do governo para a recuperação financeira do Estado; além do BADESC, a principal instituição financeira, o BESC era o grande desafio. Para sanear o banco, a administração tomou várias decisões como: redução no número de diretorias, de infra-estrutura e de empregados, entre outras.

Destaca-se, neste governo, a reforma ou ampliação de uma unidade de saúde por semana; a quadruplicação da capacidade de processamento do CIASC.

Casildo Maldaner – 1990 a 1991

Em 28 de fevereiro de 1990, em decorrência da morte de Pedro Ivo Campos, Casildo Maldaner assume o governo do Estado.

Em 02 de janeiro de 1991, Casildo Maldaner viaja para o exterior, assumindo o governo, até o dia 10 de janeiro de 1991, o Presidente da Assembléia Legislativa, Deputado Heitor Sché.

Dentre as preocupações administrativas, destacou-se a proteção com o meio ambiente, com a criação da Companhia de Polícia de Proteção Ambiental.
Tornou-se popular pelo uso de frases e trocadilhos.

Vilson Pedro Kleinübing – 1991 a 1995

Vice Antônio Carlos Konder Reis

Em 15 de março de 1991, Vilson Pedro Kleinübing assume o governo do Estado.
Em 25 de maio de 1992, Vilson Kleinübing viaja para o exterior (Washington), assumindo o governo, até 01 de junho de 1992, o Deputado Otávio Gilson dos Santos, Presidente da Assembléia Legislativa. Obs: O Vice-governador Antônio Carlos Konder Reis viajou nesta mesma época para a Antártida.

Em 02 de abril de 1994, Konder Reis assume o governo, em virtude da renúncia do Senhor Vilson Kleinübing, pelo imperativo da Legislação Eleitoral.

O SIM (Saúde, Instrução e Moradia) era o tripé no qual apoiou o seu programa de governo. Porém, os investimentos feitos atingem muitas outras áreas, como as de tecnologia, transportes, turismo e agricultura. A recuperação do patrimônio público, em escolas e redes hospitalares, também foi um passo importante para o Estado.

Paulo Afonso Evangelista Vieira – 1995 a 1999

Vice José Augusto Hülse

Em 01 de janeiro de 1995, Paulo Afonso Evangelista Vieira assume o cargo de governador do Estado, elegendo como diretrizes a “construção de um Estado de Qualidade”, com diversos projetos em áreas prioritárias.

Em 29 de janeiro de 1997, Paulo Afonso transmite o cargo de governador ao Presidente da Assembléia Legislativa Deputado Pedro Bittencourt Neto, que permanece até 06 de fevereiro de 1997. Paulo Afonso realizou viagem a Suíça, para participar da Reunião Anual do World Economie Fórum, bem como outros países europeus para contatos com empresários estrangeiros e encontros com representantes de instituições internacionais.

Em 22 de maio de 1998, Paulo Afonso transmite o exercício do cargo de governador ao Exmo. Sr. Desembargador João Martins, Presidente do Tribunal de Justiça, que permanece até o dia 01 de junho de 1998.

Em 30 de julho de 1998, Paulo Afonso viaja ao exterior, transmitindo o cargo de governador do Estado ao Exmo. Sr. Desembargador João Martins, Presidente da Assembléia Legislativa, que permanece até 31 de julho de 1998.

Governo Esperidião Amin Helou Filho – 1999 a 2003

Vice Paulo Roberto Bauer

Em 01 de janeiro de 1999, o Exmo. Sr. Esperidião Amin Helou Filho assume o governo do Estado.

Nessa sua segunda gestão, fixou cinco postulados para seu planejamento governamental, a saber: “Incluir, Crescer, Preservar, Parceria e Bom Exemplo”.
Em 10 de janeiro de 2001, Esperidião Amin Helou Filho viaja aos Estados Unidos da América, passando o cargo de governador do Estado ao Deputado Gilmar Knaesel, tendo em vista que o vice-governador está em período de licença. O deputado permanece no cargo até 14 de janeiro de 2001.

Em 10 de maio de 2002, Esperidião Amin Helou Filho viaja ao exterior, passando o cargo de governador ao Desembargador Antônio Fernando do Amaral e Silva, Presidente do Tribunal de Justiça, que permanece até o dia 21 de maio de 2002.
Em 13 de agosto de 2002, Esperidião Amin Helou Filho viaja ao exterior, passando o cargo de governador ao Desembargador Antônio Fernando do Amaral e Silva, Presidente do Tribunal de Justiça, que permanece até o dia 16-08-2002.

Governo Luiz Henrique da Silveira – 2003 a 2007

Vice Eduardo Pinho Moreira

Em 01 de janeiro de 2003, o Exmo. Sr. Luiz Henrique da Silveira assume o governo do Estado.

O ponto chave de seu governo é a descentralização, para que o governo esteja efetivamente presente em todo o território catarinense. Para tanto, está sendo realizada uma reengenharia da estrutura governamental, que promove a redistribuição de funções, substituindo funções centralizadas por regionalizadas. Essa regionalização fundamenta-se nas secretarias e nos conselhos de desenvolvimento regional.

Além desta característica da gestão, estão presentes a municipalização, a prioridade social e a modernização tecnológica.

Governo Luiz Henrique da Silveira – 2008 a 2011

Bibliografia sobre história de SC:

Agradecimentos ao Arquivo Público de Santa Catarina e ao Instituto Geográfico e Histórico de Santa Catarina.

Fontes consultadas:

Piazza, Walter Fernando. Santa Catarina: história da gente. Ed. Lunardelli, 1989.

Atlas Geográfico de Santa Catarina. Governo do Estado de Santa Catarina. 1986.

Bibliografia sobre governadores

Livro de atas do governo

Diário Catarinense  – Caderno Governadores de Santa Catarina, 25 de novembro de 1993

Cabral, Oswaldo Rodrigues – História de Santa Catarina 3. ed.

Florianópolis Lunardelli, 1987.  p.  386-388.

MAIS SANTA CATARINA

Surf e História respondem pelo turismo na região ao sul de Florianópolis. As ondas de Garopaba e Imbituba dividem com o fascínio histórico de Laguna o mérito de atrair milhares de visitantes para a região, onde belos cenários naturais também estimulam a prática do ecoturismo.

Ondas com tamanho e formação ideais para o surf fazem com que a região entre a Guarda do Embaú e Laguna seja conhecida como “Havaí Brasileiro”, atraindo surfistas o ano inteiro. Garopaba é o pólo irradiador do surf na região, e praias como Ferrugem e Silveira são famosas em todo o Brasil. O mesmo acontece com as praias do Rosa e da Vila, no vizinho município de Imbituba, e do Mar Grosso e Farol de Santa Marta, em Laguna.

A História dá o tom em Laguna. Terra de Anita Garibaldi e capital da República Juliana no Século XVIII, a cidade possui mais de 600 prédios tombados. Nos museus e ruas do Centro Histórico, respira-se um passado de guerras e heroísmo. Ali perto, o Farol de Santa Marta emociona. Construído por franceses em 1891, é o maior em alcance visual das Américas. Domina, imponente, a ponta do cabo que lhe dá o nome, cercado por dunas brancas e belas praias.

Mais ao sul, o litoral afasta-se da serra, as praias tornam-se longas lâminas de areia varridas pelo vento, as povoações escasseiam. Ainda assim, até a fronteira com o Rio Grande do Sul, a região apresenta gratas surpresas naturais.

Maior cidade de Santa Catarina, com quase 500 mil habitantes, Joinville abre o Caminho dos Príncipes. Um roteiro bucólico que atravessa cidades como Jaraguá do Sul, Rio Negrinho, São Bento do Sul e Corupá. Percorrê-lo é descobrir a simplicidade e a beleza do interior catarinense, temperadas pela rica tradição germânica.

Situada entre a Serra do Mar e a Baía da Babitonga, Joinville é o maior parque industrial e também o maior centro exportador de Santa Catarina. Harmoniza avenidas largas e shopping centers com uma bela arquitetura colonial germânica e o ar pacato de cidade do interior.

Tomando-se a SC-301, logo acima de Joinville, ingressa-se num roteiro mágico que leva até Campo Alegre, São Bento do Sul e Rio Negrinho. São cidadezinhas tipicamente alemãs, com casarões de madeira e ruas impecavelmente limpas. São Bento é a mais próspera, mas seus 60 mil habitantes conseguem harmonizar o progresso com a preservação dos encantos do passado.

Partindo de Rio Negrinho pela Ferrovia das Cachoeiras, em uma antológica Maria-Fumaça, ou mesmo pela moderna rodovia que serpenteia serra abaixo, chega-se até Corupá. Ali, a atração são as cachoeiras que brotam das encostas, mapeadas por trilhas ecológicas. Pouco mais abaixo, Jaraguá do Sul é importante pólo industrial. Tem 100 mil habitantes, a cordialidade de cidade pequena e a fama de excelente local para a prática de canoagem e asa-delta.

Um pedaço da Alemanha encravado em plena Santa Catarina. Assim é o Vale do Itajaí, onde cidades como Blumenau, Brusque e Pomerode preservam a cultura e as tradições dos imigrantes que colonizaram a região. Esta reverência germânica é visível na arquitetura e na culinária, no artesanato e nas festas, nos olhos azuis e nos cabelos loiros da população.

Blumenau é o centro deste enclave germânico. Maior pólo têxtil do Brasil, famosa por seus cristais e porcelanas, a cidade debruça-se bela sobre o Rio Itajaí-Açu. Largas avenidas pontilhadas de construções típicas, pontes que abraçam o rio e animadas cervejarias abrigam uma gente hospitaleira. A Vila Itoupava, distante 25 Km do centro, é um interessante conjunto de construções em estilo enxaimel, restaurantes típicos e pontos de venda de produtos coloniais.

Com mais de 120 indústrias, Brusque é conhecida como a “Cidade dos Tecidos”. É o maior pólo de pronta-entrega de confecções do Sul do Brasil. Possui uma renda per capita em torno de US$ 6.500,00 – bem acima da média nacional – e atrações que vão desde sua arquitetura e culinária tipicamente alemãs até o fascínio da Caverna de Botuverá, uma das mais belas do país.

Embora menor, Pomerode é considerada a cidade mais alemã do Brasil. Distante 32 Km de Blumenau, destaca-se por suas porcelanas, pelo bilingüismo (95% da população fala fluentemente o alemão) e, como não poderia deixar de ser, pela arquitetura e culinária tipicamente germânicas.

Quem percorre os caminhos do Sul descobre, nas dobras do interior e no povo ímpar que as habita, um jeito italiano que surpreende e agrada. Maior corrente migratória recebida pelo estado, os italianos representam quase 65% da população catarinense.

Existem colônias italianas ao norte e oeste do estado, mas o principal e mais homogêneo reduto italiano de Santa Catarina fica no sul. Lá, degustar um bom vinho, comprar produtos caseiros, apreciar dialetos e canções tradicionais são prazeres simples que gratificam o visitante.

Urussanga é a capital da “Pequena Itália”. Sede da Festa do Vinho, é uma agradável cidadezinha, salpicada de casas coloniais e cantinas transformadas em simpáticos restaurantes caseiros. A réplica da “Pietá” de Michelangelo, doada pelo Vaticano e exposta no interior da Igreja Matriz, é outra atração da localidade.

Em Orleans, o Museu ao Ar Livre preserva casas, engenhos e equipamentos dos primeiros imigrantes e a Via Sacra foi arrancada da rocha pelo escultor Zé Diabo. Em Nova Veneza, a atração é a antiga casa da Família Bratti, o mais excepcional conjunto arquitetônico feito em taipa de pedra da região.

Complementam o circuito os municípios de Criciúma, Pedras Grandes, Treze de Maio, Sangão, Morro da Fumaça, Cocal do Sul, Siderópolis, Forquilhinha, Maracajá, Morro Grande, Meleiro, Turvo e Jacinto Machado. Jeitos e rostos de um mundo simples, com sabor italiano.

Aconchegada entre as verdes colinas do Meio-oeste catarinense, Treze Tílias é uma verdadeira viagem aos Alpes austríacos. Uma cidade de 4 mil habitantes, recheada de telhados pontiagudos, floreiras nas janelas e simpáticos olhos azuis. Uma herança cultural tirolesa, que transparece também nas danças ao som de bandinhas típicas e nos ateliês de escultura em madeira, um dos maiores atrativos da cidade. Boa parte dos moradores tem dupla nacionalidade e vota nas eleições austríacas através do vice-consulado daquele país existente na cidade. Um pedacinho da Europa em terras tropicais, onde analfabetos e desempregados praticamente não existem.

Já Fraiburgo teve colonização de alemães e italianos. Com 40 mil habitantes, é considerada a Capital Nacional da Maçã, responsável por 45% da produção nacional. Tudo na região gira em torno do fruto proibido, dos cenários verdes de pomares que sobem colinas ao prato mais típico da região: torta de maçã.

Além dos europeus, o Meio-oeste catarinense também tem asiáticos. Perto de Curitibanos, em Frei Rogério, uma intrigante comunidade japonesa trabalha a terra, para dela extrair verduras, frutas e flores multicoloridas. Com proverbial perseverança, colore os campos da região com cravos e crisântemos. Muitos sequer falam português. Vivem bem consigo mesmos, cultuando em silêncio a terra e a tradição dos seus antepassados.

No inverno, o cenário de neve, pinheiros e frio surpreende e torna ainda mais bela a natureza agreste do Planalto Catarinense. Pequenas cidades e povoados rurais emolduram e complementam o espetáculo natural de serras e planícies cortadas por cânions e, mesmo estando-se a menos de 100 Km do litoral, respira-se o revigorante ar gelado das montanhas.

Basta deixar a BR-101 e aventurar-se pela Serra do Rio do Rastro, ou do Corvo Branco, para maravilhar-se com os cenários que se sucedem a cada curva da sinuosa estrada. Montanhas cobertas de Mata Atlântica são lentamente substituídas por araucárias seculares e cachoeiras pontuam rios de água cristalina. No planalto, campos gramados, demarcados por rústicas taipas de pedra, abrigam rebanhos de gado e são, ocasionalmente, cobertos por fina camada de neve. Hotéis-fazenda espalham-se pela região, recuperando a vida simples do interior, o trato com os animais e as tradições que vieram do Sul.

Urubici, a 1.820 metros de altitude, é a cidade mais fria do estado, e lá a temperatura chega aos zero graus no auge do inverno. São Joaquim – segundo produtor regional de maçã – recebe maior incidência de neve e, por conseqüência, o maior número de visitantes da região. Lages, mais para o oeste, foi passagem dos tropeiros que ligavam o Rio Grande do Sul a São Paulo e ainda hoje por lá predominam a cultura campeira, o pinhão, o churrasco e o chimarrão.

O povo de Santa Catarina, multifacetado étnica e culturalmente, possui uma característica comum: o gosto pelas festas. Além do Circuito de Festas de Outubro, liderado pela Oktoberfest, durante todo o ano animam o estado diversas festividades étnicas, religiosas e culturais que reafirmam o jeito alegre e descontraído do catarinense.

Dez festas compõem o Circuito de Outubro, misturando tradições alemãs, portuguesas, austríacas e italianas, com farta gastronomia e muita cerveja.

A Oktoberfest de Blumenau comanda o espetáculo. É o maior evento popular do país, depois do Carnaval, e atrai quase um milhão de visitantes. Durante 17 dias são consumidos 400 mil litros de chope, ao som de bandinhas típicas da Alemanha e muita descontração.

A Fenarreco de Brusque, a Fenachopp de Joinville, a Schützenfest de Jaraguá do Sul, a Musikfest de São Bento, a Kegelfest de Rio do Sul e a Oktoberfest de Itapiranga são eventos que revivem as tradições germânicas. A cultura austríaca é apresentada na Tirolerfest de Treze Tílias, e a Quermesse da Cultura e Tradição, em Criciúma, resgata a herança italiana. Em Itajaí, o vinho, a bacalhoada e o som do fado falam na Marejada do passado açoriano dos habitantes do litoral.

No resto do ano, inúmeras outras festividades espalham-se por todo o território de Santa Catarina. Destaque para o Festival de Inverno, em São Joaquim, e a Festa do Pinhão, em Lages.

Brota das profundezas da terra, quente e cristalina, uma das maiores riquezas de Santa Catarina. São as fontes termais, de qualidade só comparável às melhores do mundo, e que atraem milhares de visitantes aos balneários construídos para seu melhor aproveitamento. Muitos buscam apenas repouso e lazer, outros a cura para seus males, já que as propriedades terapêuticas destas águas – com temperaturas em torno de 38º graus – curam reumatismo, artrite, problemas de estômago, intestino e pele, estafa, insônia e nervosismo.

As principais termas de Santa Catarina estão equipadas com completa infra-estrutura turística, propiciando uma atmosfera de tranqüilidade aos que nelas buscam a solução para seus males, ou apenas deliciosos momentos de relaxamento e paz. Destacam-se Gravatal, Águas Mornas e Santo Amaro da Imperatriz, próximas ao litoral, e Piratuba, Águas de Chapecó, Palmitos e São Carlos, no Oeste do estado. Além destas principais, inúmeras pequenas fontes termais espalham-se por todo o território catarinense, visitadas por turistas vindos de vários pontos do país e até do exterior. Um complemento natural e saudável da geografia privilegiada com que a região foi agraciada.

Para quem gosta de natureza, Santa Catarina é o paraíso. A diversidade geográfica do estado, aliada a uma cobertura vegetal rica e preservada, garante aos adeptos do ecoturismo opções fascinantes. Mergulho, vôo-livre, trekking, montanhismo, canoagem e rapel são algumas das modalidades esportivas praticadas com entusiasmo em terras catarinas.

Para mergulhar, nenhum local supera a Reserva Biológica do Arvoredo, um conjunto de três ilhas situado entre Porto Belo e Florianópolis. Ali se encontram a Corrente das Falklands, de águas geladas, com a tépida Corrente do Brasil, produzindo uma notável miscigenação da vida marinha. Outras ilhas, como a do Campeche, em Florianópolis, também propiciam boas condições de mergulho, assim como costões e enseadas em quase toda a costa catarinense, entre Laguna e São Francisco do Sul.

Nas encostas da Serra do Mar, quem gosta de sentir o sangue pulsar forte nas veias não se decepciona. Descer cachoeiras em Presidente Getúlio, atirar-se de bote nas correntes do Rio Itajaí-Açu, voar de asa-delta em Jaraguá do Sul ou fazer trekking em Florianópolis ou na Serra do Corvo Branco são alguns esportes ecológicos possíveis no cenário agreste da Mata Atlântica catarinense.

As cachoeiras de Corupá e a fantástica Caverna de Botuverá também são ícones do ecoturismo local, um segmento que representa nova e promissora fonte de recursos para o estado.

Embora ocupe pouco mais de 1% do território brasileiro, Santa Catarina possui papel de destaque no cenário nacional, e não apenas por seus animadores índices sociais e econômicos. Sua diversidade cultural, étnica e geográfica, assim como uma privilegiada localização em relação aos países do Mercosul, representam um enorme potencial para a afirmação do estado como um dos principais destinos turísticos do país.

Um litoral privilegiado, pontos turísticos já consagrados como Florianópolis, Balneário Camboriú e Blumenau, serras belíssimas e um completo circuito de festas conquistam o visitante. Estas atrações fazem com que o estado receba algo em torno de 4 milhões de turistas anualmente, um número em constante crescimento.

No ecoturismo, segmento que mais cresce dentro do turismo mundial, florescem as melhores perspectivas para Santa Catarina. Suas cachoeiras, a Floresta Atlântica bastante preservada, rios cristalinos e imponentes montanhas atraem um contingente cada vez maior de amantes dos esportes ditos naturais, do alpinismo ao trekking, do ciclismo de montanha ao rafting. Uma tendência que poderá transformar a região no mais novo pólo ecoturístico mundial, um destino que parece haver sido traçado especialmente para esta terra com nome da santa e abençoada pela natureza.

A diversidade geográfica e humana de Santa Catarina é surpreendente para um território de apenas 95,4 mil km² – do tamanho aproximado de países como a Áustria, Hungria, Irlanda ou Portugal. Uma viagem de poucas horas de carro é suficiente para experimentar mudanças radicais no clima, na paisagem, nos sotaques e culturas.

Com atrativos diferenciados e de fácil acesso, o estado tem vocação acentuada para o turismo. Visitá-lo é um deleite, tanto para quem quer férias tranqüilas, como para os que buscam a aventura de esportes ligados à natureza: vela, remo, surfe, canoagem, rapel, parapente, asa-delta, alpinismo, trekking… Há oito estâncias hidrominerais, 14 áreas federais e 5 estaduais de proteção ambiental, além de dezenas de parques ecológicos municipais.

Santa Catarina fica no Sul do Brasil, bem no centro geográfico das regiões de maior desempenho econômico do país, Sul e Sudeste, e em uma posição estratégica no Mercosul. O Estado faz fronteira com a Argentina na região Oeste. Florianópolis, a Capital, está a 1.850 km de Buenos Aires, 705 km de São Paulo, 1.144 do Rio de Janeiro e 1.673 de Brasília. Sua posição no mapa situa-se entre os paralelos 25º57’41” e 29º23’55” de latitude Sul e entre os meridianos 48º19’37” e 53º50’00” de longitude Oeste.

O fuso horário é igual ao oficial do Brasil: três horas a menos em relação a Greenwich. Uma vez por ano – em geral entre outubro e fevereiro – adota-se o Horário de Verão, no qual os relógios são adiantados uma hora para poupar energia. A tensão elétrica no estado é de 220 Volts.

O clima mesotérmico predominante em Santa Catarina proporciona temperaturas agradáveis, variando de 13 a 25° C, com chuvas distribuídas durante todo o ano.
Ao contrário da maior parte do território brasileiro, aqui as quatro estações são bem definidas. Os verões são quentes, ensolarados. E a região do Planalto Serrano, com altitudes que atingem 1.820 metros, é onde há a maior ocorrência de neve no inverno no Brasil.

1. Litoral
Os 500 quilômetros de litoral são um paraíso para quem busca belas praias e o contato com a natureza. Esta região, colonizada por açorianos no século XVIII, tem um relevo recortado, com baías, enseadas, manguezais, lagunas e mais de 500 praias. É, ainda, uma das mais importantes áreas de biodiversidade marinha do Brasil.
As principais cidades são Florianópolis, São José, Laguna, Imbituba, Itajaí, Balneário Camboriú e São Francisco do Sul. A pesca e o turismo são atividades econômicas marcantes.

Florianópolis, capital e centro administrativo do Estado, é uma cidade privilegiada: situa-se em uma bela ilha oceânica com 523 quilômetros quadrados. Ela é a capital brasileira que oferece melhor qualidade de vida e o terceiro município brasileiro mais visitado por turistas estrangeiros, atrás apenas de Rio de Janeiro e São Paulo. A área do município também inclui uma porção continental, ligada à parte insular por três pontes. Seus 280 mil habitantes convivem com o ritmo ágil de um centro urbano cosmopolita e com a tranqüilidade dos vilarejos construídos pelos colonizadores açorianos. As 100 praias da cidade são em sua maioria limpas e próprias para banho.

2. Nordeste
Com forte tradição germânica, o Nordeste do estado concilia uma economia dinâmica com o respeito à natureza exuberante. Indústrias do ramo eletro-metal-mecânico dividem espaço com as densas florestas da Serra do Mar e as águas da Baía de Babitonga. A região tem alto poder aquisitivo e excelente qualidade de vida. Suas principais cidades são Joinville (a maior de Santa Catarina, com 500 mil habitantes) e Jaraguá do Sul.

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Depois dos imigrantes açorianos, foram os alemães que vieram para o estado de Santa Catarina e fundaram núcleos agrícolas, em regime de pequena propriedade rural. Já em 1812, muitos imigrantes haviam chegado ao Estado do Espírito Santo, para fundar a Colônia Santo Agostinho; seguindo-se, em 1818, na Bahia, a Colônia Leopoldina; em 1820 Nova Friburgo, no Rio de Janeiro; e, para encerrar, em 1822, com a Colônia São Jorge dos Ilhéus, no sul baiano, o ciclo da colonização alemã na região montanhosa do litoral médio brasileiro. Em 1824 é fundada, no Rio Grande do Sul, a Colônia São Leopoldo. Mas seria o estado de Santa Catarina, pelas suas características peculiares de clima e solo, que mais atrairia os imigrantes teutos que, no Brasil meridional, acabariam por encontrar um ambiente propício para recriar o mundo que sonhavam para si e seus descendestes, onde a vida lhe pudesse, mais facilmente, possibilitar sorrisos e prosperidade.

E foi em Santa Catarina que nascia, em 1º de março de 1829, às margens da projetada estrada Desterro-Lages, a Colônia São Pedro de Alcântara, na grande Florianópolis, hoje definitivamente integrada, pela fusão de hábitos e experiências, com as demais correntes migratórias que povoaram a Província de Santa Catarina, tornando-a cenário ímpar, no setor cultural, em função da multifacetada configuração étnica de seu povo.

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“O imigrante é aquele que deixa sua terra de origem para viver num outro país.” Insatisfeito com a sua situação, sem perspectiva para si e para a sua família, decide tentar a vida em outro lugar, com o intuito de não retornar mais ao seu país de origem. O imigrante difere do empresário ou do aventureiro estrangeiro, pois o primeiro possui capital e deseja aumentá-lo. Não tem a intenção de permanecer para sempre no país, de criar raízes, mas, simplesmente, de expandir os seus negócios. O aventureiro, como o termo já indica, deseja viver novas experiências, conhecer novos lugares sem a intenção de se estabelecer em qualquer região definitivamente.

O século XIX é conhecido como o século da emigração europeia em massa, pois só dos Estados Alemães emigraram por volta de 5 milhões de pessoas, a maioria para os Estados Unidos da América, outros estabeleceram-se no Brasil, Canadá, Argentina e Austrália.

Qual a razão ou as razões que levaram tantos alemães a deixarem a sua terra para ir tentar a vida em regiões distantes, desconhecidas, onde eles não dominavam a língua nem os usos e costumes; lugares esses, na maioria das vezes, desabitados, cobertos de florestas, como no sul do Brasil? Uma vez tomada à decisão de emigrar, como é que os camponeses alemães, pessoas com pouco recurso e pouca instrução, conseguiram escolher o país de destino, chegar até o porto europeu mais próximo e, uma vez chegado ao país escolhido, por exemplo, o Brasil, viajar até uma colônia?

Estas e outras perguntas tentaremos responder, de maneira sucinta, a seguir.

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Para entendermos o que realmente significava para um alemão do século passado emigrar para o Brasil, devemos ter sempre em mente as condições dos meios de comunicação existentes na época, que eram muito mais lentos e deficientes do que os de hoje. Uma carta para chegar de uma cidade a outra demorava, dependendo da distância, alguns dias, e do Brasil à Alemanha ou vice-versa, algumas semanas ou, no começo do século, mais de um mês. Outro fato que devemos considerar é que o Brasil era, naquela época, um país desconhecido para a grande maioria dos alemães. Mesmo se alguns dentre eles já haviam ouvido falar desse “país tropical”, provavelmente não conseguiam imaginar como era ele, pois a fotografia só passou a ser utilizada com frequência pela imprensa a partir do final do século XIX. A única fonte que os emigrantes dispunham para ter um pouco mais de informação sobre o Brasil, ou outro país do Novo Mundo, era através de artigos de revistas e jornais ilustrados, que, além do texto, muitas vezes publicavam gravuras retratando os portos, o interior dos navios e as colônias, por exemplo, as já fundadas no sul do Brasil.

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PAÍS DE ORIGEM: ALEMANHA DO SÉCULO XIX

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A Alemanha passou a ser uma nação como hoje a conhecemos a partir de 1871, com a unificação dos Estados Alemães feita por Otto von Bismarck. Mas, para facilitar o entendimento da história da emigração alemã anterior à unificação, usaremos, algumas vezes a denominação de “Alemanha” para aqueles Estados da Confederação Alemã (1815-1866) que tinham como idioma o alemão.

Vários fatores foram responsáveis pela grande emigração dos alemães durante o século XIX, como por exemplo, perseguições políticas e religiosas, dificuldades sociais e uma necessidade muito grande de melhoria de vida. Mas os motivos para o “abandono definitivo da pátria”, o “empurrão” final, foram as más colheitas, o aumento dos preços dos alimentos, a fome que isto provocou nas camadas mais pobres da sociedade, os impostos pesados cobrados pelos proprietários de terra, as guerras e o serviço militar. Estes problemas todos estavam ligados às modificações socioeconômicas que ocorreram nos Estados Alemães durante a primeira metade do século XIX, influenciadas pelos ideais da Revolução Francesa (1789). A sociedade era, até o início do século, predominantemente agrária. A indústria manufatureira só pôde se desenvolver no momento em que passou a haver um excedente de mão-de-obra proveniente do setor agrário. Isto só ocorreu quando a terra passou a ser cultivada de uma maneira mais racional e com o desenvolvimento de novas técnicas agrícolas. Para tanto, foi necessário destruir o sistema agrário vigente, extremamente tradicional, nos Estados Alemães, libertando os camponeses dos ainda existentes resquícios feudais, isto e, da servidão ou semi-servidão e das suas obrigações para com seus senhores, transformando-os, aos poucos, em trabalhadores assalariados que pudessem ser absorvidos pelo setor industrial nascente.

Na França, a revolução de 1789 pôs fim ao sistema feudal, dando início a uma nova ordem social e econômica, a burguesa e capitalista, que aos poucos foi se introduzindo na Europa Ocidental. Na Prússia, estas transformações socioeconômicas foram feitas sem revolução. Através de decretos e leis, os proprietários feudais passaram a ser empreendedores capitalistas e os seus antigos servos, ou dependentes, trabalhadores assalariados e sem terra. A servidão ou semi-servidão foi substituída, a partir de 1811, por uma quantia em dinheiro ou pela entrega da terceira parte ou mesmo da metade das terras dos servos aos antigos proprietários. Como nem todos os camponeses tinham como pagar aos seus antigos senhores acabaram perdendo uma parte das suas propriedades. A terra passou a serem um bem negociável, as limitações de sua venda e compra foram suprimidas, as terras comunais (florestas e pastos) foram, a partir de 1821, cercadas e divididas. Cada membro de uma comunidade recebeu uma indenização proporcional ao número e espécie de animais que possuía. O regulamento de 1821 favoreceu os grandes e médios proprietários, prejudicando os pequenos e aquela parte da população que não possuía terra, mas que sempre tivera o direito de usar os bens coletivos. Este último grupo se viu, de uma hora para a outra, desprovido de tudo. Por outro lado, com a divisão das terras comunais, houve uma concentração do solo nas mãos de uns poucos. Houve sempre diferenças entre os Estados Alemães na forma e ano em que as reformas agrárias foram efetuadas, mas, de uma maneira geral, a classe camponesa, antes possuidora de 52% do patrimônio público, ficou apenas com 14% deste após as reformas.

A estrutura social do mundo agrário alemão passou a ser dividida em: a) grandes proprietários; b) camponeses pequenos proprietários; c) trabalhadores rurais sem terra. Em 1849, havia na Prússia por volta de dois milhões de trabalhadores rurais assalariados, isto é, sem terra.

A partir de 1830, a pobreza tornou-se um fenômeno de massa nos Estados Alemães, atingindo uma grande parcela do campesinato e até mesmo dos artesãos. É que houve, a partir de meados do século XVIII, devido a vários fatores, um aumento demográfico nunca visto anteriormente e que não foi acompanhado pelo aumento da produtividade de alimentos, já que o sistema agrário continuava estagnado. A oferta de mão-de-obra era muito maior do que a procura, sendo a situação pior naquelas regiões não industrializadas. Nessas regiões não industrializadas, a miséria era ainda maior, pois não havia possibilidade de trabalho para os camponeses. O pessimismo tomou conta da sociedade, que não via como resolver de imediato a baixa produtividade agrária. A única solução visível era a emigração dessa “massa de pobres”, insatisfeitos e famintos, uma ameaça latente para a sociedade, evitando assim possíveis revoltas.

Josef Umann, um imigrante alemão proveniente de Rochlitz, Boêmia, hoje região da República Tcheca, chegou ao Brasil em 1877 e estabeleceu-se na Linha Cecília, colônia vizinha de Alto Sampaio (Rio Grande do Sul). Ele escreveu sua biografia e, como deixou sua terra com 27 anos e com experiência profissional, retratou muito bem as condições de vida da população da sua região durante a época da implantação da indústria.

“… Na maior parte do tempo não havia emprego, e quando existia, a preferência era nos que não possuíam nenhuma propriedade, para preservá-los de uma morte lenta por inanição. Chegou o ano de 1866. Estourou a guerra civil de alemães contra alemães. Se o inverno já fora bastante triste, com desemprego geral e fome consequente, o verão não trouxe melhorias. Os pobres praticamente não tinham ocupação, afora a coleta de galhos secos do bosque do senhor, para que pudessem no inverno aquecer seus miseráveis casebres. Como também meu pai estava sem trabalho no tear, e portanto sem ganho algum para poder comprar lenha, providenciou junto à administração florestal, permissão para catar galhos secos. O pedido fora-lhe concedido, em troca de alguns dias de prestação de serviços”.

Outro fator que fez com que muitos alemães escolhessem o caminho da emigração foi a industrialização. O aparecimento da indústria, a concorrência que esta passou a fazer aos artesãos a partir de meados do século, o fim dos direitos e poderes dos grêmios e corporações, que regulamentavam todas as atividades profissionais, e que fora implantado por decreto na Prússia em 1845, fez com que mestres e artesãos se sentissem ameaçados e temerosos de perder a sua segurança econômica e de serem obrigado a se proletarizar. A existência de indústrias, em algumas regiões, foi responsável para absorção da mão-de-obra rural excedente. Por outro lado, destruiu em alguns setores, como o têxtil, o trabalho dos artesãos, que não tinham condições de concorrer com a produção fabril. Josef Umann conta: “Todos os moradores de nossa comunidade, salvo alguns comerciantes e profissionais, eram tecelões manuais e produziam tecido de algodão do tipo simples. Este trabalho propiciava um ganho muito pequeno, numa época em que a fiação mecânica brotava por toda parte como cogumelos do chão, e os pobres tecelões manuais precisavam empreender todo o seu esforço para, com seu ganho ínfimo, assegurar sua mera sobrevivência física. “(…). Franz Hanei já há alguns anos edificara uma pequena fábrica, na qual havia duas salas com teares mecânicos, movida por força hidráulica; uma terceira sala continha teares manuais. O elemento feminino trabalhava nas máquinas mecânicas; os homens, nas manuais. Outra fábrica, maior, já havia sido implantada, mas também era insuficiente para absorver toda a mão-de-obra ociosa. “Por isso fazia-se seleção, tendo preferencia os mais pobres e aqueles que estavam sob a proteção do mestre de fiação”.

Outro fator que provocou insatisfação e pobreza entre os alemães fora as reformas tributárias feitas por Augusto Hardenberg (1750-1822). Devido a vários protestos, principalmente da nobreza, estas reformas não chegaram a serem completados e vários impostos não foram implantados. Mas dois deles passaram a ser cobrados, como o imposto sobre o consumo (1819) e o imposto de classe (1820), que obrigava cada cidadão a pagar uma quantia fixa correspondentes à sua classe social. As camadas sociais mais baixas foram mais uma vez altamente prejudicadas. Muitos camponeses abandonaram as suas terras por não poderem pagar esses impostos, principalmente durante os anos de 1845-47, solapados por uma das grandes crises agrárias ocorridas na Alemanha.

Além destes três fatores principais (reforma agrária, concorrência entre manufatura e indústria, reforma tributária), havia ainda mais um agravante que colaborou para o grande aumento de desempregados e, consequentemente, de miseráveis. Fazia parte da tradição do mundo rural e estava relacionado com o direito de sucessão, ou de hereditariedade, existente nas diferentes regiões da Alemanha. Conforme as leis e/ou costumes, eram os pais, muitas vezes, obrigados a dividirem as suas terras entre todos os seus filhos, tornando-se estas tão retalhadas que a sua produção não era suficiente para manter a família que dela dependia. Em algumas regiões, somente o filho mais velho ou o mais jovem era que herdava a terra toda, obrigando os demais, que não queriam se subordinar ao herdeiro, a ir tentar a vida nas cidades, a trabalhar nas fábricas ou, então, a emigrar. Josef Umann comenta:

“Camponeses abastados havia muito poucos, a maioria mal possuía terra suficiente para plantar algumas batatas inglesas e um pouco de cereais ou aveia, cuja safra resultava minguada porque o clima era muito rude e o solo pobre.” (p.9)

Podemos notar que durante o século XIX a sociedade alemã sofreu mudanças profundas em todos os setores. Em longo prazo foram mudanças que trouxeram melhorias à sociedade como um todo, inclusive para os camponeses e artesãos. Mas, em curto prazo, as camadas mais pobres se viram ameaçadas e toda a ordem social de séculos foi sendo destruída; a antiga sociedade de estrutura extremamente definida estava sendo substituída por uma incerta para uma grande maioria da população e é esta nova ordem que emigrante abandona, não só por sofrer a fome, mas por temer a instabilidade.

O camponês foi à procura da terra; o artesão emigrou para poder continuar exercer o seu ofício; e ambos abandonaram a sua terra para se livrarem dos pesados impostos e da obrigação de servir o exército a serviço de uma Alemanha em constantes guerras.

Estas são as principais causas da emigração. Mas o movimento emigratório só pôde atingir tamanhas proporções devido à existência de certo grau de organização do sistema emigratório, que foi, ao longo do século XIX, se formando e se aperfeiçoando.

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COMO EMIGRAR

Tendo uma pessoa tomada a decisão de emigrar, precisava decidir exatamente para onde ir e organizar toda a sua viagem. Necessitava de informações sobre os países que estavam dispostos a receber imigrantes, sobre preço de passagens, dia da partida dos navios, o que deveriam e poderiam levar consigo, etc. Durante o século XIX foi formando e se aprimorando toda uma cadeira de serviços ligados à emigração, como os agentes, que trabalhavam para as companhias de navegação ou para algum governo ou companhia de colonização, jornais especializados, panfletos, guias para emigrantes, hospedaria e emigrantes nas cidades portuárias, etc. A emigração era um negócio muito rentável, principalmente para as companhias de navegação que transportavam carga humana, por exemplo, para os Estados Unidos ou Brasil e voltavam para a Europa com os navios carregados de açúcar ou café. As editoras dos jornais especializados, como o Allgemeine Auswanderungs-Seitung, publicado na cidade de Rudolstadt entre os anos de 1847 e 1870, não deixavam de ter um bom lucro, não só com a venda de jornais, mas também com os anúncios pagos pelas companhias de navegação, hospedarias de emigrantes, editoras de guias para migrantes, etc.

  1. Agentes de emigração. A organização dos agentes era composta por um sistema dividido em três níveis: havia os expedicionários, que eram negociantes que faziam contratos com uma ou mais companhias de navegação para promover a emigração. Em nome destas, vendiam as passagens aos interessados. Para exercer este trabalho, os expedicionários montavam seus escritórios nas cidades portuárias (Bremen e Hamburgo). Nas outras principais cidades alemãs, nomeavam os denominados agentes gerais, que também realizavam contratos de viagem com emigrantes. Mais tarde, com o aumento do movimento emigratório estes agentes gerais passaram a nomear sub-agentes, que tinham a incumbência de fazer, nos vilarejos e aldeias, os primeiros contatos com os interessados. Os sub-agentes não viviam exclusivamente dessa atividade. Eram professores, prefeitos, pedreiros, donos de hospedarias, carteiros e mesmo religiosos. Todas as profissões permitiam-lhes ter contato com uma grande quantidade de pessoas e serem conhecidos nos vilarejos, davam conselhos e influenciavam seus compatriotas interessados em emigrar. Ao contrário dos agentes gerais, que recebiam um salário fixo, os sub-agentes eram pagos pela quantia de contratos que firmavam. Portanto, quanto mais passagens vendiam maiores era o seu ganho. Esses sub-agentes foram os principais responsáveis pela má fama que a categoria passou a ter, pois não possuíam nenhum escrúpulo na hora de assinar os contratos de emigração. Trapaceavam e faziam falsas promessas aos emigrantes, contavam maravilhas de países que não conheciam, prometiam vantagens que os governos dos países do Novo Mundo não tinham feito e, muitas vezes, não podiam cumprir. Enfim, não poupavam artimanhas para vender as passagens e os tais contratos de emigração. Tal atitude levou os governos dos Estados Alemães a outorgar leis para regulamentar a atividade de agentes.

Em relação ao Brasil, as atividades dos agentes prejudicaram muito a fama do país, levando o governo prussiano, em 1859, a proibir, através de decreto do ministro von der-Heydt, a atividade, no seu território, de agentes que estivessem a serviço do governo brasileiro ou mesmo de uma companhia de colonização. Essa proibição foi mais tarde adotada em alguns outros Estados da Confederação. O problema é que o governo brasileiro, ou os governos provinciais, assinavam contratos com firmas particulares ou com companhias de colonização para transportar e instalar anualmente uma quantia certa de imigrantes. Estas, por sua vez, faziam contratos com os expedicionários na Alemanha que, para cumprirem estes contratos, utilizavam os serviços dos sub-agentes. Como nem sempre os agentes e, principalmente os sub-agentes, eram pessoas confiáveis, muitas vezes as informações e as cláusulas dos contratos assinados entre os governos e as firmas e companhias de colonização não eram esclarecidas aos emigrantes que mais tarde sentiam-se, com razão, enganados e roubados.

  1. O jornais especializados eram assinados exclusivamente aos emigrantes. Publicavam informações extremamente úteis aos interessados, como artigos sobre os países receptores de imigrantes, sobre as colônias no sul do Brasil, listas dos navios, nomes de seus capitães, seus destinos, os dias e meses das partidas e os preços das passagens, resenha e guias para emigrantes, cartas de emigrantes e anúncios. O jornal de Rudolstadt chegou a ser publicado três vezes por semana, o que demonstra o interesse do público. Este jornal foi extremamente importante, pois, ao contrário do de Bremen, não estava ligado a nenhuma companhia de navegação. Fornecia informações sobre os outros países, diversas companhias de transporte, assim como sobre os portos, sem dar privilégios a esse ou aquele grupo de empreendedores.

Além desses jornais especializados, havia ainda as revistas e jornais ilustrados, publicados a partir de meados do século, que esporadicamente traziam artigos sobre a emigração ou sobre os países de destino. Para o Brasil, o mais importante deles foi o illustrirte Zeitung, fundado em 1843 em Leipzig, que publicou vários artigos sobre a colônia de Blumenau e Dona Francisca em Joinville, ambas em Santa Catarina. As belas ilustrações que faziam para esses artigos ajudavam os futuros emigrantes a terem uma ideia da região para qual se dirigiam.

Agentes, jornais, guias, anúncios, panfletos, hospedarias e, por fim, as companhias de navegação organizaram e possibilitaram a realização do movimento emigratório. Todos esses serviços visavam lucro. Portanto, podemos dizer que eles, em defesa dos seus próprios interesses, incentivaram a emigração. Mas, de outro lado, sem um número grande de pessoas predispostas a abandonar tudo para ir tentar a vida num outro país, muitos destes serviços teriam aparecido ou, pelos menos, se desenvolvido. Através deles podemos perceber a importância política e socioeconômica do movimento emigratório durante o século XIX, na história da Alemanha.

POR QUE O BRASIL?

Com Dom João VI iniciou-se a política imigratório do governo brasileiro seguido e desenvolvida posteriormente por seu filho Dom Pedro I. A ideia inicial, a de povoar principalmente as províncias do Rio Grande do Sul e Santa Catarina para proteger e defender a fronteira sul do Império, em constante conflito com as Províncias do Rio da Prata pela posse da Banda Oriental (hoje Uruguai). D. João VI também tinha a preocupação de colonizar com uma classe média, de homens livres e brancos, pequenos agricultores, para produzirem gêneros alimentícios para o mercado interno. A formação de núcleos coloniais nas províncias do sul e a sua produção policultura, baseado no trabalho livre, deveria se contrapor ao sistema da grande lavoura, baseado no trabalho escravo e na monocultora de produtos para exportação. Outro fator importante que influenciou na decisão de incentivar a vinda de imigrantes europeus para o Brasil, foi a necessidade de se organizar um exército, sobretudo depois que a corte portuguesa, fugindo dos exércitos napoleônicos, foi em 1808 transferida para o Rio de Janeiro. Dom João XI, ao chegar à sua primeira colônia, deparou-se com uma população composta, na sua maioria, de negros escravos e mulatos. Como formar um exército de cidadãos? O Brasil não conseguiu solucionar durante o século XIX esse problema e, até a Guerra do Paraguai, o exército sempre foi complementado com soldados mercenários de várias nações, como portugueses, ingleses, alemães e irlandeses. Além disso, havia a ideia de aumentar a população de brancos para que esta, aos poucos, passasse a ser maioria.

Em 1818 foi aprovada, através de um decreto, a criação de uma colônia de brancos nos arredores da capital do Império. Em 1819 as primeiras 100 famílias de língua francesa, com ajuda oficial, foram instalados em Nova Friburgo, Rio de Janeiro. Estava dado o primeiro passo para o estabelecimento de europeus no Brasil.

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Como já mencionamos, havia durante todo o século XIX, um número grande de alemães dispostos a emigrar, mas que, na sua maioria, dirigia-se aos Estados Unidos. Só uma pequena porcentagem, dentre esses, veio a se instalar no Brasil e tento assim, devido principalmente às vantagens que o governo imperial concedia, a alguns privilégios. Os primeiros imigrantes, por exemplo, recebiam passagens gratuitas da origem até a colônia, concessão de um pedaço de terra, além de bois, cavalos, ferramentas, sementes para plantar e um subsidio diário até que a sua propriedade começasse a produzir. Em 1830, esta ajuda foi suspensa, mas o governo, tanto imperial quanto provincial, voltou em alguns casos a subsidiar as passagens marítimas dos imigrantes vindos através de particulares ou de companhias de colonização que haviam feito contratos com o governo. Isso ocorreu com imigrantes que se instalaram em Blumenau ou que vieram através da Companhia Hamburguesa de Colonização de 1849. Sendo a passagem marítima para os Estados Unidos mais barata do que para o Brasil, se o governo brasileiro não tivesse subsidiado a diferença entre estas, o número de imigrante com destino ao país teria sido ainda menor. Além deste subsídio, o governo dava outra vantagem importante aos colonos que se estabeleciam numa colônia imperial provincial: ficavam isentos de impostos nos primeiros 10 anos, tinham 5 anos para pagaram os seus lotes comprados a prazo e eram, ao chegarem à província ou colônia, alojados, gratuitamente, até poderem se instalar em suas próprias casas.

Apenas de toda a propaganda que foi feita na Alemanha por parte do governo brasileiro e de particulares, como Hermann Blumenau ou Rheinganz (colônia particular de São Lourenço-RS), ou ainda da Companhia Hamburguesa e oferecer algumas vantagens aqueles que estivessem interessados em imigrar para o Brasil, não ocorreu uma imigração espontânea significativa para o país como foi o caso dos Estados Unidos.

Vários fatores contribuíram para a não formação de uma corrente imigratória de alemães para o Brasil. Ressaltamos, dentre eles, a situação anárquica do sistema brasileiro de propriedade territorial até o ano de 1850, quando foi decretada a Lei de Terras, mas só efetivada em 1854. Esta lei regulamentava a demarcação, medição, venda e fixação do preço da terra no país. A partir daí, a única forma de acesso à terra era a compra e não mais a doação ou posse. Esta lei estava de acordo com os interesses das elites cafeicultoras, principalmente de São Paulo e Rio de Janeiro, interessadas na imigração de europeus para substituir o trabalho escravo e na criação de um mercado abundante de mão-de-obra livre. Desta forma, o preço da terra foi estipulado bastante alto para dificultar o acesso dos colonos a ela. Os colonos então eram obrigados a se empregar nas fazendas de café, durante um bom tempo, até conseguir pagar as suas dívidas com o proprietário e juntar alguma coisa para comprar um pedaço de terra. No Rio Grande do Sul, o governo provincial, inicialmente, fundou colônias de terras desprezadas pelos estancieiros, isto é, a oeste de São Leopoldo. Posteriormente, como consequência da Lei de Terras, foi obrigado a comprar terras para assentar novos imigrantes já que estas se encontravam nas mãos de especuladores.

A questão religiosa foi outro fator que dificultou a formação de uma corrente imigratória para o Brasil, pois muitos imigrantes alemães eram luteranos. O Brasil, desde 1824, permitia a imigração de pessoas de outras confissões, além da católica. Ocorreu que não era permitida a construção de templos luteranos nas colônias, não se reconhecia legalmente o casamento entre protestantes, nem os filhos dessas uniões. Perante as leis brasileiras, os casais protestantes viviam em culminado e seus filhos eram considerados ilegais, o que desagradava muito os colonos.

Além desse problema, havia ainda a má fama que o país passou a ter após a revolta dos colonos suíços e alemães, em 1858, na fazenda Ibicaba, em São Paulo, propriedade do Senador Vergueiro. Apesar desse episódio ter ocorrido em São Paulo, numa fazenda de café onde o sistema de trabalho era o da parceria, a repercussão na Alemanha dessa revolta foi enorme e nefasta para o Brasil. Os colonos denunciavam esse sistema de trabalho. Em 1859, como já mencionamos o governo prussiano, em consequência dessa revolta, proibiu qualquer atividade de agentes ligados à emigração para o Brasil em seu território e os jornais alemães passaram a denunciar os brasileiros como “caçadores de escravos brancos”. A existência da escravidão no Brasil até o ano de 1888, quando em todos os outros países das Américas tal tipo de trabalho havia sido banido, corroborava as denúncias feitas.

Podemos concluir que, de um lado, havia uma situação que levava um grande número de pessoas a estarem dispostas a emigrar e, de outro lado, um país disposto a recebê-las. Só foi possível ocorrer o movimento migratório devido à existência destes dois fatores: o de impulsão (Alemanha) e o de atração (Brasil). Mesmo que o número de imigrantes alemães não tenha atingido as proporções alcançadas nos Estados Unidos, o fato é que, os “poucos” que vieram permaneceram, desempenharam um papel econômico e social extremamente importante no Brasil.

SANTA (E BELA) CATARINA:

Apoio: FOLHA SC e Governo do Estado de Santa Catarina

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